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SOLIDARIEDADE DESDE AS AULAS COM OS IMIGRANTES

Em duas datas do mês de dezembro (dias 18 e 20) celebram-se em diferentes lugares do mundo dous dias internacionais, respetivamente, o das migrações e o da solidariedade humana. Que devemos aproveitar, realizando atividades educativo-didáticas nos estabelecimentos de ensino dos diferentes níveis educativos, para sensibilizar crianças e jovens sobre tão importantes temas, que muitas das vezes têm que ir ligados. Pois costumam ser os imigrantes os seres humanos do Planeta Terra que mais necessitam da solidariedade dos outros cidadãos que não precisaram de emigrar, por uma ou outra razão. Ao longo dos séculos foram muitas as pessoas que tiveram que deixar as suas terras de origem à procura de trabalho e de outra vida melhor. E isto aconteceu em quase que todos os países do mundo, tendo que deslocar-se para outros países, a outros continentes e, mesmo dentro do próprio país, a cidades e territórios com mais possibilidades de emprego e de trabalho, como foi o caso dos galegos, andaluzes e estremenhos, para a Catalunha, Euskadi ou Madrid. Mas também para a América (Argentina, Uruguai, Brasil, México, Panamá, Cuba, Venezuela…) e mais tarde para a Europa: De todos são conhecidas as migrações de muitos povos desde a antiguidade: os judeus, os galegos, os portugueses, os arménios, os italianos, os turcos e eslovenos, os escandinavos, os irlandeses, e mais na atualidade os chineses, os da Europa do leste, os bengalis, os africanos (marroquinos, argelinos, senegaleses, os sírios que escapam da guerra, os líbios, os palestinianos, etc.), os indianos, os cabo-verdianos (entre os que existe uma antiga tradição de ter que emigrar, e têm saudade da sua terra e do seu mar como os galegos), os açorianos, os transmontanos, os filipinos… E, na América, os centro-americanos, mexicanos, colombianos… que têm a aspiração de ir trabalhar para os EUA, onde vem de ser eleito um infame presidente contrário à imigração. Mas também os bolivianos, paraguaios e equatorianos que emigram, por exemplo, para a Argentina, onde esperam um futuro melhor. E também, junto com colombianos, dominicanos e cubanos, nos últimos tempos, existe uma emigração para Espanha e também para a Europa. Sendo nos dous últimos anos muito preocupante o enorme êxodo de pessoas cara a Europa através do Mediterrâneo, da Grécia e da Itália, escapando muitos da terrível guerra síria e dos conflitos permanentes do Oriente Médio. Antes foram – hoje acontece menos – os que chegavam da África subsaariana em botes e jangadas às nossas costas, tanto da Andaluzia como das Canárias. Muitos dos que, desgraçadamente, por causa de naufrágios, terminavam por falecer afogados. E ainda temos os acontecimentos diários de Ceuta e de Melila, onde muitos expõem as suas vidas cada minuto ao tentarem pular as cercas que lá foram instaladas.

O Dia Internacional das Migrações, ou Dia Internacional do Migrante, é celebrado anualmente no dia 18 de dezembro. A data foi proclamada em 2000 pela Assembleia Geral das Nações Unidas sendo celebrada neste dia desde então. Mas, Quem é migrante? É considerado migrante a pessoa que:

é forçada a deixar o seu país ou que o faz voluntariamente; o que procura uma vida melhor ou uma vida diferente; o que possui autorização de residência num determinado país ou o que vive na clandestinidade. No dia 18 de dezembro de 1990, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Convenção Internacional para a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias. Anualmente neste dia realizam-se diversas atividades, desde vigílias em memória daqueles que perderam a vida a sair do país natal, à exibição de documentários sobre a migração, por exemplo. Ao longo da história do homem, a migração tem sido uma manifestação corajosa da vontade da pessoa em superar a adversidade e em alcançar uma vida melhor. Com a globalização e com as novas tecnologias da comunicação, cada vez mais pessoas desejam passar fronteiras. Segundo a OIM (Organização Internacional para as Migrações), em 2015 registaram-se 1.011.712 chegadas de migrantes à Europa, com 341,055 chegadas por mar. Registaram-se 4.271 mortes.

