Anexo: Comunicados de rejeiçom à manifestaçom convocada por Galicia Bilingüe para o 8 de Fevereiro de 2009 em Compostela

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Causa Galiza

 

Pola soberania lingüística, soberania nacional

Galiza afronta nos últimos tempos novas estratégias do espanholismo lingüístico, organizadas desde colectivos que afirmam defender a convivência entre espanhol e galego contra umha imaginária imposiçom desta última língua no território que sempre lhe foi próprio. A manifestaçom convocada por Galicia Bilingüe em Compostela para este 8 de Fevereiro, contra a que Causa Galiza quer manifestar o seu rejeitamento, é mais um exemplo do atrevimento que estám a ganhar estes grupúsculos, ainda que tenham que trazer autocarros e manifestantes de fora do país.

Sem dúvida, nom é preciso destacar a impostura que se acocha trás destes movimentos, com base na direita mais espanholista e para os que bilingüismo só significa a defesa da sua língua e a marginaçom do galego. Porém, mais preocupante é que se asumam os postulados bilíngües desde outros sectores da populaçom, mesmo alguns que se declaram defensores do idioma, extendendo o falso argumento de que é possível umha convivência pacífica entre duas línguas: umha imposta e outra minorizada.

Nom existem Galizas bilíngües, apenas umha Galiza diglósica que leva à substituiçom do galego polo espanhol, ou a inversom deste processo por meio do monolingüismo social. Em quase trinta anos de cooficialidade do galego e políticas lingüísticas, o número de falantes monolíngües em espanhol tem aumentado até limites nunca vistos na história do país, enquanto o galego perde fonética, léxico, sintáxis e toda a sua idiossincrásia num processo avançado de dialectalizaçom que deu en chamar-se bilingüismo harmónico.

Mas nom deve sorprender-nos este processo quando, sem entrarmos no errado das políticas lingüísticas, todo esforço realizado pola nossa cativa cooficialidade autonómica vai ver-se contrarrestado por umha força maior desde a imposiçom lingüística: por mais que se galeguizem a administraçom, os meios de comunicaçom, a educaçom, a produçom editorial, etc.; o estado vai responder sempre com um número maior e mais forte destes activos, evidentemente com o espanhol como língua. A falta de soberania do povo galego desvenda-se assim como o elemento principal para a desapariçom da língua, pois a subordinaçom política significa umha constante imposiçom lingüística, ao tempo que umha separaçom do galego do ámbito que lhe é próprio, tendo que passarem as suas relaçons internacionais e a criaçom de neologismos pola peneira do espanhol.

A soluçom para a língua galega passa por que o seu uso seja necessário em todos os ámbitos da vida diária, e nom só para a entrada na classe funcionarial autonómica. Enquanto o espanhol continuar a ser suficiente para desenvolver-se em cada vez mais espaços da Galiza, a sua maior força vai evitar a possibilidade de umha recuperaçom do galego. E o monolingüismo em galego só pode construir-se desde umha soberania política que estabeleça os límites nos que esta, e nengumha outra, seja língua própria, oficial e necessaria, independentemente do que se regular sobre as línguas estrangeiras que, por migraçom ou outros processos, também se falem no país.

Por isso, frente aos embates da imposiçom lingüística, apresentados agora como defesa da paz bilíngüe, Causa Galiza reclama, mais umha vez, o direito de soberania do povo galego. Só com a autodeterminaçom, o galego vai poder recuperar o espaço que merecen os e as suas falantes: o de língua veicular de todas as relaçons sociais dentro do país.

 

 

Revira

 

A Associaçom Cultural A Revira de Ponte Vedra quer amosar a sua mais profunda repulsa à manifestaçom que está convocada polo colectivo antigalego Galicia Bilingüe para este domingo 8 de Fevereiro em Compostela.

Estamos perante umha provocaçom em toda regra por parte do espanholismo mais ranço que pretende rematar com o nosso idioma, reduzindo-o a um ridículo uso folclórico e residual.

Qualquer pessoa pode observar no dia a dia qual é a realidade do galego e do espanhol na Galiza, e qual é o idioma que se impom nos diferentes espaços públicos e privados, no ensino, meios de comunicaçom, ofertas de lazer, centros de trabalho, etc.

Esta manifestaçom, que conta com o apoio explícito de grupos da extrema-direita e com o silêncio cúmplice dos partidos que governam na CAG, supom um desafio para tod@s @s que nos consideramos parte do movimento normalizador do nosso idioma.

Da Revira chamamos a assistir a Compostela o vindouro domingo para berrar bem forte:

Na Galiza, em Galego!!!
O bilingüismo é espanholismo!!!

