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Refrescar a gorja, e a língua

Eduardo Maragoto – A ideia nom é original, existindo projectos semelhantes um pouco por todo o mundo. Estám inspirados na fenomenal expansom da Mecca-Cola, um refrigerante que causou e causa furor nos países árabes, nomeadamente no Oriente Médio.

De forma paralela, este novo produto de selo exclusivamente galaico pretenderia socavar a imagem da Pepsi e da Coca-Cola, símbolos do modelo de consumo americano, contribuindo ainda para o financiamento de umha causa justa; neste caso, a promoçom da língua.

Um reduzido grupo de pessoas acabou de pôr em andamento a associaçom cultural Fontaira com o objectivo de gerar este novo produto em garrafas plásticas de 33 centilitros e meio litro. Contam com recursos suficientes para começar a distribuí-la em Agosto; a partir daí, reconhecem, o futuro do projecto dependerá do sucesso do próprio produto, de nome Galicola.

A marca lembra a superconhecida Mecca-Cola, um produto que chegou a distribuir-se no Estado espanhol através de umha ONG de solidariedade com Cuba, a Haydé Santamaría. Esta associaçom deixaria mais tarde a distribuiçom, que começava a desfrutar de certo mercado no mundo alternativo, segundo a imprensa empresarial por nom ter suportado a pressom dos meios que a relacionavam com a resistência árabe, ao ter aparecido de modo casual na instruçom do 11-M.

Porém, à diferença daquela, que só reserva umha parte do ganho a associaçons humanitárias que trabalham nos territórios palestinianos ocupados, a Galicola vai destinar todo o lucro à língua do país, que, segundo nos explica um dos promotores, está especialmente necessitada nestes momentos: «No movimento normalizador existem muitos projectos e muita mais gente a trabalhar da que havia há dez anos. Toda essa gente tem muitas ideias, mas a falta de dinheiro acaba por ser o pretexto para nom as levar adiante. Nom queremos que o dinheiro seja umha razom para nom avançar.»

Nom é umha empresa

A importáncia desta ideia que os criadores da Galicola querem transmitir é tal que figura em primeiro lugar entre os pontos incluídos nos princípios fundacionais. Traduzido, isto quer dizer que ninguém vai lucrar com o novo refresco, e todo o ganho (o que restar depois do pagamento dos custos de fabricaçom, distribuiçom e salários) será destinado ao movimento normalizador.

A vocaçom normalizadora da Galicola reflecte-se em que 5% de cada venda irá parar a um Fundo polo Galego, intocável, estejam como estiverem as contas gerais da Galicola. Desta maneira, «qualquer pessoa terá a certeza de que umha parte do que paga polo refresco acabará a financiar um festival, um meio de comunicaçom, umha associaçom polo idioma, umha escola monolíngüe, um centro social, umha campanha de sensibilizaçom…»

A forma de tornar possível esta colaboraçom será o Concurso Ángelo Casal (em homenagem a um mecenas da língua fusilado polo franquismo), que esvaziará, cada 17 de Maio, o Fundo polo Galego. Qualquer entidade sem ánimo de lucro que nom tenha ganho a anterior ediçom poderá apresentar umha única candidatura que defenda ora a sua actividade pró-normalizadora em termos globais ora umha actividade concreta em prol do idioma.

O destino que cada colectivo dará ao dinheiro recebido também será publicado com antecedência na página web da Galicola, para ser consultado por eventuais votantes ou participantes no concurso. A normativa (a etiquetagem fará-se em reintegrado) nom será um problema para participar, desde que as candidaturas sejam entregues dentro do prazo (entre Setembro e Dezembro).

 

Imagem de umha garrafa de Galicola
[prime aqui para ampliá-la]


Quanto mais beberes, mais votas

Assim que sejam publicadas as candidaturas participates na página web (em Janeiro), começa a votaçom, intimamente ligada ao consumo do produto entre Janeiro e Maio. A etiqueta de cada garrafa poderá tornar-se num voto se a pessoa consumidora assim o desejar e as vezes que desejar, podendo enviá-las por correio postal ou introduzi-las em urnas instaladas em centros sociais e bares de todo o país. Assim, até o 17 de Maio, a data em que os votos serám contados e o dinheiro do Fundo polo Galego será distribuído entre os dous projectos mais apoiados.

«Nom bebas de forma idiota, bebe de forma voluntária»

Este é o slogan que aparece nos produtos Mecca-Cola, que vende dous milhons de garrafas mensais em 60 países. O seu criador, de origem tunesino, explica assim a política de vendas: «Consumir o nosso produto é um acto de protesto contra o imperialismo americano. Qualquer pessoa que compre umha garrafa de Mecca-Cola está a realizar um acto de protesto contra a política americana e contra os crimes do sionismo».

A marca, que já foi criticada por alguns islamistas por banalizar o nome da cidade santa e por combater o poder das multinacionais criando outra igual, é líder no Oriente Médio, tendo chegado a inspirar um refrigerante semelhante no Reino Unido (a Qibla Cola). No entanto, a marca precursora deste género de produtos provém do Irám, a Zam Zam Cola, que conta com 16 fábricas e chegou a ter um grande sucesso na Arábia Saudita polo seu compromisso com o mundo mussulmano.


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