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“Capitães da Areia”, resenha de Carmen Villarino

Carmen Villarino Pardo – A cidade de Salvador da Bahia é o cenário em que situa Jorge Amado, neste texto de 1937, as histórias de um grupo de crianças órfãs (quase adolescentes) que moram num trapiche abandonado. Algozes para os habitantes da cidade que vêem neles a atividade criminosa que os comentários alimentam; são, nas histórias individuais que se tecem ao longo da narrativa, vítimas também eles de uma sociedade em que as diferenças de classe são grandes e parecem insuperáveis.

O grupo liderado por Pedro Bala tem normas de convivência que mostram atitudes de quem teve que amadurecer rápido para sobreviver numa sociedade de adultos, que não atende marginais como eles. Afinal, um romance em que a defesa de ideais sociais parece ser mais importante que a responsabilidade dos furtos ou estupros de caráter individual. Nessa(s) viagem(ns) iniciática(s) os ‘Capitães da areia’ também são tratados mais como heróis do que como ladrões numa cidade em que são mais temidos que conhecidos.

Esta visão do romance, mostrando a vida e os ideais dos oprimidos, parece ter sido um dos motivos pelos quais as autoridades do Estado Novo teriam proibido a circulação deste e de outros romances de J. Amado que, no entanto, o levaram a ter uma grande repercussão em países do Leste europeu, e não só, e a ganhar um número importante de traduções, assim como adaptações para teatro e cinema.

 

 

Carmen Villarino Pardo é professora de Literatura Brasileira na USC membro do Grupo Gálabra e Secretária Geral da Associação Internacional de Lusitanistas.

 

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