 

 

Briga

 

O colectivo ultra-espanholista Galicia Bilingüe anunciou a convocatória dumha manifestaçom para o próximo Domingo 8 de Fevereiro em Compostela. O fascismo organizado nesta pantomima de plataforma tentará desfilar polas ruas de Compostela para defender o indefendível, empregando a cobertura institucional e a prepotência que lhe conferírom 40 anos de Ditadura e 31 de franquismo reformulado em democracia.

Ante esta convocatória, BRIGA manifesta:

  1. Este acto está organizado por e para o fascismo. O colectivo convocante está formado pola direita espanholista mais fanática e histérica, que disfarçou o ódio aos povos oprimidos e o medo à classe trabalhadora do golpismo fascista com um halo de duvidosa legitimidade democrática.

  2. Defender na Galiza de 2009 o bilingüismo é defender a imposiçom definitiva do espanhol como idioma único. Ninguém pode negar a evidência da marginalizaçom do galego, relegado cada vez a menos espaços. Todas as estatísticas, estudos e inquéritos respaldam esta afirmaçom. O bilingüismo harmónico é umha estafa comprovada, o único bilingüismo que existe é o que está a fazer desaparecer o galego em favor do espanhol. O “direito a decidir” do que fala Galicia Bilingüe é na prática o direito do espanhol a ser a língua única na Galiza, já que aquele tem o apoio e impulsionamento dum estado do que o nosso país carece.

  3. Nom som vítimas, som agressores escudados em mentiras. A própria Gloria Lago tem reconhecido que o espanhol goza de mui boa saúde na Galiza. O cerne das suas reivindicaçons exigem entom que o galego continue marginalizado no seu gueto até que esmoreça irremissivelmente e desapareça.

  4. A ultra-direita também estará presente. Os sectores sociais que vam acudir a esta manifestaçom nom se vam limitar à direita neo-fascista institucional. A asa da extrema-direita organizada utilizará a ocasiom para sair dos seus guetos aproveitando a mais que possível protecçom policial e o acovilho dos partidos maioritários, para fazer neste dia o que nom se atrevem a fazer o resto do ano.

  5. A manifestaçom conta com o silêncio da Junta e a cobertura do estado. O colectivo, organiza este acto fascista ante a total indiferença dos partidos gestores da CAG, que guardam esse silêncio tam lucrativo que assegura cadeiras em Sam Caetano e no Parlamentinho. A Subdelegaçom do Governo espanhol, especializada em proibir actos da esquerda revolucionária, mais umha vez dá veloz luz verde à ocupaçom da rua por parte do neofascismo.

Todas estas razons levam-nos a umha única resposta:
NOM VAMOS PERMITI-LO.

Assim de claro. Este ataque da direita fascista e neofascista aos nossos direitos legítimos como povo som inassumíveis pola esquerda revolucionária. A juventude nom pode ficar à margem desta tentativa da reacçom de tomar o NOSSO espaço, as NOSSAS ruas, para esigir a seu direito a destruír-nos. É umha provocaçom que aceitamos sem reservas.

O Domingo dia 8 de Fevereiro de 2009, na Alameda de Compostela, Galicia Bilingüe pode contar oficialmente com a nossa assistência.

 

 

Mocidade pola Língua

 

CONTRA O EXTERMÍNIO DA NOSSA LÍNGUA

POLA NORMALIZAÇOM DO GALEGO

Os colectivos e pessoas que nos juntamos em assembleia e formamos Mocidade pola Língua chamamos a cidadania galega, e em especial aos jovens, a contestar o que ao nosso ver é umha provocaçom. Galicia Bilingüe, um outro sector organizado do espanholismo galegófobo, pretende manifestar-se o próximo dia 8 de Fevereiro contra a nossa língua nas ruas de Compostela.

Esta organizaçom, apoiada polo espanholismo e protegida pola Forças de Segurança do Estado Espanhol, argumenta, em defesa do extermínio da língua galega, que é um direito individual escolher a língua na qual educarám os seus filhos. Nada mais longe da realidade. Até os anos 70 do passado século nunca antes foi possível ser educado em galego e muito menos escolher outra língua diferente do espanhol. Ainda hoje o galego nom é a língua veicular da educaçom, nem sequer em áreas de esmagadora maioria galego-falante.

Venhem-nos, pois, com argumentos de factos consumados, argumentado que a Galiza é bilingüe. Após décadas de imposiçom lingüística, colonizaçom cultural e desprestígio do nosso povo por falar a sua língua. Após ditaduras e monarquias que eliminárom o galego de qualquer alto estamento, uso administrativo ou educativo, criaçom literária, científica ou jornalística, a Galiza é bilingüe. Mas, após séculos de monolingüismo em galego nom podemos permitir o extermínio dumha parte tam importante da nossa cultura e identidade.

