Nationalia.cat – No norte da actual Polónia, à beira do mar Báltico, encontramos um povo eslavo, o cassubiano, que conserva na sua fala a prova viva de uma história rica e singular. É precisamente no âmbito da língua aquele no qual se realizaram mais avanços os últimos anos.
Isto foi possível graças ao estabelecimento de uma proteção legal específica, e a sua introdução no ensino, se bem ainda resta muito trabalho a fazer para lhe assegurar o futuro.
A Cassubiânia, território habitado historicamente pelos falantes de cassubiano (ou cassúbio; kaszëbi nesta língua, kaszebe em polaco), é uma região do norte da Polónia que ocupa aproximadamente as terras centrais do voivodat (ou província) da Pomerânia. A principal cidade e capital histórica é Gdańsk (Gduńsk, en cassúbio) e outros núcleos destacados som Kartuzy (Kartuzë), Kościerzyna (Kòscérzëna), Bytów (Bëtowò) e Wejherowo (Wejrowò).
É muito difícil estabelecer o número exacto de cassubianos. As estimações variam entre as 50 mil e as 500 mil pessoas, e uma cifra média que é habitualmente aceite aproxima-se das 300 mil. Se olharmos para o censo polaco de 2002 veremos que o número desce até 5.100, mas isto deve-se à particularidade do censo da Polónia, que não permite a identificação com duas nacionalidades simultâneas.

Território étnico cassubiano em finais do século XX
Seja como for, o Estado polaco não reconhece o povo cassúbio como etnia diferenciada. No que diz respeito do apartado da demografia, cumpre mencionar a diáspora cassubiana, já que forma importantes comunidades fora da Polónia, especialmente na Alemanha e no Canadá.
Descendentes das tribus eslavas pomeranas, os cassubianos não tiveram nunca uma administração própria, mas partilharam juntamente com os outros povos eslavos e germânicos do território ducados, reinos e estados de diferente cariz.
No século XIX, o activista cassúbio Florian Caynowa liderou um processo de revitalização da língua, a cultura e as tradições do seu povo, o qual derivou num certo nacionalismo que reivindicava a identidade cassubiana por oposição à polaca e à alemã. Com o tempo, porém, o movimento foi-se reformulando e afinal rejeitou-se acabar completamente com as ligações à Polónia, com a qual se identificavam os cassúbios.
A língua
O cassubiano é falado por umas 50 mil pessoas e é claramente uma língua menorizada face ao polaco. Não é oficial no país, se bem não é completamente ignorada pela administração: conta com alguma proteção legal porque o Estado a considera língua regional, e este facto permitiu-lhe certos avanços nos últimos anos, especialmente se tivermos em conta que durante a época comunista o cassubiano foi complemente ignorado na Polónia, quando não oficialmente perseguido.
No passado mês de Fevereiro, o Governo polaco ratificou a Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias, que em teoria dá às línguas menorizadas do país o máximo nível de proteção.

Jovem cassubiana com as vestimentas típicas do país
Entre outros avanços, o cassúbio pode ver-se agora nalguns indicadores bilíngues do país, os alunos podem estudar o cassubiano na escola e examinar-se no selectivo nesta língua, utiliza-se nalgumas administrações locais e regionais e recuperaram-se os topónimos e os nomes próprios originais. Um exemplo de como a língua se foi normalizando na Cassubiânia é a página web da capital do país, Gdánsk, que recentemente incorporou versão em cassubiano.
Porém, ainda resta muito caminho para a língua própria dos cassubianos assegurar a sobrevivência. Precisamente, um dos modelos que poderiam seguir para lograr este objectivo é o do aranês e a sua relação com o resto do Principado da Catalunha. O secretário de Política Linguística do Governo da Catalunha, Bernat Joan, afirmou há um ano que o Governo polaco se tinha interessado pelo modelo catalão.
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