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Problemática educativa das crianças de países em guerra no filme “As tartarguas também voam”

José Paz Rodrigues (*) – De 24 a 30 de outubro celebra-se a Semana a favor do desarmamento. As Nações Unidas tomaram a decisão de celebrá-la no ano de 1978, programando um modelo de atividades para levar a cabo durante a semana. Os Estados membros foram convidados a expor o perigo da corrida aos armamentos no mundo, propagar a necessidade de cortar essa corrida e incrementar o entendimento público para poder conseguir o desarmamento.

Não só os Estados, também nós podemos pensar quais são as nossas armas, como as usamos e como podemos substituí-las por armas de paz. Pelo menos podemos tomar consciência do que as armas provocam. E começaremos a usar as nossas mãos, mente e coração como armas de paz. Para que o dinheiro se dedique à educação e não à destruição. Em abril de 1989, o diretor geral da Unesco, Federico Mayor Zaragoza, comentou que se gastava setenta vezes mais em armas que em educação. E ele sabia o que dizia, dada a responsabilidade que ocupava. É preciso que triunfe a vida e não a morte. Para viver e viver em paz.

A armazenagem de armas nucleares já não produz segurança, senão que aumenta o perigo constante de destruição. Num mundo em que em muitos lugares há tanta fame e miséria, é demencial encontrar que cada soldado (incluindo as suas armas e apoio logístico) custa a cada contribuinte da Terra e do mundo desenvolvido mais de seis mil quinhentos euros. No mundo há um soldado por cada 43 cidadãos e um médico por cada mil. As despesas militares representam mais de 6 % do PIB nos países desenvolvidos, que só dedicam a ajudar aos pobres 0,3 % do mesmo. Só as forças aéreas do país mais nefasto da Terra neste tema que são os EUA, têm um orçamento superior ao custo total da educação para as crianças de África, Ásia e da América Latina. Também é muito grave que os países do denominado “Terceiro mundo”, com tanta pobreza, desde 1960 multiplicassem por seis as suas despesas militares. A maioria dos Estados gastam mais em defender-se de possíveis ataques militares que em assegurar a saúde dos seus cidadãos. As potências nucleares possuem bombas suficientes para matar cinquenta e oito mil milhões de pessoas, quer dizer, doze vezes a atual povoação da Terra. E, no entanto, continuam a fabricar três bombas por dia. O caso da Rússia também é um modelo de contrassenso, gasta mais de duas vezes na sua defesa militar, do que nos seus programas educativos e para a saúde. Hoje calcula-se que no mundo existem uns 125 mil tanques de guerra, que como as outras armas, não se fabricam para expor num museu macabro, uns 14 mil navios bélicos e quase 40 mil aviões de combate. A cada habitante correspondem-nos umas quatro toneladas de TNT. Uma família, fazendo a média mundial, paga mais impostos para sustentar a corrida mundial armamentística do que para educar os seus filhos. Em dous dias, os governos do mundo gastam nas suas forças armadas nacionais tanto como no esforço cooperativo de todo um ano, por meio das Nações Unidas, para o fomento da paz mundial, a solução dos problemas do desemprego, na energia, na saúde e os demais problemas sociais que são compartilhados universalmente. Os países do “Terceiro mundo”, apesar de tantos problemas de escassez de alimentos pelos que passam, empregam cinco vezes mais de divisas na importação de armas do que em maquinaria agrícola.

