Nationalia.cat – Um ano mais foi comemorado na Crimeia o aniversário da deportação em massa de 18 de maio de 1944, quando o Governo soviético de José Estaline ordenou a deslocação forçada de todos os tátaros da península -cerca de 200.000- para a Ásia central, uma viagem fatídica na qual, conforme cálculos realizados, morreram a metade das pessoas deportadas.
Nesta passada segunda-feira, umas 15.000 pessoas marcharam pelas ruas de Simferopol, na Crimeia, para recordarem os feitos e reivindicarem ao Governo ucraniano que proteja os seus direitos linguísticos e políticos, segundo informa RFE/RL. Os tátaros que com os anos têm voltado para a Crimeia tornaram em minoria após a russificação e a ucranização do seu território. Por isso, durante o acto da passada segunda-feira pediram para que Kiev reconheça o estatuto de oficialidade da sua língua na República Autónoma da Crimeia, e que permita a presença no campo educativo. No plano político, os tátaros da Crimeia reivindicam uma autonomia de caráter nacional e territorial tátara, que vá para além do estatuto atual da República Autónoma.
Coincidindo com a efeméride, o Governo ucraniano tem anunciado que levará a cabo uma investigação para esclarecer os crimes cometidos contra os tátaros da Crimea por parte das autoridades soviéticas. Para fazê-lo, Kiev tem pedido ao Serviço Federal de Segurança (FSB) da Federação Russa a desclassificação de todos os documentos que façam referência ao episódio da deportação.
Congresso mundial da diáspora
Não todos os tátaros da Crimeia voltaram para a sua pátria: muitos exilaram-se em países europeus e americanos. Com o objetivo de pôr em comum estratégias e pontos de vista, nestes dias decorre em Bakhchisaray, Crimeia, e em outras cidades da península, o primeiro Congresso Mundial dos Tátaros da Crimeia, que até o dia 22 de maio reunirá delegados da Ucrânia, Bulgária, Roménia, Turquia, Alemanha, Rússia, e os Estados Unidos, entre outros, informa NRCU.
Segundo dizia RFE/RL há uns meses, esta reunião tem também um ponto controvertido, já que algumas ONG tátaras anunciaram a intenção de boicotar o evento sob o pretexto que só serviria para converter Mustafa Abdülcemil, porta-voz do Parlamento tátaro -o Mejlis- e dirigente histórico da resistência tátara, em um “líder permanente” dos tátaros da Crimeia.
