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O Milenário do Reino de Granada. Contrastes

Alexandre Anhel Cuquejo – A) Neste 2013 segundo a entupida comissão ad hoc, cumpre-se o milénio do Reino de Granada. Ainda que esse – emirado/reino – não apareceu, segundo as fontes tradicionais bem recolhidas na Wikipédia, até o ano de 1238.

O reino de Granada durante toda a sua existência verdadeira – a partir de 1238 –, reconheceu vassalagem aos reis de Castela (e Galiza-Leão), a começar pelo galego Fernando III1 .

Olhemos o assunto deste milenário do Reino de Granada:

  • Nasce sob proposta da Câmara Municipal de Granada com o apoio da Universidade de Granada

  • O Governo da Comunidade Autónoma da Andaluzia, por meio de Decreto, proclama 2013 o ano do “Milenio de Granada”.

  • O Governo do Estado espanhol na pessoa do seu ministro da Educação e Cultura, soma-se ao evento, achegando recursos.

  • As televisões da Andaluzia e a TVE somam-se ao projeto e acordam fazer programas de difusão do “milenio”.

  • Organizam-se atos em universidades e por todo o lado e especialmente para os estabelecimentos escolares sobre o “milenio” de Granada.

A curiosidade do reino de Granada, além do legado artístico Nazari refletido na Alhambra e algo mais, nada influi no presente andaluz.

B) No ano 2011, cumpria-se o 1600 aniversário do nascimento do Gallaeciorum Regnum.

Pode pensar-se o que se quiser sobre a comemoração dessas datas, mas o que sim é bem certo é que sem o Galaeciorum Regnum, não existiria nem Portugal nem a Galiza sob Espanha; como se põe enfaticamente de relevo no livro coordenado por Domingos Guimarães “Em Braga Nasceu Portugal” no qual havia colaborações galegas como as do Presidente da Academia Galega.

As comemorações do 1600 aniversário foram na Galiza a muito pequena escala, impulsionadas basicamente pelo movimento reintegrador, e delas houve algumas referências entre outros meios no Portal Galego da Língua.

  • Nenhuma autoridade lembrou isso.

  • Para as forças políticas2 oficialmente foi um feito desconhecido e muito irrelevante.

  • As universidades galegas e a faculdade de história3 da universidade Compostelã não abriram a boca sobre o assunto, e evidentemente isso foi lei nas programações de ensino.

  • Não houve nenhuma referência nos jornais, nem nas TV sobre o assunto.

  • Porque acham os caros leitores que isso se passa:

  1. Isso são trapalhadas saudosistas que a ninguém interessam.

  2. Por ter tido esse reino fulcral importância no nosso presente e sem ele não existir Portugal.

  3. Porque esse reino não era Espanha (assim claramente se exprimia nas atas dos concílios como os de Toledo), e portanto não servir para contribuir para o projeto nacionalizador espanhol.

  4. Porque é muito bom manter os galegos e galegas na ignorância e disso só tiram (eles) benefícios.

  5. Se você pensar que as respostas 2, 3 e 4 são certas, nesse caso vá até a seguinte proposta-resposta:
    Mudar as coisas depende de si. Para isso já sabe: lute contra a ignorância e a desmemória conhecendo, e tire partido para o mudar a sociedade AQUI.

 

Notas:

1III da Galiza-Leão não de Castela, apesar de os historiadores castelhanistas terem sido muito hábeis na numeração dos seus reis para apresentarem Castela/Espanha como sempre existente, desde o neolítico, que diria o in-wert (indigno desvergonhado) atual ministro da educação do Estado espanhol.

2Refiro-me às nacionalistas galegas, (desconhecendo a história como se vai andar no certinho no presente?); para as nacionalizadoras espanholas é óbvio que essas questões da Galiza não devem vir à tona.

3A faculdade de História da USC trabalhou e trabalha sempre para a perspetiva regional da Galiza em Espanha, ainda que alguns vejam miragens.

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