O Dia Internacional da Solidariedade Humana é celebrado anualmente a 20 de dezembro. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas em 2005, por ocasião da celebração da primeira década das Nações Unidas para a Erradicação da Pobreza (1997-2006). A celebração do Dia Internacional da Solidariedade Humana tem como objetivo destacar a importância da ação coletiva para superar os problemas globais e alcançar os objetivos mundiais de desenvolvimento, de forma a construir um mundo melhor e mais seguro para todos. Neste dia, os governos são recordados dos seus compromissos com os acordos internacionais, sobre a necessidade da solidariedade humana como uma forma de combater a pobreza. As pessoas são incentivadas a debater sobre os meios de promover a solidariedade e a encontrar métodos inovadores para ajudar a erradicar a pobreza e a fame. Entre muitas outras iniciativas que decorrem pelo globo, destacam-se as organizadas pelas Nações Unidas. É tradição deste dia o Secretário-Geral das Nações Unidas enviar uma mensagem ao mundo.

Existe na filmografia mundial um amplo número de filmes que apresentam de diferentes formas o tema da imigração, e também o da solidariedade entre os seres humanos, tão vital e necessária. Para o presente depoimento escolhi uma antológica de filmes, em que aparecem as migrações dos diferentes povos, países e continentes, com os seus diversos problemas. Como é natural, não inclui aquelas fitas que já apresentei noutros depoimentos da minha série. Ademais dos que resenho, existem outros muitos filmes que tratam o tema, desde que foi criada a sétima arte.

ANTOLOGIA FILMOGRÁFICA SOBRE INMIGRAÇÃO:

(D.: Diretor-a; R.: Roteiro; P.: Produtora-s; F.: Fotografia; M.: Música; A.: Atores; Arg.: Argumento)

 

  1. Êxodo (Exodus): D.: Otto Preminger (EUA, 1960, 208 min., cor). P.: United Artists.emigracao-exodo-cartaz

R.: Dalton Trumbo, segundo o livro de Leon Uris. F.: Sam Leavitt; M.: Ernest Gold.

A.: Paul Newman, Eva Marie Saint, Ralph Richardson, Peter Lawford, Lee J. Cobb, Sal Mineo, John Derek, Hugh Griffith, Gregory Ratoff, Jill Haworth, Marius Goring, Alexandra Stewart, Michael Wager, Martin Benson, Betty Walker e John Crawford.

Arg.: Filme sobre o nascimento do estado de Israel em 1948. Seiscentos onze judeus que sobreviveram aos campos de extermínio nazis, escapam da Alemanha no barco «Estrela de David», que atraca no Chipre, onde moram em campos de refugiados. Depois de superar grandes dificuldades, conseguem por fim sair da ilha no «Êxodo», um barco de carga com destino a Palestina. O objetivo dos refugiados é criar o estado de Israel. Akiva, um líder fanático, considera que o terrorismo é a única via para construir a nação, embora seu irmão Barek e o seu sobrinho Ari Ben Canaan não sejam da mesma opinião.

  1. O Salto: D.: Christian de Chalonge (França, 1967, 90 min., p. E b.). P.: Artistes Associés.

R.: Roberto Bodegas e Chr. de Chalonge. F.: Alain Derobe. M.: Luís Cília.emigracao-o-salto-cartaz

A.: Marco Pico (António Ferreira), Ludmila Mikaël (Dominique), António Passalia (Carlos), Américo Trindade (Américo), António Assunção e Henrique de Souza (Alberto).

Arg.: António é um marceneiro português que, para fugir à guerra colonial e à pobreza, decide emigrar para França, respondendo ao desafio de um amigo. À dureza da travessia da fronteira, somam-se as dificuldades em Paris. Sem documentos, sem trabalho e sem falar francês, António deambula pela cidade em busca de Carlos, o amigo que lhe prometera ajuda. Neste seu percurso solitário, a esperança e o otimismo vão dando lugar à desilusão, sentimento partilhado por muitos portugueses com quem se vai cruzando. Filme emblemático sobre a emigração portuguesa clandestina, O Salto está imbuído de uma forte carga política e ideológica, fruto do ambiente efervescente vivido em França na época. O crescente fluxo migratório, as condições em que partiam os emigrantes – a pé e em camionetas de carga – e a forma como eram recebidos em França são questões retratadas de forma crua e realista. Com esta primeira obra o francês Christian de Chalonge viria a arrecadar, em 1968, o prestigiado Prémio Jean Vigo.

  1. A viagem da esperança (Reise der Hoffnung): P.: Co-produção Suiça-Alemanha-Itália-R.U.

D.: Xavier Koller (Suiça, 1990, 110 min., cor). R.: X. Koller e Feride Çiçekoglu.emigracao-a-viagem-da-esperanca-cartaz

F.: Elemér Ragalyi. M.: Nana Vasconcelos.

