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Ugia Pedreira: «Existe um fio de uniom tam forte como o de umha aranha entre o alunado e o professorado»

David Canto (*) – O projecto Folque continua o seu caminho. Foi um ano de sucesso na parte de produçom artística, com o recente sucesso do projecto Descarga ao Vivo, monográficos e diferentes actividades no ámbito profissional que engrossam a trajectória do centro. Porém, a parte académica encontrou mais dificuldades das previstas.

As condiçons este ano mudárom radicalmente. Mantém-se a oferta docente e a natureza que mantém vivo o projecto desde a criaçom do Conservatório de Música Tradicional e Folque de Lalim. Falamos com Ugia Pedreira, artista musical multiface e directora da equipa de aCentral Folque, que desde finais de Outubro retomou aulas.

P: Qual foi o trato recebido desde a Agadic para as gestons da subvençom deste ano?

R: O trato bom. Nós conhecemos o Fasero, pertence ao mundo musical galego desde há muitos anos. Aqui conhecemo-nos todos.

P: Em que momento anunciárom que nom iam continuar a colaborar com aCentral?

R: Mais ou menos o dia 21 de Julho, quando estávamos em plena produçom da Descarga ao Vivo.

P: Quais fôrom as razons esgrimidas pola Agadic para negar a subvençom?

R: Argumentárom que este projecto nom é do seu interesse. Noutros projectos similares nom tivemos notícias de tais problemas.

P: Em que se sustenta economicamente o projecto de aCentral Folque?

R: Para nós é muito importante ter umha casa. O alunado agora está disperso pola cidade e nom temos edifício nem local para o ensino. Antes estávamos no edifício da Escola de Altos Estudos Musicais umha vez à semana, aos sábados.

P: E um projecto de cara ao futuro ou só se maneja esta forma de proceder polas dificuldades encontradas?

R: O projecto educacional foi reciclado. Falamos com o alunado e o professorado e foi entom quando abrimos a Escola Livre da Música Popular Galega, subvencionada pola Concelharia de Cultura da Cámara municipal de Compostela e fundamentalmente polo alunado. Agora temos mais alunos que o ano passado e pagam o triplo pola matrícula. Creio que é um sucesso para a Música Popular Galega.

P: Em que mudou a docência da Escola Livre com respeito à de aCentral?

R: Na forma. A MPG deveria formar parte da educaçom de toda pessoa livre. Por isso, aCentral Folque pom em movimento a Escola Livre da MPG, herdeira do Conservatório de Música Tradicional e Folque de Lalim e a Escola Folque de Santiago. Somos alquimistas que estudamos e reinventamos as formas populares potenciando as qualidades do alunado com o que caminhamos juntos na mesma direcçom.

A Escola Livre é um ninho de pássaro onde criamos situaçons, lugares de intercambio de experiências; é um projecto generoso que divulga e cria informaçom pondo em contacto estudantes com músicos e músicas em espaços vivos, mutantes e ambulantes. A comunidade da Escola Livre participa de umha formaçom complementária fora da aula, extensível ao palco, ao estudo de gravaçom, à rua.

P: Como foi a resposta do alunado umha vez que conhecêrom as mudanças, como a subida de preços e o novo emprazamento para receberem aulas?

R: Pois óptima. Existe um fio de uniom tam forte como o de umha aranha entre o alunado e o professorado. Carinho e admiraçom mútua em muitos casos. O alunado é leal aCentral Folque e vice-versa. Conhecem perfeitamente os nossos anos de trabalho e qual é o nosso motor de existência. Repito, agora mesmo é o ensino mais caro da música tradicional galega, é a sério.

P: Quais som os objectivos para este ano?

R: Continuar com as escolas (Compostela e Ponte Vedra com a Aula Folque infantil), recebendo visitas de músicos de diferentes países, de investigadores…. Continuaremos com as produçons musicais que tenham a ver com algum labor histórico para a música. Continuaremos a criar tendências e a criar postos de trabalho dignos. Neste oceano político e social há muitos portos abrigados e também muitas ilhas.

 


(*) Entrevista publicada originalmente no n.º 84 do Novas da Galiza.

 

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