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Posicionamento e Politica

Xosé Morell – Segundo diz Von Clausevitz, no seu tratado Von Kriege, que logo foi tomado como o Vademecum do marketing, não é possivel tomar a posição do lider frontalmente e desde uma posição inferior, mas é preciso atacar por um flanco mediante a guerrilha, e aproveitando algum ponto fraco.

É dizer, criando uma nova categoria. Não tomar em consideração estas sábias palavras no mercado político galego está a facilitar ao PP longos anos de hegemonia, pois o segundo e terceiro do mercado insistem em ser o PP em lugar do PP. Vamos ver isto em duas posições estratégicas:

O idioma

A “ideia” de língua proposta polo 2° e o 3° (não farei o ridiculo chamando-lhe “projeto”, nem sequer “politica”) dirige-se ao mesmo eleitorado do PP. Com os necessários ajustes e consideração devida aos seus respeitivos eleitores, continua imaginando o mesmo cenário de deixar contentes (e ignorantes, ou seja, narcotizados) os falantes de uma e outra língua, até a extinção social de uma de elas. É o que Fraga chamava “harmonia”.

O PP manobrou tacticamente ao perder o poder. Apoiado na sua superioridade de força lançou um contraataque surpresa que lhe permitiu conquistar as posições do consenso e liberdade no mercado urbanita marulo. Ao ser este maioritário nas cidades, não cabe mais que lutar (argumentar) nos flancos dessas posições: “o consenso dá-se só entre os seus votantes ainda que tenham o governo; a liberdade é só para os falantes de espanhol”.

Os chamados de alguma intelligentsia a “recuperar o consenso” ou ao “galego língua de liberdade” têm poucas possibilidades de sucesso, toda vez que pretende atacar frontalmente posições elevadas e tomadas. Mas tendo em conta que o lider do mercado muitas vezes comete o erro de se crer vencedor definitivo e total, o PP de Feijóo arrasou completamente com a harmonia-armadilha de Fraga, deixando-a em evidência definitivamente, e descubrindo outros flancos por onde pode ser atacado: os da honestidade intelectual.

O conceito social da economia

Outra posição estratégica consolidada pelo líder. De novo há que lembrar que não se pode conquistar nenhuma posição na mente do consumidor popular oferecendo a mesma categoria melhorada. É preciso buscar ou criar uma nova. O conceito social da economia do PP, é a mesma que oferecem o 2° e 3° (e 4°, 5°, 6°…) só se diferencia nas prioridades do gasto, não no facto de ser o Estado o garante e financiador único dos serviços públicos, e porém o seu proprietário. Naturalmente todos nesta altura sabemos que dizer Estado e interesses das grandes corporações são sinonimos. Então entende-se que o facto de Feijoo se apresentar como salvador e garante de esses serviços não soe a brincadeira no seu mercado (se não, não o diria).

Tentativas de assalto a posições do mercado

Concorrendo e só melhorando estas mesmas categorias, a oferta politica não pode diferenciar-se, e as possibilidades de sucesso frente a quem já ocupa uma posição elevada no reparto atual do mercado estão seriamente comprometidas.

Nas ultimas eleições, um partido novo nascido em Tui apresentou a sua oferta a nivel de Galiza, e lançou um insensato ataque aberto: procurava o mesmo espaço completo do BNG (nacionalismo) e o PP (liberal) ou seja, as mesmas categorias, quando é em segmentos locais e comunicacionais onde pudera ter certo sucesso, e ocupar flancos, criando categorias novas. A diferença não foi percebida, e foi aniquilado.

Recentemente, estamos a asistir a um interessante surgir de múltiplas ofertas-cogumelo nas posições da esquerda e o nacionalismo, buscando nichos. As categorias língua, economia, estado são basicamente as mesmas que as do 2° e 3°, polo qual o seu sucesso frente a estes será resolvido na quantidade de forças que consigam acumular numa formulação necessariamente unitária. E talvez consigam. Mas nunca chegarão a supor uma ameaça para o 1°.

Uma oferta politica e eleitoral pola mudança

Para que aconteça isto, e portanto haja possibilidades de uma mudança política na Galiza este ano ou o que vém, precisa-se uma oferta politica claramente diferenciada, e que concentre os recursos, forças unidas ou coaligadas, no mesmo espectro ideológico e local do lider, mas em flancos ou segmentos, é dizer criando categorias novas nas posições de língua, economia e estado, e não assumindo as mesmas que o “inimigo”, ou as mesmas melhoradas que vêm da sua esquerda. Só assim será possivel que este perda parte da sua quota de mercado, e porém a maioria absoluta.

 

Xosé Carlos Morell

Define-se como multicultural por família e mentalidade. Foi Secretário de Organização do PNG-PG. Atualmente está orientado profissionalmente à empresa privada, sendo Diretor de Exportações de um grupo de empresas. É membro do Partido da Terra, no que apresentou as palestras iniciais de Soberania e Sustentabilidade Económica e Linguística, agora em fase de receção de contribuições por parte da cidadania.

 

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