A.: Necmettin Cobanoglu, Nur Srer, Emin Sivas, Erdinç Akbas, Yaman Okay e Dietmar Schönherr.

Arg.: Inspirado pelas histórias de prosperidade de turcos na Suíça, Haydar convence a sua mulher para emigrar de forma ilegal para a Suíça. Vendem os seus pertences e uma pequena terra em troca de uma passagem, e empreendem viagem junto a um dos seus filhos, deixando os outros seis na Turquia ao cuidado dos avós. No transcurso da viagem vão ter que enfrentar todo o tipo de humilhações e a discriminação pela sua origem.

  1. Minha família (My Family): D.: Gregory Nava (EUA, 1995, 130 min., cor). P.: New Line Cinema-American Zoetrope. R.: Gregory Nava e Anna Thomas. F.: Edward Lachman. M.: Marc McKenzie.emigracao-minha-familia-cartaz

A.: Edward James Olmos, Esai Morales, Jimmy Smits, Jennifer Lopez, Leon Singer, Constance Marie, Jonathan Hernandez, Jenny Gago, Mary Steenburgen e Elpidia Carrillo.

Arg.: Três gerações de uma mesma família de imigrantes mexicanos vem crescer a cidade de Los Angeles ao seu redor, enquanto tratam de integrar-se na sociedade americana e conseguir os seus sonhos de prosperidade.

 

  1. A Promessa (La promesse): D.: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne (Bélgica, 1996, 90 min., cor).

R.: J.-P. e L. Dardenne. F.: Alain Marcoen. M.: Jean-Marie Billy e Denis M´Punga. P.: Frª-Belgª (Cop).emigracao-a-promessa-cartaz0

A.: Olivier Gourmet, Assita Ouedraogo, Jérémie Rénier, Frederic Bodson, Rasmane Ouedraogo, Florian Delain, Hachemi Haddad, Alain Holtgen, Sophie Leboutte e Norbert Rutili.

Arg.: A vida de Igor, um adolescente belga, é plácida. Carece de toda a ética e trabalha ajudando o seu pai, Roger, um déspota que utiliza a imigrantes ilegais para os seus negócios de construção. Quando um inspetor se apresenta por surpresa na obra, um dos empregados sofre um terrível acidente e, antes de morrer, arranca a Igor a promessa de que há de proteger a sua esposa e filho.

  1. Olá primo! (Salut cousin!): D.: Merzak Allouache (França, 1996, 93 min., cor). R.: M. Allouache.emigracao-hola-primo-cartaz

F.: Pierre Aim e Georges Diane. M.: Vários. P.: Coprod. Frª-Argélia-Bélgica-Luxemburgo.

A.: Gad Elmaleh, Mess Hattou, Magaly Berdy, Ann-Gisel Glass, Jean Benguigui e Xavier Maly.

Arg.: O filme retrata o duro caminho dos imigrantes que escapam do seu país para encontrar-se com novas desgraças, como a pobreza, a xenofobia, o racismo e a intransigência.

  1. A canção de Carla (Carla´s Song): D.: Ken Loach (R.U., 1996, 125 min., cor). P.: R.U.-Espª-Alemª.

R.: Paul Laverty. F.: Barry Ackroyd. M.: George Fenton.emigracao-a-cancao-de-carla-cartaz1

A.: Robert Carlyle, Oyanka Cabezas, Scott Glenn, Salvador Espinoza, Richard Loza, Norma Rivera, Gary Lewis, Stewart Preston e Paul Laverty.

Arg.: George, um escocês de espírito rebelde, que trabalha como motorista de autocarro, conhece Carla, uma refugiada nicaraguense recém-chegada a Glasgow. Enquanto, na Nicarágua (1987), a «Contra» se prepara para derrocar o governo sandinista. A situação de seu país, da sua família e o amor que lá deixou atormentam Carla. George decide então acompanhá-la a Nicarágua, para que afronte a dura realidade da guerra e dos sentimentos.

  1. Flores de outro mundo (Flores de otro mundo): Dª.: Icíar Bollaín (Espanha, 1999, 100 min., cor).emigracao-flores-de-outro-mundo-cartaz

R.: I. Bollaín e Julio Llamazares. F.: Teo Delgado. M.: Pascal Gaigne. P.: Iguana Films e Alta Films.