A moderna tecnologia fez possível poder mandar uma bomba a qualquer parte do mundo em poucos minutos, embora as mulheres das zonas rurais de África e Ásia ainda tenham que caminhar várias horas ao dia para abastecer de água às suas famílias. Perto de duzentas e cinquenta mil crianças, todas menores de quinze anos, utilizam armas no mundo alistadas em exércitos e grupos de diferentes caraterísticas militares, segundo expõe um relatório apresentado no seu momento na ONU pelo Comitê Consultivo Mundial da Sociedade de Amigos. Em muitos países do mundo, onde continuam abertos conflitos bélicos, visíveis ou congelados e latentes, são infinidade as crianças que estão a sofrer profundamente uma infame situação. Muitas crianças só conhecem a guerra, os bombardeios, a fame, as violações de todo o tipo, as armas e os crimes. Não sabem o que é viver em paz, chegando a pensar que a vida real é a que “disfrutam”. Os problemas educativos nestas situações são imensos, não só por falta de aulas e escolas, também pelos problemas psicológicos da violência bélica nas mentes das crianças. Todos os muito graves problemas criados pelo armamento e as guerras anteriormente citados, são terríveis. Embora ainda seja mais terrível a convivência de crianças com a guerra que se dá nos territórios onde malvivem, no meio de armas, campos minados, tanques e soldados, e a sua violência quotidiana. Em décadas anteriores foi o Vietnam, a Coreia, o Congo, a América Central, o Chile… E sempre detrás de todas as infâmias os EUA. Mais tarde o Iraque, o Afeganistão (ainda hoje) e países árabes e africanos como a Líbia, o Líbano, a Somália, e a Síria mais recente. Sem esquecer esse povo que tanto tempo leva a sofrer como é o povo curdo. Em todos os casos estas guerras foram terríveis para todos os povos que as sofreram, embora muito mais para os mais indefensos, as mulheres e especialmente as crianças.

Para sensibilizar sobre este tão importante tema os docentes, pais e mães, escolhi desta vez para o meu comentário um filme muito premiado e bastante recente, intitulado “As tartarugas também voam”, realizado em 2004 pelo curdo-iraniano Bahman Ghobadi.

 

Ficha técnica do filme:

Título original: Lakposhtha Hâm Parvaz Mikonand (As tartarugas também voam).

Diretor: Bahman Ghobadi ( Irão-França-Iraque, 2004, Cores, 98 min.).

Roteiro: Bahman Ghobadi. Montagem: Moustafa Khergheh Poosh e Hayedeh Safi Yari.

Fotografia: Shahryar Assadi. Música: Hossein Ali Zadeh.

Atores: Avaz Latif (Agrin), Soran Ebrahim (Kak/Satellite), Hiresh Feysal Rahman (Hangao), Saddam Hossein Feysal (Pasheo), Abdol Rahman Karim (Rega), Ajil Zibari (Shirko).

Prémios: Concha de Ouro no Festival de Donóstia (2004). Ganhou também o Prémio da Paz no Festival de Berlim (2005), o Prémio do Público no Festival de Roterdão e o Golfinho de Ouro no Festróia (2005).

Argumento: Numa aldeia do Curdistão iraquiano, na fronteira entre o Irão e a Turquia, os habitantes procuram desesperadamente uma antena parabólica para se manterem atualizados em relação à iminente invasão americana do Iraque. Um rapaz mutilado chega à aldeia com a irmã mais nova e o seu filho e pressente a guerra cada vez mais perto. Satellite é um carismático jovem de 13 anos que vive num campo de refugiados Curdos, na fronteira entre a Turquia e o Iraque. A sua alcunha deriva do seu talento na instalação de antenas de televisão. Satellite é uma figura paternal para as restantes crianças do campo, supervisionando o seu trabalho na recolha de minas terrestres cuja venda garante o dinheiro para a sua difícil sobrevivência. As capacidades de Satellite e os seus parcos conhecimentos de inglês são valorizados por toda a aldeia que anseia por notícias da iminente invasão do Iraque pelas tropas de George W. Bush. Satellite ouve falar de um rapaz capaz de prever o futuro, e é então que conhece Hengov, um rapaz sem braços que viaja com a sua bonita irmã Agrin e o seu irmão mais novo Riga. São estas as personagens do filme, crianças e adolescentes que parecem envelhecer perante os nossos olhos, vivendo quotidianamente uma trágica realidade, numa sociedade forçada por circunstâncias extremas, como símbolo da experiência de todos os refugiados, paralisados e, simultaneamente, impelidos pelos mesmo desespero. A excessiva atividade de Satellite parece ser aquilo que o protege de refletir sobre a sua própria vida. Durante anos os Curdos lutaram com a Turquia, o Iraque, o Irão e a Síria no sentido de definirem uma nação que todos os outros estados se recusam a reconhecer. Aqui, esperam ansiosamente pela chegada dos americanos e pela queda de Saddam Hussein, mas é bem possível que o seu futuro esteja fora do seu alcance. Perante a incerteza do seu destino, desenham-se dous caminhos. Ao otimismo irredutível de Satellite (representado pela colorida bicicleta que o acompanha), marcado pela coragem e por uma estranha sabedoria, opõe-se a alma ferida, atormentada e agonizante de Agrin.

