No dia 5 deste mês de abril, faleceu Chus Castro. Uma dona galega, culta, amistosa e aglutinante.
A volta da sua mesa sentou a muitas das pessoas significativas da cultura galega. Ali encontravam-se catedráticas, artistas, poetas, empresários /as, colheiteiros/as , todas e todos elementos significativos da nossa cultura, ou simplesmente, amigas e amigos que gozavam dos encontros e gostavam da sua esplêndida cozinha. A cultura dum país escreve-se de muitas maneira e pode cultivar-se também de diversas formas. A presença de Chus, sempre ligeira e delicada, exerceu uma influência cultural em muitas de nós. Sem aparente protagonismo, mas sim com abertura e recetividade para as diversas opiniões ali vertidas, a prudência e a educação eram um de seus sinais de identidade.
Tenho muitas vezes refletido acerca desse conceito: a boa educação. Creio que poderíamos dizer que é um conjunto de normas, atitudes e falas que amolecem as pretensas diferencias de opiniões, e facilitam o intercâmbio de ideias fazendo o ambiente agradável ao conjunto de participes. Assim quanto um exercício de generosidade.
Chus era elegante nas formas e nos hábitos. E dava cabida na sua casa a diferentes elementos da sociedade galega. Seu lar, partilhado com seu companheiro de vida, Xosé Ramon Pousa, compunha um desses núcleos sociais que fazem o espectro cultural de um país como Galiza. Quero hoje render homenagem a esta mulher, doce, suave e graciosa que ajudava a servir o substrato ambiental favorecedor dos intercâmbios culturais, vestidos de falas, cantos e alegres conversas junto dos sabores tradicionais da Galiza , fator também importante na cosntrução duma cultura. Assim quanto a tantas outras mulheres e homens que fazem da amizade e o intercâmbio cultural complemento necessário da sua vida.
Muitos núcleos deste género esparexidos polo nosso país, acabariam por conformar uma rede onde a cultura germola e a amizade se forja.
Em Beade a casa de Chus Castro e de Xosé Ramón Pousa foram, até agora um lugar de referencia, onde o Ribeiro nos agasalhava com sua espetacular paisagem e a viçosidade da sua terra.
Viçoso também era seu lar aquecido com a sua lene e resistente presença.
Eu quero agradecer desde estas palavras os tantos dias de acolhida que nos ofereceram Chus e Xosé Ramón na sua casa e o lugar privilegiado na sua mesa.
A caminho do eterno além, Cara Chus, Bem haja.
PARA CHUS de Curra
(Beade, O Ribeiro. Abril, 2026)
Borboleta de rendas
doce e transparente,
voa cara o infinito
com o teu lene bater
de asas tecidas
por mãos espertas
de palilheiras galegas
da Terra do confim.
Voa voa, nossa querida
amiga, para o além do mar.
Libelinha etérea
de azul e púrpura,
leva contigo
seu doce sorrir,
seu passo ligeiro,
seu mês de abril.
Será para sempre
primavera de sonhos,
de doces lembranças,
de abraços de espuma,
de flores nas vinhas,
ainda sem uvas.
Ácios farturentos
ver-hão as vindimas
cheias de saudades,
por sempre amiga
valeiras de ti.