A.: José Sancho, Lissete Mejía, Luis Tosar, Marilín Torres, Chete Lera, Elena Irureta,Amparo Valle, Rubén Ochandiano, Chiqui Fernández e Antonio de la Torre.

Arg.: Patrícia, uma dominicana, busca um lar e uma segurança económica que a sua situação de imigrante ilegal não lhe permite alcançar em Madrid. Milady, uma cubana de vinte anos, sonha com percorrer o mundo. Marirrosi, uma bilbaína com casa e trabalho, vive na mais completa soidade, uma soidade como a que partilham Alfonso, Damián e Carmelo, vizinhos de Santa Eulália, uma povoação sem mulheres casadeiras nem futuro. Graças a uma festa organizada pelos solteiros da localidade, uns e outras conhecem-se e começa uma agridoce história de convivências às vezes impossíveis.

  1. Pão e rosas (Bread and Roses): D.: Ken Loach (R.U., 2000, 110 min., cor). P.: R.U.-Alemª-Espª.emigracao-pao-e-rosas-cartaz

R.: Paul Laverty. F.: Barry Ackroyd. M.: George Fenton.

A.: Pilar Padilla, Adrien Brody, Elpidia Carrillo, George López e Jack McGee.

Arg.: Maia e Rosa são duas irmãs mexicanas que trabalham, em condições de exploração, como limpadoras num prédio de escritórios do centro de Los Angeles. Um encontro com Sam, um apaixonado ativista norte-americano, mudará as suas vidas. Graças a Sam, tomam consciência da sua situação laboral e empreendem uma campanha de luita pelos seus direitos, embora corram o risco de perder o seu trabalho e de serem expulsas do país.

  1. Bolívia: D.: Adrián Caetano (Argentina, 2001, 82 min., p. e b.). P.: Iacam.emigracao-bolivia-cartaz

R.: A. Caetano, segundo argumento de Romina Lafranchini. F.: Julián Apezteguia. M.: Los Kjarkas.

A.: Freddy Flores, Rosa Sánchez, Óscar Bertea, Enrique Liporace, Marcelo Videla, Alberto Mercado e Héctor Anglada.

Arg.: Freddy emigra para B. Aires na procura de uma vida mais próspera. No seu país natal, Bolívia, deixa a sua família. No entanto, a capital argentina não é o paraíso que Freddy sonhou, e muito menos para os emigrantes ilegais como ele. Apesar disto, consegue trabalho como cozinheiro num restaurante. Um aclamado filme de baixo orçamento premiado em vários festivais.

  1. Quero ser como Beckham (Bend It Like Beckham): D.: Gurinder Chadha (R.U., 2002, 110 min., cor).emigracao-quero-ser-como-beckham-cartaz

R.: G. Chadha, Paul Mayeda Berges e Guljit Bindra. F.: Jong Lin. M.: Craig Pruess. P.: R.U.-Alemª-EUA.

A.: Parminder Nagra, Keira Knightley, Jonathan Rhys-Meyers, Anupam Kher, Archie Panjabi, Shaznay Lewis, Frank Harper e Juliet Stevenson.

Arg.: Os pais de Jess querem que seja uma convencional moça Indiana, embora ela só queira jogar futebol como David Beckham, a estrela do Manchester United. Um dia Jules, uma moça da sua idade, convida-a para unir-se à equipa de futebol feminino local. Os seus pais não entendem porque é que joga futebol no lugar de estudar Direito e aprender a cozinhar, porque não tenta parecer-se com a Pinky, a sua irmã mais velha, que está prometida com o homem adequado. Ademais, Jules e Jess gostam as duas do mesmo moço, o seu treinador Joe.

Nota: No Brasil este filme foi intitulado Driblando o destino.

  1. Negócios ocultos (Dirty Pretty Things): D.: Stephen Frears (R.U., 2002, 107 min., cor).emigracao-negocios-ocultos-cartaz0

R.: Steven Knight. F.: Chris Menges. M.: Nathan Larson. P.: BBC Productions. A.: Audrey Tautou, Chiwetel Ejiofor, Sergi López, Sophie Okonedo, Benedict Wong,Zlatko Buric e Kriss Dosanjh.

Arg.: O nigeriano Okwe é um imigrante ilegal que trabalha em Londres como motorista de um minitáxi e como rececionista num hotel de má reputação. Partilha apartamento com Senay, uma moça orgulhosa que procura refugiados turcos. O delicado equilíbrio da sua vida quebra-se, porém, quando faz uma descoberta assombrosa num dos quartos do hotel.

