PGL – Organizaçons tam heterogéneas como a plataforma Causa Galiza, o centro social Revira, a organizaçom juvenil Briga, a Mocidade pola Língua, o partido político Nós-UP ou o sindicato CNT manifestárom de jeito explícito a sua rejeiçom à manifestaçom galegófoba que terá lugar este domingo, dia 8 de Fevereiro, e que organiza Galicia Bilingüe.
Para Causa Galiza, esta manifestaçom é «mais um exemplo do atrevimento que estám a ganhar estes grupúsculos», que nos últimos tempos estám a afirmar sem rubor que na Galiza se persegue o castelhano através de umha «imaginária imposiçom» do galego no seu próprio país. Da plataforma soberanista consideram que nom é nada novo que por trás destas formaçons está «a direita mais espanholista», para os quais o conceito bilingüismo só representa «a marginaçom do galego».
Ainda, de Causa Galiza consideram preocupante que assumam estes postulados pessoas que se declaram defensoras do galego, «estendendo o falso argumento de que é possível umha convivência pacífica entre duas línguas: umha imposta e outra minorizada». A plataforma conclui que nom existem Galizas bilíngües,«apenas umha Galiza diglósica que leva à substituiçom do galego polo espanhol», daí que proponha como soluçom que uso do galego seja necessário em todos os ámbitos da vida, o qual só poiderá vir «de umha soberania política».
Da Revira emitírom um comunicado de repulsa no qual assinalam que a convocatória realizada por Galicia Bilingüe para este domingo é «umha provocaçom em toda regra por parte do espanholismo mais ranço» com o intuito de «rematar com o nosso idioma, reduzindo-o a um ridículo uso folclórico e residual», denunciam. Lembram que qualquer pessoa pode observar a diário qual é a realidade do galego e qual a do castelhano, sendo constatável que o único idioma que se impom em todos os espaços é este último idioma.
O comunicado da associaçom conclui denunciando o «silêncio cúmplice» dos partidos que governam na Galiza ante esta convocatória, e realizam um chamamento para ninguém esquecer que «o bilingüismo é espanholismo».
Contra-manifestaçons
Este último aspecto também o denuncia Briga, ao tempo que compara a velocidade com a qual a Subdelegaçom do Governo espanhol deu o visto e praz à convocatória com a celeridade com que a mesma instituiçom se especializa «em proibir actos da esquerda revolucionária». Da organizaçom juvenil alertam também de que a marcha de Galicia Bilingüe conta com o apoio formal de diversos sextores da direita mais extrema, que aproveitarám a data e a protecçom policial para «saírem dos seus guetos» e «fazer neste dia o que nom se atrevem a fazer o resto do ano».
Briga também concorda com os apontamentos realizados por Causa Galiza e a Revira no sentido de que na Galiza de 2009 apoiar o bilingüismo equivale a «defender a imposiçom definitiva do espanhol como idioma único», já que o galego está relegado cada vez a menos espaços. «Todas as estatísticas, estudos e inquéritos respaldam esta afirmaçom», sentenciam ao tempo que advertem da sua presença no dia e lugar da manifestaçom para evitar a apologia do espanholismo.
Um outro colectivo que anunciou a sua contestaçom física a Galicia Bilingüe é a Mocidade pola Língua, que dias atrás anunciou umha manifestaçom nacional contra a desapariçom do galego simultánea à de Galicia Bilingüe em defesa da primazia do castelhano. Os pontos defendidos por esta plataforma coincidem com os de outras organizaçons, no sentido de denunciar o apoio do espanholismo à mobilizaçom e a colaboraçom das forças de segurança do Estado.
A Mocidade pola Língua lembra que o que reclama Galicia Bilingüe para os castelhano-falantes, poderem educar os filhos só nesta língua, é algo que durante séculos estivo proibido para os galego-falantes, mesmo em épocas e lugares nos quais a imensa maioria da populaçom era monolíngüe em galego. O comunicado finaliza reclamando das Administraçons a sua obriga de fazerem cumprir as numerosas leis e sentenças de todo tipo que instam ao direito dos galegos a poderem viver no seu idioma.
O partido independentista Nós-Unidade Popular (Nós-UP) chama a contra-manifestar-se para «mostrar o nosso repúdio aos ultras antigalego», que se manifestam «para tentar reduzir à mínima expressom a presença social, educativa e cultural do nosso idioma».
Nós-UP acusa a «péssima» política lingüística realizada pola Junta de ser a responsável de que os sectores mais radicais «se vejam com formas para reclamar umha ainda mais contundente imposiçom do espanhol», mesmo quando no momento actual é «dramática» a situaçom da língua galega, até o ponto de que nenhum galego-falante pode fazer umha vida normal no seu idioma, denuncia.
Defesa contra as opressons
Por sua parte, a Confederaçom Nacional do Trabalho (CNT) lembra a obriga do anarquismo de defender todas as línguas e expressons culturais, daí que rejeite a manifestaçom convocada por Galicia Bilingüe, colectivo que acusam de promover desde a sua criaçom a «atacar a existência da própria cultura galega lá onde está numa situação mais fraca e onde a projecção do ataque é maior: nas crianças e na educação».
Para a CNT, em casos como este, nos quais umha língua minorada se vê assobalhada «por uma força de poder que se coloca acima», cumpre defender a existência da primeira, que neste caso é a galega. Julgam que a resposta é necessária por ser o anarquismo umha corrente ideológica que deve «manter uma atitude beligerante com todas as manifestações opressoras, restritivas de direitos ou decididamente fascistas, como a que neste caso representa Galicia Bilingüe».
+ Ligações relacionadas:
- Na íntegra, os comunicados de Causa Galiza, Revira, Briga, Nós-UP e a CNT
- «Bilingüismo, Mr. Marshall!»: festa e humor face o espanholismo [PGL, 03/02/2009]