O diretor, ele próprio Curdo-Iraniano, utiliza imagens duras e cruas ao colocar caras na abstração de que ouvimos falar de longe, mas em nenhum momento o seu intuito é chocar ou explorar o sofrimento humano. Neste retrato de miséria humana, onde a beleza e o horror se misturam de uma forma perturbante, não há lugar para a autocomiseração. Ghobadi tem também o talento de encontrar humor no meio da desolação, tirando todo o partido da espontaneidade, autenticidade e força de um conjunto de atores não-profissinais, muitos dos quais reais refugiados e alguns deles com os corpos mutilados por minas terrestres. Outro dos méritos do realizador é ter conseguido evitar uma abordagem política. Mas o sentimento final de desilusão não deixa de fazer pensar na utilização que os EUA fazem de quem lhes convém, para depois os largarem à sua sorte quando a sua utilidade termina. Entre sofrimentos e profecias, a salvação deste inferno não é uma questão de fé. Nesta parte do mundo ainda não é possível um final feliz.

 

Valor da escolarização de crianças em zonas de conflito armado:

Segundo um relatório da “Save the Children” (“Protege as Crianças”), a escolarização dos nenos e nenas é um fator fundamental para a resolução de conflitos e o bem-estar das sociedades e, no entanto, uns 120 milhões de crianças não assistem à escola primária, 20 % da povoação mundial em idade escolar. Deles, 43 milhões vivem em países em conflito, o que complica enormemente o seu acesso a uma educação adequada. Na República do Congo, uns 5 milhões de crianças entre 6 e 11 anos não vão à escola e mais de 6 milhões de entre 12 e 17 anos nunca foram escolarizados. Na conflituosa região de Darfur, no norte do Sudão, só 39 % das crianças em idade de educação primária está escolarizado, percentagem que desce até 20 % se se tratar de meninas.

Desde 1990, 80 % das vítimas civis de guerras foram mulheres e crianças. Dous milhões de crianças foram assassinados em conflitos armados durante as últimas décadas, seis milhões resultaram feridos e outros vinte milhões tiveram que abandoar os seus lares. No ano 2000, os líderes mundiais comprometeram-se a conseguir a escolarização de todas as crianças do mundo até o ano de 2015, como parte dos denominados “Objetivos do Milénio”. Contudo, “inclusive mantendo os compromissos atuais, dito objetivo não poderá alcançar-se para todas aquelas crianças cujas vidas se viram destroçadas como consequências de conflitos bélicos”. As escolas não só oferecem um futuro, uma educação, como também representam um recanto onde sentir-se crianças, onde esquecer por uns momentos a guerra. Daí a importância de incluir a educação como uma parte fundamental da ajuda de emergência em qualquer crise humanitária. A duração média dos conflitos é de dez anos, período durante o que deixam de ir à escola, expondo-se mais aos abusos.

Uma das primeiras consequências de uma guerra é o corte drástico ou a eliminação do orçamento para educação. As escolas são tomadas pelos bandos contendentes ou diretamente destruídas, como aconteceu na Libéria, onde a guerra civil converteu em ruinas 80 % dos estabelecimentos educativos do país. As famílias deslocadas, os refugiados normalmente são colocados em alojamentos temporários onde habitualmente não têm acesso a nenhum centro educativo. Uma criança sem educação é mais vulnerável ao contágio de doenças e a ser vítimas das minas antipessoais ou o recrutamento. Ademais, a formação é o único modo de romper o círculo da pobreza, pois cada ano de escolarização representa um incremento médio dos salários de 10 %. Por último, a educação é um meio fundamental de promoção da paz, pois fomenta a solução pacífica de conflitos, a tolerância, o respeito pelos Direitos Humanos e o espírito cidadão.

