Óscar Senra – A escrita de Pepetela sempre me deu a sensação de ser lenta e paciente, como uma aranha que tece a sua teia. E não penso no ritmo da sua narrativa, nem no estilo, nada embrenhado e bem polido.
Tenho em mente a forma em que me cativou como leitor. Comecei por Mayombe, o qual não é nada original. Esse foi o momento em que cai de vez na aranheira peganhenta e cambiante que o Pepetela tendeu para me seduzir.
A teia resplandece dependendo do ângulo de visão e do foco de luz, se não muda o leitor de posição é o autor quem inteligentemente se ocupa de deslocar-nos. O Planalto e a Estepe foi exatamente isso para mim, uma mudança, um outro fio. Ao começar a leitura deste seu último livro o primeiro que pensei foi na Geração da Utopia, ao terminá-lo só podia pensar na sabedoria acumulada do Pepetela, nos anos já passados juntos e em como me foi passeando pola história de tantas gentes, épocas e lugares. Corri polo mato, aprendi o que eram os quilombos e as macas, estourei na Califórnia, estudei em Lisboa, vivi a quase fim do mundo…
O Planalto e a Estepe oferece história, viagens, amor e algo de aventura, todo isso tempera esta ficção de factos verídicos. Reconheçamos que é um roteiro algo desigual, mas é uma linda homenagem a uma biografia, a um percurso vital, o qual emociona sem deixar de mostrar-nos brevemente personagens e situações que bem poderiam merecer romances de seu. Enfim, não se negue ninguém a delícia de ficar capturado na rede deste grande engenheiro de histórias.
Óscar Senra Gómez (Sam Genjo, 1976)
Das terras do Salnês mas que habitualmente pasce nas leiras compostelãs. É um curioso impenitente, agitador cultural em múltiplas plataformas (atualmente Andaime, Eirado, AGAL…), casual linguista dos computadores, e, last but not least, um ávido leitor, que como Cunqueiro, desdenha a Universidade já que prefere o calorzinho dos amigos/as e das tabernas.
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