  1. Um beijo carinhoso / Só um beijo (Ae Fond Kiss / Just a Kiss): D.: Ken Loach, 2004, 104 min., c).emigracao-um-beijo-carinhoso-cartaz

R.: Paul Laverty. F.: Barry Ackroyd. M.: George Fenton. P.: R.U.-Itália-Alemª-Espanha (co-prod.).

A.: Atta Yaqub, Eva Birthistle, Ahmad Riaz, Shamshad Akhtar, Shabana Bakhsh,Ghizala Avan, Gary Lewis, David McKay e Raymond Mearns.

Arg.: Casim, um jovem escocês de origem paquistanesa, é um «DJ» que sonha com abrir um clube com o seu melhor amigo. Os seus pais, que emigraram para o R. U. nos anos sessenta, têm em Glasgow uma loja de comestíveis e imprensa. Seguindo a tradição muçulmana, decidiram que Casim se case com a sua prima Jasmine. Casim tem duas irmãs: Rucksana, a mais velha, está prometida a um jovem do agrado de seus pais. Tahara, a pequena, de carácter rebelde, está terminando os seus estudos num liceu católico, onde Roisin é a sua professora de música. Quando Casim e Roisin se conhecem, sentem-se atraídos, embora mantenham em segredo a sua relação, pois as diferenças religiosas e culturais são um obstáculo insuperável para a família de Casim.

  1. Um dia sem mexicanos (A Day without a Mexican): D.: Sergio Arau (México, 2004, 100 min., cor).emigracao-um-dia-sem-mexicanos-cartaz

R.: S. Arau, Yareli Arizmendi e Sergio Guerrero. F.: Alan Caudillo. M.: Juan Colomer.

A.: Caroline Aaron, Tony Abatemarco, Melinda Allen, Frankie J. Allison, Fernando Arau, Yareli Arizmendi, Todd Babcock e Maria Beck. P.: Mex..-EUA Espª.

Arg.: parece que vai começar um dia normal quando os residentes da Califórnia se levantam durante outro amanhecer ensolarado. Embora, surpreendentemente, pouco a pouco comecem a dar-se conta de que toda a população latina do estado norte-americano foi banida do mapa.

  1. 14 quilómetros (14 kilómetros): D.: Gerardo Olivares (Espanha, 2007, 95 min., cor). R.: G. Olivares.emigracao-14-quilometros-cartaz

F.: Alberto Moro. M.: Santi Vega. P.: Wanda Visión e Explora Films.

A.: Adoum Moussa, lliassou, Mahamadou Alzouma e Aminata Kanta.

Arg.: 14 quilómetros é a distância que separa África da Europa, mas também é a barreira que afasta os sonhos de milhões de africanos que pensam em Espanha, França e outros países ocidentais como a única alternativa para fugir à fame e à miséria. Em África moram milhões de pessoas cujo único objetivo é entrar na Europa porque a fame não entende de fronteiras nem de barreiras. O êxodo é inexorável. Da mão de três jovens africanos – Violeta, Buba e Mukela – percorremos uma tortuosa viagem através do Mali, Níger, Argélia e Marrocos, para conhecer o que nunca mostram os meios de comunicação. O realizador estima que as imagens e notícias que apresentam a diário os meios, com a chegada dos botes às costas das Canárias, só amostram a ponta do icebergue dum drama gigantesco. Essas imagens de rostos cansos dão boa fé da dureza da viagem, que tem o seu ponto de partida a milhares de quilómetros de distância e que pode durar mais de um ano. Este filme conseguiu a «Espiga de Ouro».

  1. Bem vinda (Welcome): D.: Philippe Lioret (França, 2009, 110 min., cor).

R.: Philippe Lioret, Emmanuel Courcol e Olivier Adam.emigracao-bem-vinda-dvd

F.: Laurent Dailland. M.: Nicola Piovani, Wojciech Kilar e Armand Amar.

P.: Nord Ouest Production-France 3 Cinéma-Studio 37 e CRRAV.

A.: Vincent Lindon, Firat Ayverdi, Audrey Dana, Patrick Ligardes, Thierry Godard,Selim Akgül, Firat Celik, Murat Subasi, Olivier Rabourdin, Yannick Renier e Derya Ayverdi.

