Ser ou não ser

Eis a questão, seja 8 de março, 25 de novembro ou 28 de maio.



Não posso escrever nada sobre isto do ‘feminismo’ e menos dos feminicídios (que não são o mesmo que os formicídios por muito que alguns queiram), não tenho legitimidade nenhuma. Ao mesmo tempo não posso calar. Não quero nem penso calar. Não quereria que calássemos.

Não quero espaços fechados, não quero compartimentos separados, não gosto dos apartheid (nem impostos nem auto-impostos), não gosto de segregações, nem gosto de violações de corpos, de violação de direitos, de deveres, de humanidade… Não gosto do desconhecimento, só provoca medos e distâncias. Não gosto de supremacias. Não quero abusos de poder. Odeio ainda mais esse abuso aquando afeta à mulher: ser humano, pessoa de sexo feminino. E sinto uma total repugnância aquando são as crianças as afetas.

O dia-a-dia, dito por pessoas, ‘normais’ como tu e como eu, como nós e como vós é o que é.

Advertências

  • Não apto para suscetíveis.

  • Baseado em factos reais

  • Toda similitude contigo ou comigo é coincidência

Eu não tenho culpa do que leva acontecendo ao longo da história com as mulheres.”

“Eu creio que sou meio mulher porque sinto muitas coisas e tenho sentimentos, sofro e também choro.”

“As mulheres aproveitais muito isso da violência machista, agora tudo e qualquer coisa é abuso ou maus-tratos.”

“As mulheres sois calculadoras e quereis dominar e controlar tudo e aproveitar-vos dos homens.”

“As mulheres dizeis que quereis igualdade mas o que quereis é ou um príncipe azul ou um escravo.”

“As mulheres só quereis que o “feminismo” seja a alternativa nos mesmo termos colocado ao machismo, perpetuando os roles de género e as diferenças mas do outro lado.”

“Ah, sim, eu estaria encantado de ser amo de casa e de cuidar dos filhos e tomar conta da casa e de deixar o meu trabalho e trajetória profissional por conciliar a vida familiar.”

“As mulheres o único que querem é ser mães, ter filhos, acolher, adotar, ter animais de estimação, ter alguém de quem tratar a modo de descendência, não lhes interessa nem importa mais nada.”

“Os abortos que muitas mulheres já tiveram de sofrer nos seus corpos são o preço a pagarem pela liberdade de decidirem sobre os seus mesmos corpos e as suas vidas.”

“És diferente, és pouco feminina, és meio bruta e maria-rapaz, tu és mais meio homem.”

“Buf, uma cona! que nojo!”

“Se são vocês que quando podem ser chefas ou alguma coisa assim parecida afinal não querem e não se apropriam dos espaços, e quando o fazem, são piores do que os homens.”

“Sois todas iguais, e estais todas loucas.”

“A minha mãe é a melhor mulher do mundo, porque me entende e me apoia e me cuida como ninguém. Sempre.”

“Ummm, que bom, como fodes assim? Que bom que gostas de ter prazer, que bom que gostas de foder, adoro foder contigo mulher…! É pena é que não gostes só de foder comigo e não no geral de foder e de sentir prazer, seria bem mais controlável.”

“O meu pai, o meu filho, o meu namorado, os meus amigos, o meu irmão… eu…. não sou machista, não sou desse tipo de homens, ajudo, colaboro e faço coisas em casa.”

“As mulheres gostais de pessoas com “reconhecimento”, só vos interessa a fama, as pessoas com poder.”

“Algum dia vais ver o que é uma pessoa má e um mal-tratador, um dia vais conhecer a algum homem verdadeiramente mau e vais levar de verdade.”

“Sim, eu não gosto da situação do sexo pago sobretudo pela situação que implica para as mulheres, mas sim, já fui com os colegas alguma vez, mas é uma situação pouco agradável, triste, mas sim tenho amigos que vão e familiares também.”

“Mulher 38 anos, homem 38 anos… se temos a mesma idade!”

“Eu sou gay por culpa de algumas mulheres.”

“Está cientificamente provado que há algum indício de que as pessoas de género masculino gostam mais de xadrez, futebol ou das ferramentas.”

“Tu, mulher, tens uma atitude e maneira de atuar muito masculina.”

“A tua mulher, quantos anos tem? 35. Em idade de procriar ainda!”

“E tu mulher, ainda não tens filhos? Quando os pensas ter?”

“Sim, conheci-a de menina mas agora, agora está mais mulher, assim, assim… mais crescida.”

“Algo lhe darias antes e então, que queres? Chama-o e falamos com ele. Estás sem cobertura no telemóvel, pois estamos bons. Que queres, que te acompanhe a casa? Já não está, vai-te.”

“Operaste as mamas? Tens as mamas operadas?”

“Homem duns trinta e tal: Quero ser pai, a minha moça ainda é jovem, tem 25 anos, assim que ainda tenho muito tempo para ser pai.”

“És uma boazona. És muito fixe. És muito bruta. És uma puta. Vou-te matar. Dá-me argumentos para que não o faça. Argumenta-me para que não te mate mais.”

Antia Cortiças Leira

Antia Cortiças Leira

Antia Cortiças Leira (Santiago de Compostela, 1980), licenciada em Filologia Portuguesa (USC, 2004), obteve o Diploma de Estudos Avançados (mestrado) no Programa "Teoria da Literatura e Literatura Comparada” (USC, 2008).
Atualmente trabalha como professora na Escola Oficial de Idiomas de Ferrol mas tem sido professora de língua portuguesa em diversas instituições como o Centro de Línguas Modernas da UVigo ou USC, na própria UVigo nos graus de tradução e de filologia galega, e noutras empresas privadas e associações várias.
Tem trabalhado como tradutora e tem feito investigação integrando o Grupo Galabra, onde tem participado em vários projetos de investigação e onde tem em mente realizar a sua tese de doutoramento.
Tem publicado algum material didático em diversas plataformas on-line; e compila algumas outras publicações ligadas às áreas da Ilustração e dos estudos da Cultura e do Turismo. Além das edições derivadas das traduções e correções de textos realizadas.
A língua portuguesa, em todas as suas variantes e riqueza, e as culturas lusófonas fazem parte da sua atividade laboral principal mas também derivam na sua participação social e associativa em instituições como a DPG (Associação de Docentes de Português na Galiza) onde é atualmente a presidenta, a AGAL (Associação Galega da Língua), ou o antigo MDL (Movimento em Defesa da Língua), entre alguma outra.
Antia Cortiças Leira

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