PGL – Fazendo parte das comemoraçons por volta do Dia da Língua Materna (21 de Fevereiro), a Organizaçom da ONU para a Educaçom, a Ciência e a Cultura (UNESCO) apresentou ontem em Paris a terceira ediçom do Atlas das Línguas do Mundo sob Perigo de Desaparecimento. Conforme a nova classificaçom e critérios utilizados o galego deixou de estar em perigo, protegido pola sua proximidade ao português.
De acordo com o Atlas, um idioma passa a ser ameçado quando os falantes deixam de usar a língua e de transmiti-la para futuras geraçons, sob a influência de factores externos de naturezas militar, económica, religiosa, política e cultural.
Embora essa definiçom poderia assentar como uma luva para o caso galego, no novo Atlas, para o território sob actual administraçom espanhola, só o éuscaro se mantém entre as 2.500 línguas em perigo de extinçom no mundo, dentro da categoria “vulnerável”, enquanto o catalám tornou-se na língua minorizada mais forte da Europa e o galego ficou protegido pola sua proximidade ao português, indicou o filólogo finlandés Tapani Salminen, encarregado de elaborar parte deste relatório.
O Atlas da UNESCO recolhe quatro níveis “de vitalidade” das línguas: “em situaçom crítica”, “seriamente em perigo”, “em perigo” e “em situaçom vulnerável”. De acordo com isso, um idioma é “vulnerável” quando mesmo sendo falado pola maioria dos meninos o seu uso fica restringido a determinados ámbitos, “o que é claramente a avaliaçom mais exacta do éuscaro”, explicou o filólogo finlandés, que considerou que apesar da alta protecçom oficial que tem essa língua no País Basco, a sua posiçom é “mais débil” dentro de Espanha em Navarra e, ademais, na França.
No anterior Atlas da UNESCO, de 2001, entre as línguas existentes sob administraçom actual do Estado espanhol, o éuscaro e galego encontravam-se na categoria “em perigo”, e o catalám estava “potencialmente em perigo”, mas no novo Atlas o galego e o catalám já nom estám incluídas na classificaçom de línguas em perigo de desaparecimento.
E isso devido aos novos critérios utilizados, que tenhem em conta as estruturas linguísticas e nom as comunidades llinguísticas segundo o território, o que faz com que o galego fique protegido por essa sua proximidade com o português, ao entender a UNESCO que as suas estruturas som essencialmente as mesmas -portanto deixa entrever que o galego deve aproveitar os recursos do português-, e que mesmo o catalám falado sob território da administraçom francesa, ou no País Valenciano ou no Alguer também nom apareça em perigo ao terem as comunidades linguísticas galego-portuguesa ou catalá garantias suficientes noutros lugares.
Ainda assim, seguindo os novos critérios aplicados, no território sob administraçom do Estado espanhol o éuscaro nom é a única língua em risco, já que o Atlas da UNESCO recolhe a situaçom “perigosa” do aragonés e do astur-leonês, e inclui, igualmente, o gascom (no sudoeste da França) na mesma categoria, nom aparecendo referenciado o mirandês, vairante do astur-leonês falada em Miranda do Douro (Portugal).
O relatório revela que dos 6.000 idiomas existentes no mundo, mais de 200 desaparecérom nas últimas três geraçons, 538 estám “em situaçom crítica”, 502 “seriamente em perigo”, 632 “em perigo” e 607 “em situaçom vulnerável”. Um total de 199 idiomas contam com menos de dez locutores e 178 mais tenhem um número de falantes compreendido entre 10 e 50. Entre as línguas desaparecidas recentemente, o Atlas cita o manês da Ilha de Man, que se extinguiu em 1974 com a morte de Ned Maddrell; o aasax da Tanzánia, extinguido em 1976; o ubyh da Turquia, desaparecido em 1992 com a morte de Tefvic Esenc; e o eyak do Alasca, que desapareceu em 2008 com a morte de Marie Smith Jones.
“O desaparecimento de uma língua leva também ao desaparecimento de várias formas de património cultural e material, em particular, o legado inestimável das tradiçons e expressons orais da comunidade que a fala, incluindo poemas e anedotas, provérbios e legendas”, comentou o director-geral da Unesco, Koichiro Matsuura.
“A perda dos idiomas indígenas acontece, também, em detrimento da biodiversidade, porque as línguas veiculam numerosos conhecimentos tradicionais sobre a natureza e o universo”, acrescentou.
O Atlas constata o paradoxo existente entre países que possuem grande diversidade linguística e que som, ao mesmo tempo, os que apresentam maior número de línguas em perigo, estando entre eles os EUA, Brasil, México, Indonésia e China. Na Austrália, o Atlas assinala 108 línguas em diferente grau de perigo, e, dos 26 idiomas em perigo que existem na França metropolitana, 13 estám seriamente em perigo, oito em perigo e cinco em situação vulnerável. Também verifica que Papua Nova Guiné -com 800 línguas, o país com maior diversidade do mundo, é um dos que tem menos perigo proporcionalmente (88).
No entanto, a situaçom apresentada no Atlas nom é, em termos gerais, exclusivamente alarmista, pois destaca que, graças a uma vontade política favorável, aumentou o número de pessoas que falam línguas indígenas originárias. Tal é o caso do aymará e do quíchua no Peru, do maori na Nova Zelândia, do guarani no Paraguai – considerado um caso exemplar – e de várias outras línguas do Canadá, EUA e México, segundo o texto.
Ademais, há línguas assinaladas como extintas e que estám a ser objecto de umha revitalización activa, como o caso do córnico (Cornualha) ou o sîshëë da Nova Caledonia, que poderiam voltar a ser novamente línguas vivas. Tudo isso é que resta alarmismo ao estudo, segundo a UNESCO.
O Atlas interactivo que a UNESCO pom a disposiçom de todo mundo a partir do seu web tem sido elaborado por uma equipa de mais de 30 lingüistas de todo mundo e poderá ser actualizado de maneira constante graças às contribuiçons dos utentes. De aqui a pouco também sairá a lume umha versom em papel.
Reacçons:
A Mesa e o BNG defenderán no Parlamento Europeo o ensino en galego. A Mesa, 20 de Fevereiro de 2009.
O mapa da UNESCO non reflicte unha mudanza na situación do galego, senón unha mudanza na metodoloxía. A Mesa, 20 de Fevereiro de 2009.

