PGL – O blogue da bióloga Mercè Piqueras informa da recente estadia do professor de Física Aplicada da USC, o galego Jorge Mira, no Institut d’Estudis Catalans onde dissertou o dia 8 de abril sobre a possibilidade de predizer a estabilidade de várias línguas que convivem no mesmo território.
Polo seu interesse, a seguir traduzimos o conteúdo do artigo, ligeiramente adaptado.
Pode-se predizer o futuro de umha língua que convive com umha noutra no mesmo território? Servem as matemáticas para analisar a evoluçom? É certo, como dizem alguns lingüistas, que umha das duas línguas acabará por desaparecer do território no qual convivvem? Disto falou no Institut d’Estudis Catalans Jorge Mira, professor de Física Aplicada da USC.
Mira, além de se dedicar profissionalmente à física, de dirigir um ambicioso programa de divulgaçom (ConCiencia), de se entreter com os seus colegas de Mensa e de praticar desportos, tem umha grande preocupaçom pola sua língua, o galego. Apesar de nom ser sociolingüista —nem sequer lingüista, sem o «socio-»—, fizo estudos sobre o futuro que espera ao galego.
O professor tomou como base um estudo de dous pesquisadores da Universidade de Cornell (Daniel M. Abrams e Steven H. Strogatz) publicado na revista Nature em 2003, e que descrevia um modelo matemático da dinámica que segue a extinçom de umha língua. Este estudo detinha-se em mais de trinta línguas, entre elas, o gaélico escocês em Sutherland, o quíchua em Huanuco (Peru), o galês em Mommouthshire e o galês no conjunto do país de Gales.
O professor Mira com um seu colega analisou a evoluçom do galego desde 1875 até 1975. Com dados estatísticos da Real Academia Galega realizárom umha gráfica:
Figura 1. do artigo Interlinguistic similarity and language dynamics [PDF]
A evoluçom foi diferente segundo o período. Se bem baixou bastante o número de pessoas que só falavam galego, o bilinguismo aumentou muito. De qualquer modo, se a curva continuasse segundo a tendência que se vê na figura, o galego acabaria por se extinguir. Na Galiza há um factor que seria preciso introduzir no modelo matemático: a semelhança entre as duas línguas. Outros factores a considerar seriam o estatuto de cada língua e o número de pessoas que as falam.
Que se pode fazer para modificar as predições de extinçom de umha língua e evitar o seu desaparecimento? O professor Mira diz que se podem modificar as regras de jogo. Na Galiza há gente que acha que, para evitar que o galego acabe por se diluir no castelhano, teria de se aproximar de novo ao português. De facto, na Galiza há umha corrente lusista que propugna esta uniom. É um pouco o que dizia a pintada que o professor Mira vira em Santiago há uns meses, com umha frase de Ricardo Carvalho Calero.
Mural dedicado à Carvalho Calero realizado pola Gentalha do Pichel
+ Ligações relacionadas:
- Leia o artigo Models per predir la mort d’una llengua [em catalám]
- Artigo de J. Mira e Á. Paredes Interlinguistic similarity and language dynamics [em inglês, formato PDF]


