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Por uma escola em que os invisuais sejam integrados, no filme “A cor do paraíso”

José Paz Rodrigues – Desde há várias décadas, em muitos países do mundo, no mês de outubro celebra-se o “Dia Internacional da Bengala Branca”. Com a finalidade de sensibilizar os cidadãos para que sejam solidários com todos aqueles que sejam invisuais, que pola sua cegueira não podem olhar a beleza da natureza, nem desenvolver-se nas atividades quotidianas igual que os videntes.

Também para que apoiem de forma solidária a sua integração social, a integração escolar dos mesmos, e que, em nenhum caso, por esta sua deficiência, sejam excluídos ou marginalizados nos diferentes âmbitos da vida. A sensibilização sobre tema tão importante pode e deve conseguir-se desde a escola. Organizando atividades didáticas lúdicas, criativas, artísticas, teatrais e literárias, com os estudantes nas aulas dos diferentes níveis do ensino.

 

Ficha Técnica do Filme:

Título original: Rang-e khoda / The color of paradise (A cor do paraíso)

Diretor e Roteiro: Majid Majidi (Irão, 1999, 90 min., a cores)

Produtor: Mehdi Karimi. Música: Alireza Kohandairi. Fotografia: Mohammad Davoodi.

Intérpretes: Mohsen Ramezani, Hossein Mahjub, Elham Sharim, Farahnaz Safari, Mohammad Rahmaney, Zara Mizani, Kamal Mirkarimi, Morteza Fatemi, Masoomeh Zainati, Ahmad Aminian e Behzad Rafeiey.

Argumento: Mohammad é um rapaz cego de oito anos, que aprendeu a ver com o tato e o ouvido, e que estuda numa escola secundária especial de Teerão, onde aprende a ler polo sistema Braille. Quando chegam as férias do verão regressa à sua aldeia natal com seu pai, as suas duas irmãs e a sua avó. É um rapaz muito sensível e grande amante da natureza.

Apesar de ser uma pessoa realmente adorável, com muita generosidade, amor sincero e imenso desejo por aprender, estas suas virtudes contrastam com a vida temerosa e egoísta de seu pai, um viúvo carvoeiro que quer voltar a casar-se, com alguma mulher que o possa cuidar quando seja velho. Para isto quer desfazer-se do seu filho invisual, que considera um estorvo e uma maldição de Deus. O afastamento do seu pai marca as férias do rapaz na sua linda aldeia perdida das altas terras nortenhas iranianas. O rapaz tenta alcançar o apreço de seu pai, enquanto desfruta das paisagens naturais e do carinho de suas duas irmãs e sua avó, uma mulher trabalhadora, vitalista e religiosa.

 

 

Parábola fílmica a favor de não marginar os deficientes:

O filme que comentamos é de uma grande sensibilidade. Que se plasma no precioso discurso do rapaz protagonista: “Ninguém me quer, sabem? Nem sequer minha avó. Todo o mundo se afasta de mim porque sou cego. Se pudesse ver poderia ir à escola da aldeia com as outras crianças. Mas, como não posso ver tenho que ir à escola para crianças cegas no outro extremo do mundo. O nosso professor comentou que Deus ama os cegos porque não podem ver, e eu respostei-lhe que se fosse assim não nos teria feito cegos, para que pudéssemos olhá-lo a Ele. O mestre respondeu-me que Deus não é visível e que está por toda a parte, podes senti-lo perto, vê-lo através da ponta dos dedos. Agora estendo as mãos por todas as partes à procura de Deus até que possa tocá-lo e poder assim contar-lhe os segredos do meu coração”.

Mohammad, rapaz protagonista, na sua condição de cego, a cegueira permite-lhe uma habilidade especial para escutar e ler a natureza. Assim ouve falar o peto com o seu bico, lê com as pontas dos dedos nas pedras do rio e nas espigas. Aprendeu especialmente a escutar e tocar, ademais de a ver com o coração. São muito especiais as cenas do encontro com a avó na distância. No seu sofrimento, apresentado com lágrimas, é capaz de ter alegria.

Neste formoso filme há três parábolas escondidas. Em primeiro lugar, o momento em que o protagonista salva com grande esforço uma cria de pássaro e a transporta ao seu ninho. Em segundo lugar, um peixe que rabeia fora da água e que com dificuldades a avó resgata. Mas, em terceiro lugar, também aparece uma tartaruga presa de que o pai passa ao lado sem se preocupar com ela. A salvação supõe que na debilidade uma mão que vem de fora nos salva para levar-nos ao ninho ou à água da vida. Qual é a mão que aparece no filme salvando o pequeno rapaz cego?

 

 

O filme transmite a mensagem do importante que é conseguir no mundo uma educação para todos, onde exista de forma real uma inclusão das crianças com incapacidade. Dos 115 milhões de crianças que frequentam a escola, mais de 40 milhões têm alguma incapacidade. Muitos têm impedimentos moderados, não evidentes a simples vista e de difícil diagnose, com dificuldades de aprendizagem, problemas logopédicos, físicos, cognitivos, sensoriais e emocionais. Também é muito comum que as crianças deficientes em muitos lugares do planeta não frequentem nunca a escola.

Num relatório sobre os direitos humanos e a incapacidade afirmou-se há pouco que uma em cada dez pessoas vive com limitações físicas, cognitivas ou sensoriais (surdez ou cegueira). E que isto afeta muito as crianças ao não poder completar a educação primária. Por isto, a incapacidade pode ser o principal fator polo que muitas crianças no mundo são excluídas na educação. Que importante é ter docentes que reflitam sobre este tema e que, com carinho e inteligência pedagógico-didática, saibam como integrar crianças com incapacidades nas suas aulas. Igual que fez Ana Sullivan com Hellen Keller, filme que comentaremos noutra altura dentro da série.

 

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