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Reintegrantes

PGL – Polo seu grande interesse, reproduzimos aqui o texto que nos achega Joseph Ghanime López, professor de Português na Escola Oficial de Idiomas de Lugo. Partindo de uma divertida anedota, Joseph formula-nos uma pertinente reflexão.

Joseph Ghanime – Algum lugar, nas veigas que o Eume esmalta. Uma professora do secundário baixa ao pátio para fazer a guarda de recreio. Depara-se com um aluno a ler um livro e vai ter com ele:

– Desculpa, que lês?

– Estou a resolver uns exercícios…

– Mas eu também tenho esse livro! O autor véu apresentá-lo à escola de idiomas onde ando a estudar português. Onde o conseguiste tu?

– Eu e aqueles amigos meus —aponta com o dedo— compramo-lo numa livraria de Viveiro.

– E logo como vos deu por aí?

– É que nós somos REINTEGRANTES.

O livro tem um cozinheiro na capa e um feixe de receitas para migrar do galego-espanhol para o galego-português. E o pequeno encontro referido, tão real como mágico, desencadeia nos meus neurónios o seguinte raciocícinio em galego impossível:

REIN-TE-GRA-CI-O-NIS-MO

Elas são nada menos que dezoito letras, ou entre seis e sete sílabas, consoante realizemos ou não o castelhanizante ditongo crescente que escorrega do “I” para o “O”.

Anda-se num tempo de identidades tão estropiadas que mal conseguimos ser qualquer cousa de três ou quatro sílabas, a saber: galeguista, anarquista, celtista, surrealista, esquerdista, e por aí fora. Quem, então, irá reconhecer-se no nome do nosso bretemoso movimento ortográfico-sebastianista, com tantas letras como EM-PA-NA-DA DE BA-CA-LHAU, mas muito mais difícil de digerir?

É mais: fede essa pomposa teima dos -ISMOS, como uma doença que mentalmente enfraquece, chuchando energias e classificando-nos pola espécie do vírus inoculado no nosso organISMO. Não, não é por acaso que o sufixo tenha logrado grande aceitação no século XIX, para designar diversos tipos de intoxicação: absintintismo, alcoolismo, ergotismo, eterismo, hidrargirismo, iodismo.

Mui ao contrário, os sufixos -ANTE/-ENTE/-INTE acrescem às bases lexicais do nosso idioma um imparável impulso agentivo: assaltante, delinquente, bandeirante, traficante, ouvinte, cavaleiro andante, mutante, amante. Eles, para agirem, não precisam de um substantivo prévio que indique “adesão a”’: *delinquentismo, *assaltantismo, etc.

Por isso, quem é reintegrante, com certeza que “reintegra”, enquanto que o reintegracionista parece que só no meio de um denso nevoeiro consegue “defender o reintegracionismo”…

E ainda poderíamos ir mais longe neste nosso amor do pequeno. Alguém já sugeriu, no Portal Galego da Língua, “movimento integracionista”.

Porque não, simplesmente, “INTEGRANTE”?

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