A corrida armamentística priva a humanidade de enormes recursos financeiros e humanos. Os objetivos finais para a construção dum mundo “melhor” e uma nova Ordem Económica Internacional devem ser: a) Eliminar a ameaça das futuras guerras devastadoras, a ameaça de extinção da civilização humana tal como agora a conhecemos. b) Atribuir os recursos que agora se destinam a fins militares a propósitos pacíficos, construtivos e de desenvolvimento, no espírito de solidariedade internacional. c) Organizar fortes campanhas contra o comércio de armas em todo o mundo e contra as máfias que movem este comércio tão vil. d) Educar para a paz em todas as escolas: A simples proibição de determinadas armas, a não proliferação das mesmas, os acordos bilaterais ou multilaterais de não-agressão, os pactos e alianças defensivas, serviram de pouco através da história para evitar as guerras. Tão-pouco vão servir de muito daqui para a frente, se não se iniciar uma verdadeira educação para a paz. O antigo adágio “se queres a paz, prepara a guerra” fortaleceu uma atitude armamentística que ao longo da história só serviu para a prevalência do mais forte sobre os débeis, mas não para evitar as guerras. É nas nossas mentes e nos nossos corações onde a ideia da paz devem enraizar-se, sabendo que todo o conflito pode e deve ser solucionado com o diálogo e a negociação. As guerras podem evitar-se com tal de que estejamos livres dos sentimentos que nos levam a elas: o afão de domínio ou o medo a ser dominados. A educação para a paz passa por atitudes pacíficas que, desde a infância, hão de ir fortalecendo-se nas situações conflituosas que se nos apresentam. Se queremos a paz, temos de trabalhar pela paz. E trabalhar pela paz significa trabalhar desde o amor pela verdade, a justiça e a liberdade.

O ano 1986, declarado pela ONU como “Ano Internacional da Paz”, teve muito pouco de pacífico. Num relatório publicado por aquelas datas assinala-se que em tal ano teve lugar a mais destruidora das guerras, a do Irão-Iraque, que contou com a participação dos EUA e da Rússia, fornecedores de armas aos contendentes, protegendo ademais os transportes de petróleo pelo Golfo Pérsico. Os conflitos bélicos afetaram em 1986 mais de cinco milhões de combatentes de 41 nações, embora o material de guerra proviesse de mais países. Entre 4 e 5 milhões de pessoas faleceram com motivo destas guerras, segundo o Instituto Internacional de Investigações para a Paz (SIPRI). Os maiores exportadores de armas, neste período, foram os EUA (sempre este infame país envolvido com as guerras no mundo e com a máfia das armas), com 33 %; a Rússia com quase 32 % e a França com 13,5 %. Cinco nações do “Terceiro Mundo” absorveram metade das armas vendidas: o Iraque, o Egipto, a Índia, a Síria e a Arábia Saudita.

Também Espanha, nos últimos tempos, teve um crescimento espetacular das exportações de armas. Desde quase nada, passou a ocupar o oitavo lugar entre os vendedores mundiais. No período 1980-87 vendeu armas num valor superior a três [mil] milhões e quinhentos mil euros. Nas suas três quartas partes, essas armas tiveram como destino o Oriente Médio, o Magreb e a América Latina. Na atualidade o negócio da guerra representa quase 3 % das exportações espanholas.

 

 

As crianças e a guerra segundo o diretor do filme:

Pelo belas e profundas que são, coloco a seguir as palavras do realizador deste filme: “Vi muitas atrocidades na vida da gente, e especialmente na das crianças, que são sempre as primeiras vítimas e das que ninguém se ocupava. Eu queria fazer um filme contra a guerra. De regresso ao Irão, ao rever o material fílmico, decidi voltar e realizar um filme em que aparecesse tudo o que me tinha alterado: campos minados, crianças mutiladas, gente perdida, a insegurança… Então voltei e fui viver com as crianças para sentir-me mais perto delas. Na minha primeira longa-metragem as crianças pobres eram os principais protagonistas e voltar a centrar-me neste caso nelas não foi algo premeditado: tinha desejos de realizar um filme urbano sobre o meu passado, mas quando fui a Bagdad duas semanas depois do início da guerra dos EUA contra o Iraque, para a estreia de um meu filme, vi muitas atrocidades na vida da gente, e especialmente na das crianças, vítimas invisíveis para quase todos. O caso dum rapaz mutilado comoveu-me. Eu queria fazer um filme contra a guerra. Então voltei e tentei reconstruir as experiências pelas que as crianças tinham passado”.