Os nossos pais, mais, avós, professores, literatos e científicos forom aldrajados, perseguidos, insultados, mortos e exilados. Nós, herdeiros desta triste história ainda temos a possibilidade de conservarmos a nossa língua e por consciência livre e democrática advogamos por umha sociedade galega monolingüe em galego e por umha educaçom plurilingüe que garanta a total competência e imersom linguística dos nossos cidadaos na língua que lhes é própria: o galego.

Nom ficam aí as nossas reivindicaçons. A Administraçom galega tem a obriga, ao menos legal, de fazer cumprir as leis e decretos que elaborou, respeitar as numerosas sentenças judicias galegas, espanholas e europeias sobre o assunto, e ter em conta os informes e normativas elaborados por instituiçons da Uniom Europeia. É o nosso direito como galegos e galegas que a nossa língua seja protegida e promocionada e que os nossos direitos sejam respeitados. Nom existe nengumha sociedade plenamente bilingue, sempre há umha língua predominante. É por isso que consideramos o “bilingüismo harmónico” um ataque encoberto contra o galego, hoje em dia em abafante inferioridade ante o espanhol. Meios de comunicaçom, educaçom, administraçom e judicatura e o sector público em geral expressarem maioritariamente em espanhol. O entorno é, com certeza, espanholizante.

Por todo isto e mais é que convocamos umha manifestaçom em Compostela o dia 8 as 12:00 na Alameda em contra do extermínio da nossa língua, em prol da normalizaçom do galego e em defensa dos nossos direitos linguísticos colectivos.

 

 

Nós-UP

 

Repúdio às provocaçons do espanholismo nas ruas do nosso país: No dia 8 de Fevereiro, tod@s a Compostela contra Galicia Bilíngüe!

Nom é nengumha novidade a dramática situaçom que atravessa a nossa comunidade lingüística, numhas condiçons de grave anemia funcional devido à histórica imposiçom do espanhol como língua de prestígio e uso formal na Galiza.

Nom é nengumha novidade que as instituiçons espanholas, incluído o seu apêndice autonómico, promovam a hegemonia do espanhol e condenem o galego à marginalidade de umha posiçom folclórica e dependente.

Nom é nengumha novidade que as que queremos e os que queremos fazer umha vida normal com o galego com idioma de uso habitual em todos os ámbitos, como a que leva qualquer habitante de Valhadolid, Madrid ou Albacete, tenhamos que ver os nosso direitos colectivos como galegos e galegas limitados pola presença exclusiva do espanhol em tantos serviços e espaços de uso social.

Todo o anterior fai parte da realidade imposta polo Estado à nossa comunidade lingüística, disfarçando-a de um inexistente “bilingüismo harmónico” inventado polo PP e continuado hoje polo PSOE e o BNG. Para nengumha dessas forças é umha prioiridade aplicar a política lingüística que a Galiza necessita.

Em diferente grau, as três som corresponsáveis da queda nos usos sociais do galego e de nada serve que o BNG reconheça agora que a actual legislatura foi inoperante para o idioma, quando ele próprio fazia parte do governo.

Porém, sim é nova a tentativa dos sectores mais antigalegos de sair à rua e manifestar-se para tentar reduzir à mínima expressom a presença social, educativa e cultural do nosso idioma. A péssima política lingüística oficial fijo possível que agora os mais ultras se vejam com forças para reclamar umha ainda mais contundente imposiçom do espanhol.

Essa é umha novidade à qual nom podemos assistir passivamente. É necessário contestarmo-la com firmeza, de maneira unitária e deixando claro que os galegos e as galegas nom estamos dispostas a renunciar a um direito fundamental como é o nosso direito à língua.

Por isso, no dia 8 de Fevereiro devemos sair às ruas de Compostela e mostrar o nosso repúdio aos ultras antigalego. Devemos fazer-lhes ver que o ódio ao nosso idioma e à nossa identidade nom pode ter espaço no nosso país.

Galicia Bilíngüe, na Galiza sobras!

Na Galiza, sempre em galego!

 

 

CNT

 

@S ANARQUISTAS CONTRA GALICIA BILINGÜE

A recente convocatória por parte de Galicia Bilingüe de uma manifestação em Compostela como final de uma carreira desde o seu nascimento há anos plenamente focada para devolver o poder parlamentar da Galiza ao PP, e a resposta lançada desde diferentes meios e coletivos, evidencia uma problemática a respeito da lingua que @s anarquistas galeg@s, fora de casos exepcionais, não acertaram a ver com lucidez, assim como a necessidade de uma postura diáfana por parte do anarquismo ante a aparição de organizações de corte fascista como GB e os intentos de recuperação nacionalista de qualquer oposição.

