Solidárias. Minha jóia, mádia leva!!

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Por Adela Figueroa Panisse  

 

SOLIDARIAS
MINHA JÓIA, MADIA LEVA!!

Hei d’ir onda ti
Minha-jóia caribenha:
Mádia-leva!
Hei me d’ir agasalhar
No  teu recendo moreno:
barca em vela!
Hálito cálido e morno,
abrangente:
Perfumes de todas as Terras.
Força libertaria e tenra
para embalar as penas.
Hei mistura-lo do orvalho
da  minha terra viçosa
na profunda cova onde se agacha
O sentimento oculto de outros povos.
Mas  eu hei d’ir, ainda
a tender a minha mão aberta
que prenda a tua, numa aperta
no borde do abismo em que se assenta
o teu gosto atrevido pelo risco.
  Unidas assim, tu e mais eu
 num abraço,
haver-hemos de evitarmos
 SOLIDARIAS  
 cairmos no profundo
sem fundo do piago
poço das  anónimas certezas.
Eu e tu:
Mádia Leva!!


Nota: Mádia-leva é uma expressão de Lugo difícil de traduzir, com equivalência a: “Com certeza”.
Piago: É um poço profundo. Sem fundo. Há quem pensa em conexão com o inferno, se ele existir.