O diretor continua a falar agora sobre o seu filme: “No meu filme o trabalho das crianças consiste em encontrar minas antipessoais para depois as vender porque, embora não saiba desde quando o Curdistão está minado, tanto minha avó como minha mãe me contaram histórias de minas deste tipo e dos que foram as suas vítimas. Desde que se inventaram, o Curdistão foi e continua a ser um dos países mais afetados por elas. Os fabricantes norte-americanos e europeus venderam a vários ditadores e outros, que as disseminaram por todo o país. Acho que vai levar muito tempo para retirá-las. Cada dia, cada hora, há pessoas inocentes que falecem ou ficam mutiladas por elas. Inclusive há famílias no meu país que batizam as suas filhas recém-nascidas com o nome de “Mina”. No meu filme todas as personagens procuram informação via satélite sobre a guerra que começa, embora não entendam o idioma e as imagens mostradas na TV vão contra as suas crenças, mas afinal a informação chega-lhes através das predições do rapaz protagonista mutilado. Isto deve-se a que, na minha opinião, os canais da TV pertencem a grupos de interesses que consideram os cidadãos do mundo como simples figurantes ou fantoches. Eles, com os seus canais e as suas guerras, usam-nos como brinquedos e impõem-nos a sua guerra suja para ganhar mais dinheiro. Dada a situação em que se encontra a nossa região e as suas repercussões em todo o mundo, eu ponho em dúvida qualquer forma de informação, inclusive a da imprensa escrita”.



Temas para refletir e elaborar:

Depois de ver o filme, utilizando a técnica de dinâmica de grupos do “cinema-fórum”, debater sobre os aspetos fílmicos do mesmo, o roteiro e a linguagem cinematográfica utilizada pelo realizador curdo-iraniano. Fazer o mesmo sobre a realidade trágica em que vivem as crianças que aparecem no filme, as possíveis causas da sua triste situação, a falta de escolas e educação, o crime das minas antipessoais e mesmo a tristíssima história do povo curdo, sem estado e sem nação, com território enquadrado em três países diferentes. Refletir também sobre o que a comunidade internacional teria que fazer para ajudar este povo e para ajudar as crianças que só conhecem a guerra e as desgraças da mesma.

Procurando informação em livros especializados e também na Internet, elaborar uma monografia sobre os territórios no mundo que estão em conflito bélico. Poderia também organizar-se nos estabelecimentos de ensino uma mostra ao redor do tema, incluindo na mesma fotografias, mapas, textos e desenhos dos alunos, poemas, canções, livros, revistas, retalhos de imprensa, murais coletivos, autocolantes, cartazes, selos de correios, etc. Tudo para sensibilizar sobre o importante que é ajudar as crianças de países em guerra. Poderia colaborar na mesma a ONG “Mãos Unidas”, que conta com boletins, documentos e materiais sobre o particular.

Levar a cabo nos estabelecimentos de ensino um Plano de Atividades Educativas ao redor do que no filme se denuncia: a) Procurar alternativas e redigi-las, embora só possam ser teóricas, para enfrentar os problemas que aparecem no filme e a escalada contínua na construção, venda e uso de armas. b) “Imagina que há guerra e que não vais”, diziam os pacifistas nos seus cartazes. Imaginá-lo e que os alunos escrevam um diário ou relato que expresse a experiência imaginada, os possíveis êxitos, como se se tivesse dado na realidade. c) Elaborar um decálogo da “verdadeira educação para a paz”, em que os estudantes reflitam atitudes pacíficas concretas. Também um hipotético discurso a pronunciar na sede da ONU. d) Converter por meio do desenho uma arma (tanque, canhão, acoiraçado, pistola, míssil, espada, trabuco, etc.) num instrumento de paz, fazendo transformações sucessivas e associações inusuais da sua forma ou funcionamento.

 

 

(*) Académico da AGLP, Didata e Pedagogo Tagoreano.

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