Sem irmos mui para trás no tempo, sim é necesário repasar qual a postura d@s anarquistas nos últimos tempos.

Vemos por um lado como em muitas ocasiões, de jeito acrítico e muito longe das tentativas integrais e radicais com que se deveriam analisar todas as problematicas, @s anarquistas têm reproduzido a posição do poder, mantendo-se na postura de privilegiar o uso do castelão sobre o galego, ou têm manifestado uma quase depreciativa indiferença, até o extremo de usos do galego anedóticos, residuais, quando não chegando à des-culturação que supõe textos ateigados de gralhas, que estes falantes nunca cometeriam em castelão.

Trás desta postura manifesta-se em muitas ocasiões um anti-nacionalismo que não é aplicável ao caso, e leva às anarquistas nesta situação a um paradoxal alinhamento com o nacionalismo espanhol. Necessário que fique também claro que são anarquistas como @s assinantes do cartaz à esquerda quem se mantêm nesta posição, mas não sempre. Também anarquistas com posturas claramente libertadoras, erram ao entender uma relação necessária entre língua e nacionalismo, quando esta se dá na verdade entre língua e cultura e povo, aspectos todos que deviam ser defendidos com afouteza pel@s anarquistas.

Mas noutro lado vemos como também os sectores mais comprometidos do anarquismo sim apostam pelo galego como única forma de comunicação possível dentro da Galiza, e fazem-no de posturas muito críticas com o pensamento nacionalista, crítica desde a que há que entender o emprego generalizado de normas como o padrão frente ao AGAL ou ILG, normas que se entendem tingidas de ideologismo e diferenciação fictícia, todo o qual é um debate aberto de mais para ser tratado cá.

Historicamente o anarquismo foi quem de perceber toda forma de opressão e de agir contra elas. O anti-militarismo, o ecologismo, a libertação sexual, a libertação da mulher, são exemplos claros, lutas nas que o anarquismo se desenvolveu até em momentos nos que a esquerda autoritária defendia visões antagónicas e enfrentadas.

Mas, pelos motivos que for, na Galiza não se estendeu esta visão à opressão cultural-idiomática. Choca, em quanto que num contexto como o galego é muito fácil entender o enfrentamento de classe refletido na oposição lingüistica, mas talvez este é o motivo pelo que o anarco-sindicalismo tem sido mais sensível.

No entanto, devia ser para o anarquismo uma questão fulcral a defesa da cultura própria de um qualquer território, mais quando se trata de uma cultura minorizada e francamente ameaçada por uma força de poder que se coloca acima. Não se trata de defender a cultura galega frente a outra cultura, mas de defender a pervivência e existência da cultura galega ante uma ameaça do poder, e de defender as suas manifestações, entre elas a língua.

Mas uma visão rápida ao que há por trás de Galicia Bilingüe devia situar definitivamente o movimento anarquista. Do seu nascimento num liceo de Vigo, GB agiu numa dupla direcção: por uma parte, jogar um papel decisivo como força de choque do nacionalismo espanhol na Galiza tendente à recuperação do poder político pelas direitas; por outra, atacar a existência da própria cultura galega lá onde está numa situação mais fraca e onde a projecção do ataque é maior: nas crianças e na educação.

Assim, afirmamos que é necessária a resposta d@s anarquistas e ao tempo marcar uma distância clara com nacionalistas e independentistas, o que não significa questionar o seu direito a agir na direcção que possam considerar conveniente.

É necessária em quanto que é um imperativo para o anarquismo a defesa das culturas. E é necessária em quanto que o anarquismo deve manter uma atitude beligerante com todas as manifestações opressoras, restritivas de direitos ou decididamente fascistas, como a que neste caso representa Galicia Bilingüe. É necessária também porque não seria bom que movimentos populares sofram uma recuperação desde a esquerda parlamentar, como temos visto fazer nos últimos anos nomeadamente ao BNG (lembrar: Nunca Mais, os lumes, Galiza non se vende, e não esquecer), e neste sentido as visões e análises anarquistas têm muito que aportar.

E é necessária porque o anarquismo é, ou devera ser, um movimento de emancipação integral, que deve dar sua visão e sua alternativa em todas quantas circunstâncias afectam às pessoas. Se ultimamente semelha que o anarquismo na Galiza se fundiu em um complexo que o leva a não se posicionar em questiões susceptiveis de ser assumidas, ou assumidas de facto, por outros movimentos políticos, esta é uma circunstância que haverá de ser combatida desde o próprio movimento, com a honestidade de incorporar leituras não surgidas de nós, e com a radicalidade analítica que tem caracterizado ao anarquismo historicamente.