Parques eólicos e produção eléctrica sustentável

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Por Adela Figueroa Panisse

A falácia das energias alternativas ou renováveis

Acaba de aparecer na prensa uma petição de Greenpeace ao Governo da “Xunta de Galicia” para que esta desenvolva um plano eólico marinho.

De primeiras devo conter a minha indignação perante a prepotência desta Associação ecologista que vem dispor do nosso Território, da nossa riqueza e do nosso Património Natural como se tivesse autoridade sobre ele.

Galiza já produz bastante electricidade, mais da que consome, e isso faz-se a custo do nosso Património Natural, da nossa riqueza paisagística e da Biodiversidade. Madrid absorve uma grande quantidade de energia e não produz apenas. Isto é, em grande medida, porque mantém uma forte protecção sobre o seu ambiente natural.

A produção de energia é indispensável para manter o mundo tal e como o conhecemos nos países considerados do “Primeiro”. Sem isso não haveria luz na noite nem calor no inverno, nem computadores com os que redigir este escrito.

Mas o problema, neste momento, não é tanto de produção quanto de aforro e EFICIÊNCIA. Calcula-se que as perdas por transporte de energia podem superar o 10% da produção, isso em função da potência e da longitude da linha. (Se as linhas são do género HVDC estas perdas podem reduzir-se até um 4% por cada 1000Km. Calculemos o que se perde até Madrid) Bem se compreende que quanto mais longe se situe o consumo mais perdas haverá. Logo uma decisão inteligente deveria ser achegar os centros de consumo aos lugares de produção e poupar todo o impacto e consumo que representam os tendidos eléctricos.

Por outra parte, não está demonstrado que os parques eólicos representem uma solução alternativa. De facto, o vento é imprevisível, e pode apresentar máximos e mínimos dependendo da intensidade deste. Por isso é imprescindível apoiar a produção de origem eólica com centrais térmicas de ciclo combinado como a Das Pontes que devem compassar sua produção à intensidade do vento. Daí nunca possam ser desconectadas, sendo obrigado as manter em “stand by” arrancando e “realentando” segundo o caso. (Isto não reduz a emissão de CO2)

O impacto dos campos eólicos e doutros centros de produção eléctrica não está limitado a estes, mas também as linhas de evacuação que geram um grande impacto ambiental, muitas das vezes superior ao devido estritamente as “ventoinhas”.

Desde ADEGA já se tem reclamado que as Avaliações de Impacto sejam conjuntas para valorar as sinergias negativas que a concentração de impactos sobre uma zona pode gerar.

A instalação de mais parques eólicos em Galiza não vai ser solução de nada para os galegos e galegas. Apenas veremos como a nossa riqueza florestal continuará a ser destruída, como a nossa produtividade diminuirá e como o nosso ambiente será mais e mais deteriorado, para que, desde a Galiza paguemos as perdas de electricidade que representa transportar esta a outros lugares onde vai ser consumida, mentres cá ficam os impactos dos Parques e mais das linhas de transporte eléctrico. Foram denunciadas, repetidamente, as alterações que os campos electromagnéticos fazem sobre o ambiente, em geral, e sobre a saúde humana em particular. Não podemos consentir que o nosso País continue a ser cruzado de cabos, que não respondem a nenhum Plano Geral. * A electricidade produzida por energias consideradas renováveis, é subsidiada fortemente pelo estado. Ai está o ganho das empresas. Entre 23,7 e 45,5cts por Kw, os subsídios alcançaram, em 2007, 950 milhões de € segundo declara a “Asociacion Empresarial Eólica”.

A Associação Greenpeace é muito generosa com o nosso Património. É justo reclamar dum grupo Ecologista o cumprimento do Principio de Equidade que é um dos que iluminam as medidas para vencer a mudança climática promovidas pelas Nações Unidas e que essa equidade se cumpra com a Galiza. Já somos líderes na produção eólica de España.

Reclamo também um Plano Europeu de Eficiência Energética que demonstraria que podemos manter o nível de vida actual sem continuar a deteriorar mais o nosso Planeta, incluída a Galiza. Isso deveria ser objectivo duma Associação que detecta o prestigio da Greenpeace e não a demagogia de utilizar o território desta já maltratada terra galega para continuar a produzirmos energia que vai dar serviço a outra zonas privilegiadas e preservadas. E o nosso céu cruzado de cabos.

*Nas 31 medidas para o aforro energético propostas pelo actual governo de Espanha, figura no nº31 “Se promoverán acciones para reducir las perdidas por el transporte a través de las líneas , reduciendo las distancias y mejorando estas”