Arg.: Bilal é um jovem curdo procedente do Iraque, que percorreu milhares de quilómetros para reunir-se com a sua amada Mina em Londres. Porém, tendo chegado até Calais, na França, dir-se-ia que o último passo de cruzar o Canal da Mancha para chegar ao R.U. torna-se pouco menos do que impossível, dados os controlos fronteiriços serem muito exaustivos. Abandoada a ideia de ir oculto num camião, pensa no plano de atravessar o Canal nadando; para isso recorre a uma piscina municipal, onde frequenta aulas de natação com Simón, um professor amargado pela separação da sua esposa Marión.

  1. Uma vida melhor (A Better Life): D.: Chris Weitz (EUA, 2011, 98 min., cor).emigracao-uma-vida-melhor-dvd

R.: Eric Eason e Roger L. Simon. F.: Javier Aguirresarobe. M.: Alexandre Desplat.

P.: Summit Entertainment-Depth of Field e Lime Orchard Productions.

A.: Demián Bichir, José Julián, Dolores Heredia, Joaquín Cosio, Carlos Linares, Bobby Soto, Chelsea Rendon, Nancy Lenehan, Tim Griffin e Rolando Molina.

Arg.: Carlos Galindo, mexicano de 40 anos, é um trabalhador imigrante ilegal que reside na cidade de Los Angeles. Como homem honrado e decente, o único que Carlos persegue é esforçar-se ao máximo para dar a melhor qualidade de vida possível ao seu filho Luis, e oferecer-lhe uma vida que ele nunca teve.

  1. Almanya: Bem vindo à Alemanha (Almanya-Willkommen in Deutschlandaka).

D.: Yasemin Samdereli (Alemanha, 2011, 97 min., cor). R.: Nesrin e Yasemin Samdereli.emigracao-almanya-cartaz

F.: The Chau Ngo. M.: Gerd Baumann. P.: Roxy Film, Infa Film e Concorde Filmverleih.

A.: Fahri Ögün Yardim, Demet Gül, Vedat Erincin, Lilay Huser, Denis Moschitto, Petra Schmidt-Schaller, Aylin Tezel, Manfred-Anton Algrang, Aliya Artuc e Antoine Monot Jr.

Arg.: Depois de viver 45 anos na Alemanha, o turco Hüseyin Yilmaz, de setenta anos, anuncia à sua família que mercou uma casa na Turquia e que devem voltar para fazer as reformas oportunas. A ideia não é bem recebida e provoca discussões muito acaloradas. Ademais, Canan, uma neta de Hüseyin, anuncia que está grávida e que o pai é o seu namorado inglês, do qual ninguém sabia nada. Para tranquilizar o seu primo Cenk, uma criança de seis anos, a que humilharam na escola chamando-lhe «estrangeiro», Canan conta-lhe uma fantástica história sobre como deixaram a Turquia e foram parar à Alemanha.

  1. A gaiola dourada (La cage dorée): D.: Rubem Alves (França-Portugal, 2013, 90 min., cor).

R.: R. Alves, Hugo Gélin e Jean-André Yerles. F.: André Szankowski.emigracao-a-gaiola-dourada-dvd

M.: Rodrigo Leão e Raphaël Hamburger. P.: Pathé Films e Zazi Films.

A.: Rita Blanco, Joaquim de Almeida, Roland Giraud, Chantal Lauby, Barbara Cabrita,Lannick Gautry, Maria Vieira, Jacqueline Corado e Jean-Pierre Martins.

Arg.: Maria e José Ribeiro moram desde há trinta anos numa pequena portaria dum bom bairro parisino. Este casal de imigrantes portugueses são queridos no bairro inteiro, embora quando surja a possibilidade de voltarem para Portugal, ninguém queira deixá-los partir.

  1. O sonho de Ellis (The Immigrant): D.: James Gray (EUA, 2013, 113 min., cor).

R.: J. Gray e Ric Menello. F.: Darius Khondji. M.: Chris Spelman. P.: Wild Bunch e outras.emigracao-o-sonho-de-ellis-a-emigrante-cartaz

A.: Marion Cotillard, Joaquin Phoenix, Jeremy Renner, Angela Sarafyan, Antoni Corone, Dylan Hartigan, Dagmara Dominczyk, Jicky Schnee, Elena Solovey, Maja Wampuszyc, Ilia Volok, Patrick Husted, Robert Clohessy, Adam Rothenberg, Peter McRobbie e Sofia Black-D’Elia.

