Deve uma academia condicionar os seus critérios aos «usos» escritos, mesmo sendo incorretos? Deve-os condicionar, também, a supostas facilidades para a aprendizagem? Estas duas perguntas pairam sobre a insólita resposta que a Real Academia Galega (RAG) deu a umha consulente. Segundo se expom no blogue Madeira de Uz, umha cidadã contatou a entidade académica perguntado polas razons que levaram a RAG a substituir a forma «estudioso» pola criaçom *estudoso, inexistente em galego-português.
Do Seminário de Lexicografia da RAG afirmam que se decidiu «dar prioridade» à forma *estudoso para manter «unida» toda a família de derivados estudar-estudo-estudoso, o qual «facilita a aprendizagem», mesmo apesar de que isso signifique umha notável alteraçom da morfologia do galego. Um outro argumento da Real Academia é o facto de *estudoso ser umha forma que se vinha «observando nos usos escritos desde há tempo», numha «tendência à regularizaçom».
O responsável do blogue nom oculta, em declaraçons para o PGL, a sua «indignaçom» polos argumentos «social e filologicamente deploráveis» da entidade académica. «Em primeiro lugar», afirma, «a suposta regularizaçom fica quebrada quando ao mesmo tempo que proscreve estudioso, a RAG aceita a dualidade entre estúdio (oficina ou local de gravaçom) e estudo (investigaçom ou açom de estudar)». Além do mais, «se a regularizaçom para facilitar a aprendizagem é um critério, também devera proceder à regularizaçom doutras séries», e coloca como exemplo (em grafia ILG-RAG) as séries seita-sectario-sectarismo, que se converteriam em seita-seitario-seitarismo, ou estender-extenso-extensión, que seriam estender-estenso-estensión.
Apesar de que a resposta do Seminário de Lexicografia «nom representa um ditame nem umha decisom formal da Real Academia Galega» (como se indica no pé da resposta à consulente), o blogueiro lamenta que «o dano já está feito». Contudo, nom perde o humor: «deve ser a primeira vez que a RAG suprime como forma válida uma forma galega que era comum à Lusofonia (estudioso), com tanta aproximaçom às teses reintegracionistas já começava a pensar que triunfávamos».
