Nationália.cat – O Turquistám Oriental, ou Regiom Autónoma de Xianjiang Uigur, é um enorme território centro-asiático, administrado pola República Popular da China e situado entre o Tibete, a Índia, Kazajstám, Kirguistám, Tajikistám, Afganistám, Pakistám, Rússia e Mongólia, seguindo a direcçom dos ponteiros do relógio.
Que na República Popular da China haja umha diversidade abrumadora de ‘minorias’ étnicas é umha obviedade que nem o Pequim nega. Que estas comunidades, nalgumhas partes da República formem umha realidade bastante diferente como para erigir-se em país com carácter e vontade próprias é umha questom que a Administraçom comunista nom está tam disposta a aceitar. Tem muito a ver que, nestes territórios, as minorias étnicas já nom sejam isso, minorias, mas comunidades dominantes. Este é o caso do Turquistám Oriental.
Esta terra foi historicamente habitada polos uigures, um povo turco da Ásia central, de religiom musulmana suní e língua turca.
A presença dos uigures no Turquistám Oriental data aproximadamente do século VIII, depois de deslocarem-se desde Mongólia. Os uigures dominárom, junto a outros povos turcos, o território que conhecemos como o Turquistám , até que, no século XIII, dous territórios orientais caírom sob o domínio de Gengis Khan e, quatro séculos depois, sob o governo do Império manchú. Os uigures lográrom desfazer-se do jugo chino nalguns períodos de tempo, como entre 1864 e 1877, mas o seu destino ficaria mais ligado a Pequim ao converter-se na província chinesa de Xinjiang no ano 1884. Durante a época republicana, desde 1911, e comunista, depois de 1949, o controlo da China sobre o Turquistám Oriental foi variável mas continuado, exceptuando episódios concretos como a declaraçom da República do Turquistám Oriental, em 1933, e da Segunda República do Turquistám Oriental, entre 1944 e 1949.
Durante todos estes séculos, e apesar dos vários status políticos, a hegemonia demográfica uigur do Turquistám Oriental foi inegável. Isto começou a mudar aproximadamente na mesma época em que lhe foi concedido ao território o título de regiom autónoma, em 1955. Pequim claramente optou pola assimilaçom da cultura, língua e religiom na maioria do Turquistám Oriental, a uigur muçulmana, e substitui-las pola hegemónica chinesa. Isto fizo que, em questom de seis décadas, a populaçom da etnia han passe de ser o 6 por cento em 1949 a ser mais do 40 por cento em 2004, muito perto do 45 por cento de uigures e amplamente por cima de kazajos (7 por cento) e kirguiz (0’9 por cento). Na capital, Urumqi, os han som já o 80 por cento da populaçom.
Este intento de aculturizaçom do Turquistám nom tivo apenas consequências culturais, mas económicas. O Xinjiang é hoje umha das regions mais pobres da China e, muitos uigures emigram para outras partes do país.
É destacável o papel do Corpo de Produçom e Construçpm de Xiniang, umha económica e semi-militar, que tem o objectivo de promover o desenvolvimento económico e “a harmonia étnica”. Çna prática, é umha autoridade administrativa que ajuda a estabelecer granjas e indústria, e até novas cidades por todo o território. E foi arma clave na luita contra dos independentistas uigures.
Este tema merece um capítulo aparte. Sob o pretexto de que o independentismo uigur provoca confrontos étnicos no território, e que ademais está infiltrado polo terrorismo islámico, Pequim nom tivo clemência na hora de reprimir o movimento secessionista, afectando a militares e sociedade civil. O movimento uigur reapareceu na páginas internacionais mercê aos Jogos Olímpicos de 2008, quando a China detivo a dezenas de pessoas, acusadas de preparar atentados terroristas de cara aos Jogos. Desde entom, a tensom em Urumqi nom chegou a baixar. As autoridades chinesas afirmárom que durante o 2008 detivérom até 1.3000 uigures. E este verám houvo umha série de confrontos graves entre uigures e han, dos que Pequim responsabilizou aos muçulmanos, y há umha semana fizo executar oito supostos instigadores.
Pode encontrar mais informaçom sobre o Turquistám Oriental e seu povo originário nas páginas da diáspora uigur nos Estados Unidos, e na do principal colectivo internacional uigur, o World Uyghur Congress e Uyghur Human Rights Project. Ademais, o povo uigur é membro destacado da Unrepresented Nations and Peoples Organisation (UNPO, perfil). Também há informaçom de contexto sobre esta naçom sem Estado em BBC News, MónDivers, o directório de Minority Rights Group, e Wikipedia, entre outros.
