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Uma escola com as suas aulas ao ar livre, no filme “A Morada da Paz”

José Paz Rodrigues – Durante os anos de 2011 a 2013 têm lugar várias comemorações arredor da grande figura de Tagore. Neste 7 de maio cumprem-se os 151 anos do nascimento de Robindronath Tagore. Com tal motivo, eu quero hoje fazer uma homenagem ao que considero o mais importante pedagogo da história da educação, dedicando-lhe o artigo da série sobre as aulas no cinema desta semana à escola nova por ele criada a 23 de dezembro de 1901.

Para ter um lugar tranquilo onde meditar, Devendronath, pai de Robindronath Tagore, comprou em 1863 uma ampla terra a que lhe pôs o nome de “Santi-Niketon” (Santi=Paz; Niketon=Morada). Situada no coração da Bengala indiana a mais de 160 quilómetros por trem da cidade de Calcutá, hoje alberga um centro educativo com mais de seis mil estudantes, desde educação infantil até o nível universitário, funcionando nele uma universidade internacional com o nome de Visva-Bharoti (“Sabedoria Universal”) e catorze faculdades. Entre as que destacam a de Música, Teatro e Dança e a de Belas Artes. No amplo campus funcionam várias escolas primárias e secundárias, centros de formação profissional e artesanal e uma quinta pedagógica, com o nome de Sriniketon (“Morada da Abundância”).

A caraterística essencial destas escolas é que as aulas dão-se ao ar livre, debaixo das árvores (muitas centenárias), e só se dão em interiores, pátios ou pórticos, durante a estação das chuvas, que costuma coincidir com os meses de julho e agosto, com motivo dos monções. Tagore criou a sua escola, quando tinha quarenta anos, vai fazer a finais deste ano cento e onze anos. Seguindo o modelo das escolas novas europeias, iniciadas pola de Abbotsholme de Cecil Reddie (Escócia) em 1889, e já antes, em 1876, por Giner de los Ríos com a sua ILE. Ao modelo europeu, com grande acerto, somou-lhe Robindronath o das antigas escolas no bosque indianas, dando como resultado uma escola muito completa e exemplar com o nome de “Morada da Paz”. Na qual, desde 2001, eu moro entre três e seis meses durante os nossos invernos. E na qual, com os estudantes de todos os níveis, sou realmente feliz, porque são alegres, bondosos, curiosos, criativos, educados e, especialmente, porque querem realmente aprender e respeitam os seus mestres.

 

Ficha Técnica dos Filmes Documentários:

1.- Santiniketan, The Abode of Peace (“Santiniketon, A morada da paz”)

Realizado em 1951, no cinquentenário da escola, em 16 mm., duração de uns 20 minutos, recolhe a voz

gravada de R. Tagore.

2.- Old Santiniketan (1 e 2) (“Antiga Santiniketon”, partes 1 e 2)

Realizado em 35 e 16 mm., mudo, com uma duração de 12 e 15 minutos (partes 1 e 2, respetivamente).

Na segunda parte aparecem imagens de R. Tagore dirigindo uma aula de dança.

3.- Santiniketan (“Morada de Paz”)

Em 16 mm., com voz e uns 20 minutos de duração.

Produtora dos 3 documentários: Films Division of India (Ministério de Cultura da República da Índia).

Nota: este organismo indiano, relacionado com o cinema, aproveitando os materiais fílmicos destes e outros documentários que se encontram no arquivo do Museu Tagore de Santiniketon, está a preparar a edição nova de um DVD, com saída prevista a meados deste ano, para comemorar os 150 anos do nascimento de Tagore.

 

 

Atividades Didáticas Inovadoras da Santiniketon:

– Em cada árvore, ainda hoje, há uma aula ao ar livre, com o quadro preto feito de cimento ao lado para escrever. Os estudantes sentam-se arredor sobre uma pequena esteira.

– Um comité executivo eleito polos mestres dirige a escola, e cada ano escolhe-se um docente do mesmo para presidi-lo.

– Cada área do ensino tem um educador diretor encarregado da mesma. Livros e métodos de ensino discutem-se entre todos.

– A disciplina é controlada polos próprios estudantes, que se organizam em tribunais próprios, mantendo sempre um ambiente de camaradagem. Organizam reuniões e assembleias gerais para debater assuntos que afetam toda a escola.

– Os poucos exames que há, realizam-se deixando sós os alunos, confiando na sua palavra e senso ético.

– Ensino mútuo e em grupos, o trabalho cooperativo e por equipas, para favorecer a socialização.

– Fomento das atividades para meditar e refletir. Esta meditação diária é livre, espontânea e não diretiva.

– Realização de muitas atividades artísticas: canto, audições musicais, conta-contos, livro-fórum, recitais, leituras, revistas e jornais escolares, trabalhos manuais, pintura, modelagem, filatelia, teatro, dramatizações.

– Participação em todo o tipo de jogos e desportos, jogos tradicionais e organização do encontro interescolar.

– Realização de saídas, excursões e passeios escolares para estudar o meio social e natural.

– Organização de serões, festivais, amostras, festas populares do ciclo anual, comemorações importantes do ano, dias especiais, as estações, o dia da árvore e o das colheitas.

– Realização dum festival de fim de ano, a base de música, canções e representações teatrais de Tagore, realizadas entre estudantes e mestres.

– Atividades de astronomia: Nas noites com lua, os estudantes maiores fazem saídas e observam os astros.

 

 

Temas para realizar e refletir:

– Procurar na Internet informação sobre Santiniketan, Visva-Bharati e Tagore como educador.

– Ver a página: www.visva-bharati.ac.in

– Tratar de pôr em prática nas nossas aulas e estabelecimentos de ensino as estratégias didáticas próprias da Santiniketon (Morada da Paz), Escola Nova de R. Tagore.

 

 

(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.

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