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Um grande educador, humanista e filólogo, no filme “Ricardo Carvalho Calero”

José Paz Rodrigues (*) – O professor Ricardo Carvalho Calero (1910 -1990), nos últimos anos, por uma sectária RAG e pola maioria das instituições públicas relacionadas com a cultura, está a ser minimizado de forma imoral e injusta.

No ano de 2010, com motivo do centenário do seu nascimento, tinha que se lhe ter dedicado o dia oficial das Letras Galegas. Pola sua valia, por ter sido académico e escritor destacado, e por ter sido o melhor filólogo que houve na Galiza, o nosso verdadeiro “Pompeu Fabra” das letras. Tal injustiça e tal infâmia ainda perduram hoje. Polo que eu quero recuperar a sua excelente figura de galego bom e generoso. Dedicando-lhe um artigo da minha série. Dado que foi um pioneiro da renovação pedagógica, faceta sua tão importante como desconhecida.

Ele foi o diretor do Colégio Fingói da cidade de Lugo, do ano 1950 ao 1965. O colégio mais importante pedagogicamente falando que naquela altura tivemos na Galiza, com uma pedagogia e uma didática muito avançadas para a época. Levando para a frente o modelo educativo da ILE de Giner e Cossío e várias técnicas didáticas de Freinet. Em momentos realmente difíceis para o nosso país. Por isso quero homenagear em Carvalho o grande educador que foi, labor que depois continuou na Faculdade de Filologia de Compostela, até que se reformou.

 

Filmografia básica sobre Carvalho Calero:

1.- Documentário editado por A Nosa Terra: Ricardo Carvalho Calero, a possibilidade de retificar a história (Galiza, 1991, 50 min.). Completado com um caderno monográfico: R. Carvalho, a razão da esperança (Col. A Nossa Cultura nº 13).

2.- Entrevista da TVG ao Prof. Ricardo: O porvir da língua (partes 1 e 2). Emitida em 27 de abril de 2009, com uma duração de 12 minutos.

3.- Documentário sobre a Homenagem a Ricardo Carvalho. Recolhe os atos celebrados no IES de Canido em 23 de fevereiro de 2011, com uma duração de 5 minutos.

4.- Leituras de textos de Carvalho, por Carlos Quiroga. Imagens na videoteca da AELG (agosto de 2010)

5.- “A minha embala” no programa “A Solaina” da TVG. Tomando como base o poema “Silêncio” de Carvalho (novembro de 2010, 8 minutos).

Nota: É interessante consultar, além da sua abundante bibliografia e os livros de conversas com ele, a biografia publicada por Martinho Monteiro em Laiovento (1993), com o título de Carvalho Calero e a sua obra, e o livro mais recente da autoria de Ramom Reimunde Norenha Cativeiro de Fingói. Os anos lugueses (1950-1965) de D. Ricardo Carvalho Calero, editado pola Deputação de Lugo (2010).

 

O modelo educativo da Carvalho Calero:

Podemos considerar Carvalho como o verdadeiro pioneiro da renovação pedagógica da escola galega. O que pôde fazer, em anos tão duros como os cinquenta, num centro privado de vanguarda como o Fingói lucense. Com o apoio do empresário filantropo António Fernández López, que inscreveu os seus filhos e os dos seus amigos e irmãos neste estabelecimento, criado com a sua ajuda económica. Ao qual, como docentes e/ou alunos estiveram vinculados Avelino Pousa Antelo, que dirigia a Quinta Pedagógica de Barreiros, e os artistas e literatos Méndez Ferrín, Bernardino Granha, Arcádio López Casanova, Ângelo Joham, Pácios, Ana Mª Pardo e, posteriormente, o nosso grande amigo e autêntico artista Carlos Varela Veiga.

No centro dirigido polo Prof. Ricardo punham-se em prática os métodos educativos e as técnicas didáticas da ILE e também do grande mestre galo Celestin Freinet. Entre elas devemos destacar o fomento da expressão teatral, organizando com o alunado diferentes representações dramáticas ao longo do ano letivo, para as quais ele próprio chegou a escrever várias obras e farsas. A investigação da envolvente sociocultural e natural, através de trabalhos em grupo, seguindo o modelo da biblioteca do trabalho, elaborada polos próprios estudantes. A organização de obradoiros variados, para despertar afeições positivas entre o alunado e fomentar o amor polas artes. Por isso, não deve admirar que saíssem deste colégio modelar interessantes pintores, escultores, literatos e cineastas.

A organização de saídas, passeios escolares e excursões educativas, realizando roteiros previamente programados, para estudar in situ a geografia, a história, a arte e o meio natural. Procurando, com estas estratégias didáticas, fomentar entre o alunado o amor pola nossa cultura, e conseguir aprendizagens reflexivas, apreciativas e não abstratas. Porque, com a intuição, a participação ativa, o jogo e os métodos cooperativos, é como melhor se consegue a formação intelectual, estética e humana dos rapazes. E se a isto lhe somamos a alegria, a bondade e as palavras sempre agradáveis e estimulantes do Prof. Ricardo, temos feita a verdadeira obra pedagógica de um pioneiro da escola moderna como ele.

Por tudo o que antes comentámos, quando foi organizado no Paço de Congressos de Montjuic – Barcelona, em dezembro de 1983, o primeiro Congresso de Movimentos de Renovação Pedagógica do Estado Espanhol, polos seus grandes merecimentos, o Prof. Ricardo foi convidado para estar presente nas diferentes atividades do mesmo. Eu fazia parte da comissão organizadora do mesmo e realizei a proposta de convite, que foi aceite. Foi um verdadeiro prazer tê-lo entre nós durante a semana que durara o programa, e que fora encerrado polo grande ministro Maravall.

 

Proposta aos nossos docentes:

Tratar de levar à prática nas nossas aulas e escolas o modelo educativo do grande filólogo e humanista que foi o Prof. Ricardo Carvalho, baseado em:

– Atividades dramáticas (teatro escolar nos diferentes idiomas) e artísticas (obradoiros)

– Dinamização da leitura e da biblioteca (conta-contos e recitais poéticos).

– Dança galega e aprendizagem instrumental (gaita-de-foles galega).

– Criação de um horto escolar para experiências de jardinaria e agrárias.

– Organização de excursões convenientemente programadas e seriadas.

– Criação de uma Quinta Pedagógica, se for possível, como a de Barreiros em Sárria.


(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.

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