PGL – O dia 8 de março terá celebração especial no IES de Monterroso. A cantora Pilocha interpretará A Armada da Ribeira, com música dela e letra de Adela Figueroa, colaboradora do Portal Galego da Língua.
Ainda, Celsa Sánchez mostrará a sua pintura de temática feminina, nomeadamente a dedicada as mariscadoras, também sob o título A Armada da Ribeira.
O estudantado do liceu comentará as poesias e relatos acerca das mulheres que reproduzimos abaixo, alguns inéditos como Matei-a por que era minha.
A Armada da Ribeira
Adela Figueroa
(Dedicado ás sacrificadas mariscadoras das rias da Galiza)
Amanhã quando cantes na ribeira
Como adoitas fazer nas alvoradas
Pressentirei na tua alma atormentada
O brincar do lume na lareira.
Porque as chamas ardentes vão aquecendo
Os corações das mulheres mergulhadas
Nas areias pretas, as pernas sempre molhadas
Na friagem dos lameiros de fétidos recendos.
Multicolor exército de dobrado lombo
Na procura da vida agachada nas areias
Apresada nos “croques” como bombos.
Darás gosto manhã a paladares exigentes
Ignorantes e cegos de tantas pernas
E de pés amolecidos no salseiro das correntes
As três rosas do Minho
Adela Figueroa Panisse
( Em lembrança das mulheres que pairam nas ruas da Tineria)
Todas três eram doces rosas
Nascidas da mesma roseira.
Sem espinhas das silveiras
Nem do mundo temerosas.
Rosinhas de flores brancas ,
Vermelhas, amarelas, ou pretas,
Que vedes as vossas pétalas,
Murchar no triste renger das trancas
Insensíveis, a fechar portas e janelas.
Borboletas, de asas rotas
Todas três, eram doces rosas.
No Portão da triste casa
O vosso espírito assoma
Ansioso, irrequieto e destemido
Antes de intuir, ignorante
os maus ares que assombram,
nos caminhos das vergonhas.
Todas três eram doces rosas,
Flores do nascer do dia.
Rosinhas, cravos e gomos
Das silveiras dos caminhos
O vento seco da vida
Há-vos de murchar as cores.
Todas três foram doces rosas
Matei-a por que era minha
Adela Figueroa Panisse
Matei-a por que era minha
Mais ela não o sabia
Minha amiga.
Ao rio das águas bravas
Fui por ver a belida
Meninha, mais ela não vinha
Minha amiga.
No rio das águas vivas
Ela onda mim não chegava
E eu penava
No rio das águas bravas.
E eu em pânico crescia
Ao pé da fonte belida.
E eu cuidava do ela estava
Minha amiga.
Ao pé da fonte lavada.
Minha amiga não chegava
E coitado eu esperava e pensava
Onde ela estaria
mia amiga a belida.
E eu cuidava que com outro estava
E de mim riso faziam e me burlavam
Em quanto me traiçoavam
Ainda, eu cuidava
Que ela o amava.
E ciúmes fortes eu tinha
E grandes tormentos queimavam
Minha entranha.
E eu em raiva penava
E cuidava
Que a meninha formosa era minha
Mais noutros braços estava
Todavia.
Com outro amor a belida
Gozava
E falava
E era grande alegria
Que ambos os dois traziam.
E eu de genreira
Ruivo da face
Cego dos olhos ia.
Na i-alma raiva viva.
Pela beirinha do rio
A minha amiga cantava
E onda mim caminhava
Em alegria.
E a belida não cuidava
A raiva que, duramente,
No meu coração doente
Eu alimentara.
E minha amiga cantava
E flores do rio cortava
Na fonte belida.
E minha faca afiada
Vermelhas flores fazia
No verde leito de ervas
Em que a minha amiga
Inocente para sempre
Dormia .
Pois eu cuidava que era minha
Mais ela não o sabia.
Bela
Adela Figueroa
Vê-la aí está a formosa dama,já não donzela
Bela, a aguardar
na porta deste Bar ,
algum homem a deixar
para ela , umas moedas.
Amor é o que Bela vende
e amor é prenda que se compra
na rua da mísera Cidade Velha,
outrora lar de aristocratas e patéticos fidalgos arruinados.
Vê-la aí a velha moça, a Bela
na Cidade Velha.
Nada fica,já, da antiga linhagem entre os muros milenários
da bimilenária Cidade :
Apenas miséria e mulheres
da rua, a venderem, por horas e serviços, um amor contratado.
Grei multirracial e multilíngüe
igual nos arrabaldes da cidade
que nos conselhos de administração
das grandes multinacionais,
são numerosas as línguas utilizadas:
Francês, russo ou chinês,
grego italiano ,ou castelhano.
Todos foram igualmente falados.
Embora as trabalhadoras do amor
não tenham assistido á nenhuma
Escola Oficial de Idiomas
nem a qualquer Universidade ,
com ou sem Plano de Bolonha.
Trabalham por horas e por serviço
sem guarda chuvas ou camisinha
que as proteja
das inclemências do tempo, das pessoas ou das presas.
Nem segurança social, ou convênios coletivos
contam entre seus benefícios.
Sim, no entanto, exercem a “free lance”
sob o manto protetor de algum chulo
que lhes há sugar o sangue.
Amor, amor , amor !!
doce e imprevisível sentimento,
rude lamento,
Quem diz que o amor não tenha preço?
