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Povos e naçons de hoje: Papua Ocidental

Nationália – A ilha da Nova Guiné, a segunda mais grande do mundo depois de Groenlândia, tem a honra de ser o território com umha maior diversidade lingüística do planeta terra, com umha medida equivalente à França e um total de 1.073 línguas diferentes, segundo o Ethnologue.

A fronteira que divide a ilha da Nova Guiné em dois é um exemplo mais da arbitrariedade que acompanhou o processo colonizador europeu à hora de criar novos Estados. Ao oeste desta perfeita linha recta encontra-se Papua Ocidental, um território com uma diversidade biológica, cultural e linguística comparável só ao outro lado da fronteira, e que agora se enfrentam à pressom demográfica induzida polo seu Estado, Indonésia, e aos abusos das companhias extractoras de recursos.

Na ilha destacam duas famílias lingüísticas principais: a das línguas austronésicas e a das línguas papus. Administrativamente, o território compom-se de um Estado soberano, Papua Nova Guiné, no leste, e duas províncias da Indonésia, denominadas Papua e Papua Barato, no oeste da fronteira.

Centrar-nos-emos na parte pertencente em Indonésia, que popularmente se conhece como Papua Ocidental, Nova Guiné Ocidental ou Irian Jaya, e que hoje em dia representa o principal foco independentista do enorme arquipélago asiático.

De maneira análoga à distribuiçom lingüística, o povo dominante, a Papua Ocidental é o papú, o qual se acha que é descendente directo dos primeiros povoadores da ilha, há mais de 40.000 anos. A maioria deles som católicos protestantes, a diferença do resto de Indonésia, principalmente muçulmana. De outra banda, as religions animistas ainda som muito populares.

Papua Ocidental foi a mais oriental das colónias que os Países Baixos tinham no sudeste asiático, já que os territórios que ficavam para além do meridiano 141, que atravessa a ilha polo médio, faziam parte do império britânico. Depois da independência de Indonésia, declarada no ano 1945, o império holandês reservou-se Papua Ocidental, até que cedeu às pressões de Jacarta e o 1963 aceitou transferir a soberania ao novo Estado, sob a promessa da celebraçom de um referendo a Papua seis anos mais tarde, no ano 1969.

Porém, Indonésia apresentou às Naçons Unidas o Acto de Livre Eleiçom (Penentuan Pendapat Rakyat, PEPERA, em indonésio), que supostamente mostrava a aceitaçom do poder de Indonésia e a rejeiçom à autodeterminaçom por parte da populaçom de Papua Ocidental. Em realidade, o Acto de Livre Eleiçom simplesmente teve o apoio de 1.025 notáveis do território, que Jacarta escolheu como representantes.

Nos anos sucessivos tivérom lugar dous processos chaves para Papua Ocidental. Em primeiro lugar, Indonésia levou a termo o programa ‘transmigrasi’, que traria cerca de um milhom de imigrantes de outras partes do País, por tal de reduzir o peso da populaçom papu e também para garantir a Jacarta um controle estrito dos lugares de poder a Papua. Esta política demográfica foi acompanhada de umha marginaçom sistémica dos papús, tanto de lugares de trabalho como de acesso aos recursos naturais. A segunda parte do processo foi a chegada de grandes empresas exploradoras, como a mineira norte-americana Freeport-McMoRan Copper & Gold Inc.

Estas companhias multinacionais fôrom as responsáveis da extracçom de minerais, madeira, e petróleo, os benefícios dos quais dificilmente têm recaído no País, e provocárom a destruiçom do meio e o deslocamento forçado de muitos povos.

O anexo de Papua e a posterior submissom da sua populaçom ajudárom a surgir muito cedo umha corrente independentista: o Movimento por umha Papua Livre (Organisasi Papua Merdeka, abreviado OPM), activo desde os anos 60 e que rapidamente desfrutou de um grande apoio popular, se bem foi historicamente impotente perante a potência militar e política da Indonésia. Um dos objectivos dos ataques independentistas foram as empresas mineiras e petrolíferas.

Hoje a situaçom da Papua Ocidental está ainda longe de estar normalizada. Do ano 2001, o País desfruta de umha verdadeira autonomia, mas com o pretexto de acabar com a insurgência independentista, o exército e a polícia da Indonésia reprimírom manifestaçons pacíficas, proibírom símbolos culturais e políticos papus e violárom os direitos humanos de dezenas de pessoas submetidas a arrestos injustificados e torturas.

Depois da estabilizaçom dos conflitos do Timor Oriental e Banda Aceh, a questom de Papua é a principal matéria pendente de Jacarta, que luita para ser o referente económico e demográfico do sudeste asiático.

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