PGL – O centenário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero, vulto principal do reintegracionismo e Membro de Honra da Associaçom Galega da Língua, está a mobilizar pessoas de sensibilidades muito diferentes, de toda a Galiza e mesmo do exterior, que reivindicam a atualidade do seu legado. O ato central aconteceu o sábado em Compostela, com o descerramento de umha estátua na sua honra.
A estátua foi colocada muito perto da casa da rua Carreira do Conde, onde o professor Carvalho Calero residiu os últimos anos da vida; e do liceu Rosalia de Castro e da que foi sede da Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela, na Praça de Maçarelos, onde exerceu a docência de língua e literatura, sendo titular da primeira cadeira universitária.
O monumento foi promocionado pola Fundaçom Meendinho, que solicitou contributos populares e de diferentes entidades e instituiçons. O principal foi da associaçom de empresários graniteiros do Porrinho, que cedeu a base, de Rosa Porrinho, sobre a que repousa a estátula, elaborada polo escultor José Molares, quem estava também presente.
O ato foi apresentado por Margarida Martins, da Fundaçom Meendinho. Afirmou que nom foi fácil concretizar esta homenagem e agradeceu a todas as pessoas que contribuírom para que a obra fosse possível, muitas com presença ativa. “Dentro de todos nós ficará sempre o orgulho de termos feito realidade este projecto”, afirmou Martins. Agradeceu o apoio e colaboraçom da CIG, da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), Universidades galegas, Associação Sócio-Pedagógica Galiza-Portugal (ASPG-P), Associaçom Galega da Língua e Concelho de Santiago, com especial mençom para o clúster de granito que realizou a base.
Patronos e patronas da Fundaçom Meendinho,
entidade impulsionadora da estátua
Oradores
Na continuaçom participárom diversos oradores, em representaçom de instituiçons e entidades diversas.
Os primeiros em falar fôrom Javier Garbayo e Manuel Fernández Iglésias, vice-reitores das universidades de Santiago de Compostela e Vigo, quem salientárom a personalidade de Carvalho.
Pola Universidade da Coruña falou a professora Maria Pilar García Negro, quem frisou como o Departamento de Galego-Português dessa instituiçom, ao qual ela pertence, se nutre de alunas e alunos de Carvalho Calero, que se consideram discípulas/os dele e trabalham pola vigência da sua obra, que precisa de ser reeditada por ser muito valiosa. Reprovou o “clamoroso silêncio doutras instituiçons” e ressaltou o trabalho de Carvalho “tam silencioso como silenciado”, mas “ao serviço da naçom” e com valor histórico incomensurável. Apelou à necessidade de “ser galegos a tempo completo” como o foi Carvalho Calero.
Martinho Montero Santalha, como presidente da AGLP, qualificou o ato de homenagem como “de justiça à memória do mestre Ricardo Carvalho Calero”, de quem destacou a defesa da língua e o estudo da nossa literatura. Leu um poema de homenagem, intitulado “A palavra de D. Ricardo Carvalho Calero”, e que finalizava com estes dous versos:
Viva o futuro da ciência do amor e do trabalho
Viva a palavra viva do professor Carvalho
José Paz, como presidente da ASPG-P, lembrou a sua amizade com D. Ricardo, graças a quem entrou no Reintegracionismo, segundo reconheceu. Reivindicou o seu labor pioneiro como renovador pedagógico, no Colégio Fingoi de Lugo, onde seguiu a doutrina da Institución Libre de la Enseñanza. Memorou a participaçom, em 1983, num congresso, em Barcelona, a proposta dele; e insistiu em reivindicá-lo como “pioneiro da renovaçom pedagógica e renovador”. No final do ato, Paz entregou o texto de um artigo sobre esta questom que enviou para publicar esse mesmo dia num jornal galego.
Valentim Rodrigues Fagim, presidente da AGAL, referiu o concurso musical sobre Carvalho Calero, que se resolveu no dia anterior, e em que se escolhérom ganhadores umha cantora angolana e um músico espanhol. Apelou a que o século XXI seja o do Galego-Português e o de Carvalho Calero.
Guadalupe Rodríguez, vereadora do Concelho de Santiago, deu os parabéns às pessoas que fizérom possível o monumento, e para o escultor. Afirmou que depois de 100 anos “isto tinha que ser”, e almejou “mil primaveras mais” para a nossa cultura e para a nossa língua.
Elvira Cienfuegos, também representante do Governo Municipal de Compostela, reagiu feliz por se ter incorporado às zonas verdes da cidade um monumento de acolhida a Ricardo Carvalho Calero. Lembrou Ângelo Casal, quem presidiu a Cámara Municipal da cidade e que, na sua profissom de editor, publicou algum dos livros de Carvalho Calero. Salientou que Carvalho tivo oportunidade de regressar à cidade onde tinha estudado depois da Guerra, para exercer no Instituto Rosalia de Castro e na Universidade de Santiago, destacou o significado de Carvalho na cultura galega e qualificou a estátua de “obra magnífica”.