Arg.: Em 1921, Ewa e a sua irmã Magda deixam a sua Polónia natal e emigram para Nova Iorque. Quando chegam a Ellis Island, a Magda, enferma de tuberculose, põem-na em quarentena. Ewa, só e desamparada, cai em mãos de Bruno, um rufião sem escrúpulos. Para salvar a sua irmã, Ewa está disposta a aceitar todos os sacrifícios e entregar-se resignada à prostituição. A chegada de Orlando, ilusionista e primo de Bruno, devolve-lhe a confiança e a esperança de alcançar dias melhores. Com o que não conta é com os ciúmes de Bruno. No Brasil foi intitulado como A imigrante.

  1. Samba: D.: Olivier Nakache e Eric Toledano (França, 2014, 115 min., cor). M.: Ludovico Einaudi.

R.: O. Nakache e E. Toledano. F.: Stéphane Fontaine. P.: Gaumont, Quad Productions e Ten Films.emigracao-samba-cartaz

A.: Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim, Izia Higelin, Issaka Sawadogo,Youngar Fall, Hélène Vincent e Liya Kebede.

Arg.: Há dez anos que Samba chegou à França do Senegal, e desde então teve vários empregos humildes. Alice é uma executiva que está a passar uma fase ruim e sofre de esgotamento. Ambos luitam por sair do seu particular labirinto. Enquanto Samba está disposto a fazer o que for necessário para conseguir os papéis, o que Alice tenta é recuperar a sua vida. Ao final, o destino faz que os seus caminhos se cruzem, para poder encontrar juntos a senda da felicidade.

  1. Dheepan: D.: Jacques Audiard (França, 2015, 114 min., cor). P.: Why Not Productions e Page 114.

emigracao-dheepan-o-refugio-cartaz      R.: J. Audiard, Thomas Bidegain e Noé Debré. F.: Éponine Momenceau. M.: Nicolás Jaar.

A.: Jesuthasan Antonythasan, Kalieaswari Srinivasan, Claudine Vinasithamby, Vincent Rottiers, Faouzi Bensaïdi, Marc Zinga e Franck Falise.

Arg.: Um homem foge à Guerra civil no Sri Lanka e, para conseguir que França lhe conceda o direito de asilo, faz passar por sua família uma mulher e uma menina que escapam também do país. Uma vez em terra gala, encontra trabalho como porteiro dum prédio situado num bairro problemático dos arredores. Apesar de não falar francês, adaptam-se progressivamente ao seu novo país. Levou a Palma de Ouro no festival de Cannes do ano 2015. No Brasil este filme foi intitulado como O refúgio.

Nota: Embora estar redigida em castelhano é muito interessante consultar a página

http://www.uhu.es/cine.educacion/cineyeducacion/emigracion.htm

em que se apresenta uma ampla listagem de filmes sobre emigração.

 

OS DIREITOS DOS EMIGRANTES ESTÃO A SER AMEAÇADOS NO MUNDO:

    Os direitos das pessoas migrantes estão sendo pisoteados em todo o planeta, de uma forma que algumas das pessoas mais vulneráveis do mundo estão sofrendo exploração econômica, discriminação e racismo em uma série de países, declarou a Anistia Internacional no Dia Internacional do Migrante. “Os responsáveis por tomar as decisões políticas devem mostrar uma atitude de liderança e garantir que se protejam os direitos humanos dos migrantes”, disse Sherif Elsayed-Ali, diretor do trabalho sobre pessoas refugiadas e migrantes da Anistia Internacional. “Migrantes sem recursos econômicos são os perfeitos bodes expiatórios políticos: não têm dinheiro, influência, nem voto. Portanto, se é um governo cujas políticas estão falhando com as pessoas, podes culpar a imigração por tudo”.

    Exploração Econômica

Ao longo dos últimos anos, a Anistia Internacional destacou a elevada cifra de trabalhadores e trabalhadoras migrantes – pessoas que abandonam seu país com a esperança de melhores salários – que sofrem uma atroz exploração econômica em muitos países. No Qatar, as autoridades estão muito lentas em seus esforços para abordar os abusos contra os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras migrantes. Apesar das promessas de introduzir reformas para abordar a exploração tendo em vista a Copa do Mundo de 2022, os progressos realizados no país têm sido mínimos. Práticas como as demoras no pagamento dos salários dos migrantes, a dureza e periculosidade das condições de trabalho, as más condições de vida, o trabalho forçado e a violência física e sexual contra trabalhadoras domésticas continuam corriqueiras. Em Hong Kong e Indonésia, as autoridades não empreenderam ações suficientes para abordar as falhas sistêmicas que fomentam a exploração das trabalhadoras domésticas migrantes. Estas falhas permitem que agências e empregadores sem escrúpulos abusem das trabalhadoras. A Anistia Internacional documentou casos que constituem escravidão contemporânea.

