David Canto (*) – A música tradicional conta desde há uns lustros com mais um modelo de ensino na Galiza, já assentado noutros países de referência na música tradicional.
Nem se trata de umha substituiçom do ensino intergeracional, pessoal e nom regrado. Tampouco de tapar o labor das associaçons culturais ou centros sociais. Mais bem propom-se um modelo com a nossa música como principal protagonista, desde a tradiçom até o contemporáneo, com um itinerário curricular mais ou menos estabelecido previamente.
Fene, Compostela, lugo e Vigo contam com 4 propostas similares na sua formulaçom. A decana é a E-Trad, radicada na Escola de Artes e Ofícios, na avenida Garcia Barbom viguesa. Continua desde 1996, exceptuando umha pequena pausa obrigada por questons administrativas e burocráticas, com mudanças na denominaçom e no endereço, mas nom na filosofia do projecto. Desde 2008 a gestom da escola é dos, até daquela, professores das especialidades musicais da Escola de Artes e Ofícios.
Trata-se dum ensino gratuito, fruto da herdança de Garcia Barbom para a Escola de Artes e Ofícios, inaugurada em 1900. Oferecem-se dous itinerários académicos. O “básico” vai encaminhado a adquirir destrezas musicais para a interpretaçom em agrupaçons. Em palavras de Rodrigo Romaní, director da E-Trad “trata-se de que o aluno poda participar na prática da música como benefício imediato comunal e para o seu próprio desfrute na manifestaçom cultural”.
O outro itinerário é o destinado à “profissionalizaçom”, com 3 anos para o nível “Instrumentista” e mais outros tantos para “Mestre”. Nestes ciclos História da Música Galega, Ritmos e Dança misturam-se com o ensino do instrumento principal mais dous complementários. Em definitiva, todo encaminhado para um conhecimento amplo do “ser e estar” na música do País.
Alá polo ano 2000 nasceu o Conservatório de Música Tradicional e Folque de lalim, germe da actual Escola livre da MPG, aCentral Folque, centro de ensino situado desde 2008 em Compostela. Após um ano funcionando na Escola de Altos Estudos Musicais com o apoio da AGADIC, desde o curso 2009/2010 reparte as aulas entre os centros sócio-culturais da cidade. Aliás, conta com a Aula Folque Infantil e o laboratório de Sons em Ponte Vedra.
Na Escola livre da Música Popular Galega podem-se estudar 7 instrumentos com professores consolidados na nossa música e em activo. O ensino personalizado e o trabalho para s profissionalizaçom som as características próprias d’aCentral, sem perder de vista o trabalho mediante combos para a formaçom em conjunto do seu alunado.
Como indica Gema Pérez, nova directora do centro “Para este curso a matriculaçom mantivo-se parelha à do ano passado, mui perto de encher as praças que por horário e dificuldades à hora de dispor de espaço se ofertam”. Som perto de 100 alunos e alunas que ham de pagar 400 euros ao ano (480 para sanfona), participando assim no ensino e actividades programadas polo centro.
No mesmo ano que aCentral chegou a Compostela, a Tradescola, gerida pola Associaçom de Gaiteiros Galegos iniciou a sua actividade em lugo. Com umha ideia e proposta académica similar, o centro situado na Residência Juvenil luguesa, centro cedido pola Junta da Galiza, oferta aulas individuais ou em grupo no caso dos instrumentos e colectivas no caso de dança e conjunto.
Por um preço de entre 130 euros (associados da AGG) e 160 euros polo primeiro instrumento e 90 e 110 polos sucessivos, pode-se receber formaçom todo o ano na Tradescola. Este ano, começárom o seu terceiro curso, com preto de 200 pessoas matriculadas que enchem as quatro aulas habilitadas durante a semana lectiva.
A última em aparecer foi a BellónMaceiras Escola, pioneira em desenvolver actividades de ensino baixo a marca dum conjunto instrumental. Segundo Dani Bellón, afamado gaiteiro de Trasancos e mestre da própria escola “é umha ideia que se vinha pensando desde há anos, em certo modo pensando em juntar os alunos que tínhamos dispersos”. Porém, o alunado chega a quase 100 pessoas, das quais só 20 eram alunos, o que fala às claras do sucesso na convocatória, parelho ao das outras 3 escolas nos seus respectivos inícios.
O modelo de ensino, “nom difere com o das outras escolas, já está todo inventado, vamos ensinar música”. “É um ensino individualizado na formaçom instrumental, mas também colectivizado em combos”. As aulas propostas vam desde os nossos instrumentos mais singulares até outros bem assentados nos grupos galegos, como bateria ou baixo. Todo isto nom significa a perda da nossa cultura como referente, já que “advogamos também por formaçom noutros estilos”.
Fene é o centro, “a nossa casa” segundo Bellón, onde se situa o local habilitado especialmente para as aulas. Segundo as aulas escolhidas sejam individuais ou colectivas, o prezo ao mês varia entre 50 e 120 euros, com umha hora semanal de ensino, com matriculaçom gratuita. Também existe a possibilidade de achegar-se em menos ocasions ao mês, especialmente pensando em pessoas residentes longe de Fene. A oferta regular complementa-se com a realizaçom de cursos monográficos, como o de baile tradicional ou empalhetado que antes do fim de ano ham transcorrer.
Trabalho aquém e além
O serviço que prestam à sociedade e cultura galega estas escolas está fora de toda dúvida. Ademais do labor académico, já de seu encomiável, as escolas estendem o seu labor pola área de influência. E-Trad, aCentral Folque e Tradescola viajam polos centros de ensino, levam a cavo monográficos e trabalham polo desenvolvimento e posta em valor cultural da cultura marinheira e labrega.
“A Trompa da Fonsagrada” e outros cursos de instrumentos da Galiza ou o Ciclo “Tocar e Sentir” da E-Trad”, “Encontro Internacional de Pandeiros de Mao”, “Vila Joám, cultura marinheira para o desenvolvimento” de aCentral Folque, os monográficos oferecidos pola Tradescola em toda a província de lugo som claro exemplo dum labor imprescindível para a cultura, mais no momento no que nos encontramos.
Orquesta SondeSeu, linho do Cuco, Descarga ao Vivo, 8 Rodas… som projectos que saírom das suas aulas, além de pessoas e pessoalidades com labores mui variados relacionados com a nossa música. (no sentido mais amplo da conceito). Trata-se pois de favorecer a apariçom de novos roles dentro da nossa cultura musical: intérpretes, etnógrafos, mestres, ou todo a um tempo, mas sempre somando para umha das manifestaçons chave para a consciência de povo.
(*) Reportagem publicada originalmente no n.º 96 do Novas da Galiza