Margarida Carballo Calero, filha do homenageado, agradeceu esta actividade. Lembrou como o seu pai chegou com 16 anos como aluno da Universidade de Santiago e como depois do que sofreu na Guerra de Espanha de 1936, no cárcere e no desterro, se preparou “para voltar aquí”.
Ramiro Parracho Oubiña, secretário confederal da CIG, afirmou que este sindicato “nom tivo a menor dúvida em participar na homenagem” e salientou de Carvalho Calero a “defesa da cultura e da língua galega”. Dixo que os valores de Carvalho tenhem “mais valor que nunca” polos ataques à língua na atualidade. Reclamou da sociedade maior uso do galego para defender umha das “identidades básicas do nosso povo”, qualificou a homenagem como “ato de justiça” e epelou a seguir colaborando e a fazer actos destas características.
Alexandre Banhos, como presidente da Fundaçom Meendinho, referiu-se a Carvalho Calero como “exemplo de coerência e de integridade” e como pessoa que agiu “ao serviço do povo galego”. Defendeu que honrando Carvalho “honramo-nos a nós” e afirmou que Galiza é um povo que tem memória e que homenageia a quem o faz grande. Mostrou-se agradecido a Ricardo Carvalho Calero “polo moito que nos deu e nos segue a dar” e finalizou a intervençom com vivas a Galiza e a Carvalho Calero.
Descerramento e hino galego
Na continuaçom aconteceu o descerramento da estátua, um magnífico monumento de bronze de José Molares, como ficou assinalado.
Na base, no frente, além do nome de Ricardo Carvalho Calero constam “Ferrol. 30.10.1910” e “Santiago de Compostela. 25.03.1990”, como referência às cidades e datas em que nasceu e morreu, respectivamente.
Na esquerda constam, por esta ordem, a Fundaçom Meendinho, Universidades Galegas, AGLP, AGAL, ASPG-P, CIG e Achegas Populares, para lembrar as diferentes contribuiçons para poder erigir este monumento.
E na direita, a inscriçom da seguinte frase:
A fala da Galiza, o português de Portugal, o português do Brasil e os portugueses dos distintos territórios lusófonos formam um único diassistema lingüístico conhecido entre nós popularmente como Galego e internacionalmente como Português.
Encerrou-se a homenagem com a interpretaçom do Hino Galego por gaiteiros da Gentalha do Pichel.
Participantes
Para além das pessoas já assinaladas, participárom no acto outras que se deslocárom desde diferentes cidades, vilas e lugares da Galiza e da própria comarca de Compostela. Entre elas José Luís Rodríguez, Isaac Alonso Estraviz, Bernardo Penabade, Luís Gonçales Blasco, Ana Pontón, Carme Fernández Pérez-Sanjulián, Manuela Ribeira Cascudo, Anxo Louzao, Rubén Cela, Artur Alonso Novelhe, José Manuel Barbosa, Concha Rousia, Ana Cabanas, Ramom Reimunde, outros familiares de Carvalho Calero, e umha ampla representaçom da comunicaçom social.
Depoimento
Finalizada a homenagem, a deputada do BNG no Parlamento Galego, Ana Pontón, ofereceu um depoimento à comunicaçom social, recolhida por diferentes meios, em que criticava a ausência do Governo autonómico da Galiza nas homenagens.
Esta representante do nacionalismo político galego esclareceu que a sua participaçom nesta homangem se devia ao facto de acreditar que Carvalho Calero “foi umha pessoa que loitou durante toda a sua vida pola recuperaçom da língua galega e a normalizaçom da nossa língua, e que se entregou à defensa da cultura galega, polo tanto tamém o nosso reconhecimento a todas as entidades civís que no dia de hoje, no que se cumprem 100 anos do seu nacemento decidírom fazer-lhe esta homenagem. Lamentablemente tamém temos que dicir que a Xunta de Galiza tem esquecido completamente a figura de Ricardo Carvalho Calero. Cremos que é lamentable que a máxima institución deste país se esquecera de umha data tam relevante para a nossa cultura, pero que em todo o caso é umha mostra mais da política antigalega que está seguindo o Partido Popular, da política de esquecemento e de menospreço dos nossos creadores e creadoras, das pessoas que defendem a cultura deste país, na que a Xunta se está empenhando a fondo. Cremos que o Conselheiro de Cultura e o próprio Presidente da Xunta pois deveriam no dia de hoje sentir vergonha porque a máxima institución deste país nom tenha feito nengum acto de lembrança nem de recordo de quem tanto deu por Galiza”.
Vídeo na íntegra do ato de inauguraçom
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Mais programaçom
Na sequência desta homenagem em Compostela, a directora do Departamento de Galego-Português da Universidade da Corunha, Carme Fernández Pérez-Sanjulián, anunciou o congresso que se vai realizar nessa instituiçom dos dias 24 a 27 deste mês.
Também Alexandre Banhos, presidente da Fundaçom Meendinho, confirmou que esta entidade organiza um congresso em Ourense e Vigo neste mês.
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