    SOS Europa

No último ano ocorreu um forte aumento do sentimento anti-imigrante na Europa, e a extrema direita cobrou força nas eleições locais, nacionais e ao Parlamento Europeu. Também aumentou o número de pessoas que fogem das guerras, da instabilidade e da pobreza e que embarcam em perigosas viagens em sua tentativa de chegar à Europa. “Enquanto a fortaleza europeia levanta muros cada vez mais altos, baseando a sua resposta à imigração na segurança nas fronteiras, as pessoas seguem rotas cada vez mais perigosas para tentar alcançar a segurança e a dignidade”, disse Sherif Elsayed-Ali. Recentemente, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados assinalou que no ano 2014 se alcançou a cifra recorde de quase 350.000 travessias de migrantes por mar em todo o mundo. O Mediterrâneo foi a rota mais letal de todas: ao menos 3.419 pessoas perderam a vida nele desde janeiro de 2014. “Dezenas de milhares de pessoas migrantes e refugiadas empreendem a perigosa viagem por mar para a Europa a cada ano. O fato de que milhares delas morram no caminho deveria ser um sinal de alarme que indicasse aos Estados membros da UE que a prioridade deve ser salvar vidas, não fechar fronteiras”.

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    Detenção de migrantes

Em muitos países, pessoas podem ser mantidas detidas durante meses e, em certas ocasiões, por anos, somente por serem migrantes irregulares. Nos EUA, a Anistia Internacional concluiu que o forte aumento do uso da detenção como mecanismo de controle da imigração provoca uma série de violações dos direitos humanos. Mais de 350.000 homens, mulheres, meninos e meninas são detidos pelas autoridades de imigração norte-americanas a cada ano. As pessoas migrantes podem permanecer detidas durante meses ou anos sem que se aplique qualquer forma de revisão judicial de sua detenção, o que viola as normais internacionais de direitos humanos. As condições nas quais as pessoas migrantes permanecem reclusas violam tanto as normas norte-americanas como as internacionais sobre o tratamento aos detidos. A Anistia Internacional documentou problemas generalizados, como o uso inadequado e excessivo de dispositivos de imobilização e um acesso insuficiente à atenção médica, incluindo a atenção à saúde mental. Muitas pessoas têm um acesso limitado ou inexistente a sua família e à assistência jurídica e de outro tipo durante sua detenção. Entre outubro de 2013 e julho de 2014, foram detidos nos EUA ao menos 52.193 menores migrantes desacompanhados, quase o dobro do número total dos doze meses anteriores. O governo norte-americano calculava que, ao final de novembro de 2014, o número total de menores detidos desacompanhados poderia superar os 90.000 em estados fronteiriços como Texas, Arizona e Califórnia.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truque cinematográficos, etc.) e o fundo dos filmes antes resenhados, e, especialmente daqueles que possamos incluir dentro de um ciclo cinematográfico dedicado à emigração.

Podemos organizar nos estabelecimentos de ensino uma magna exposição-amostra dedicada ao tema da emigração no mundo e toda a sua problemática. Na mesma podemos incluir todo o tipo de trabalhos e colaborações dos estudantes: textos livres, poemas, desenhos, murais, aforismos, cantares, fotos, murais, mapas, etc. E com todo o material podemos editar ou policopiar uma monografia sobre a emigração, seguindo o modelo das BT de Freinet.

Aproveitando os coletivos de imigrantes que possam existir na localidade da nossa escola, podemos organizar diferentes atividades em que participem estes coletivos e pessoas dos mesmos de forma individual. Essencialmente podemos organizar com eles postas em comum, mesas redondas, debates-papo, tertúlias, entrevistas, etc. E, para fazer as atividades mais lúdicas, deveremos incluir jogos tradicionais próprios dos lugares de procedência dos imigrantes (Senegal, Equador, Brasil, Paraguai, República Dominicana, Roménia, Venezuela…), festivais de música, danças e canções, artes culinárias, etc. Podendo completar tudo com exposições de livros, postais, mapas e fotografias dos diferentes países que participem.

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