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O manifesto pola hegemonia social do galego ultrapassa 600 apoios

PGL – Em muitos poucos dias, o manifesto pola hegemonia social do galego logrou ultrapassar os 600 apoios. Com motivo disto, e para facilitar que cresçam ainda mais as adesons, o grupo promotor decidiu abrir um blogue no qual continuam a informar sobre esta iniciativa social aberta e plural.

Entre as primeiras pessoas assinantes podemos ver nomes conhecidos como os de Adela Figueroa (presidenta de ADEGA), o escritor Alberte Momán, o cineasta Alberte Pagán, os ex presidentes da AGAL Bernardo Penabade e Alexandre Banhos, Laura Bugalho (membro da Executiva da CIG), Luís Gonçales Blasco ‘Foz’, José-Martinho Montero Santalha (presidente da AGLP), o advogado Nemésio Barxa, o escritor Séchu Sende, o historiador Uxío-Breogán Diéguez, o economista Xavier Vence, Xavier Varela Barreiro (filólogo e membro do ILG), o jornalista Vítor Vaqueiro, Xosé Manuel Beiras (ex porta-voz nacional do BNG), o escritor Xosé Henrique Rivadulla Corcón, o filólogo Xosé Ramón Freixeiro Mato ou Valentim R. Fagim (actual presidente da AGAL), entre muitos outros apoios.

Do PGL contamos com duas das primeiras pessoas em assinar o manifesto para conhecer o seu testemunho.  Devido ao carácter plural da plataforma preferem ficar no anonimato, pois dam mais relevância «ao peso do colectivo».

A primeira delas destaca o «carácter histórico e de virada de ciclo» que apresenta o manifesto, «rompedor» com muitos tópicos «absurdamente criados nos últimos 30 anos». Umha outra questom a salientar é a «tradiçom integradora do reintegracionismo, da sua mensagem fiel à tradiçom democrática, restauradora e reivindicativa do galeguismo», umha reclamaçom que, ao seu ver, «como há muito nom se fazia» e «com umha mensagem claríssima e à altura do momento de ataque e imersom castelanista que pretene promover o govenro da Junta».

A outra pessoa com quem contactámos lembra que «a hegemonia social, cultural e política dos galegos na Galiza passa pola hegemonia social, cultural e política do português galego: a nossa língua, na nossa terra, nossa». Critica que a «incapacidade» dos governos espanhóis até hoje para resolver «de maneira satisfactória» as preocupações da populaçom galega se some agora a «extrema eficácia na destruição da língua» por parte do actual governo galego. Ante umha situaçom tam difícil acha ser «da máxima ipmortância» lograr «o apoio de toda a comunidade lusófona internacional, no empenho de defender a que é também a sua língua no lugar onde esta nasceu e ainda vive». De facto, numerosas assinaturas chegárom de outros países lusófonos.

 

O manifesto pola hegemonia social do galego pode
ser também descarregado em PDF

[clique aqui para conferir opçons]

 

MANIFESTO POLA HEGEMONIA SOCIAL DO GALEGO

A Galiza vive uma crise da língua própria sem precedentes. À evidente perda do galego na mocidade une-se agora a política das novas elites do Partido Popular governante, decididas a acabar com os tímidos avanços na promoção da língua que o governo bipartido anterior começava a introduzir. Especialmente preocupantes são a eliminação da obrigatoriedade de demonstrar conhecimento de galego escrito para o acesso à função pública (isto é, as trabalhadoras e trabalhadores ao serviço de todos e de todas), e a notável discriminação que se avizinha na presença do galego no sistema educativo público (isto é, coletivo). O Partido Popular, sob a demagogia da “liberdade linguística”, parece decidido a instituir o golpe de graça legislativo e político que impossibilite a recuperação da transmissão, dos usos e do prestígio da língua da Galiza. Que, por políticas dirigidas, num breve período histórico praticamente um povo inteiro deixe de transmitir e de utilizar o seu idioma como forma de conduta diária constitui um linguicídio em toda a ordem, que vulnera frontalmente os direitos humanos e cívicos coletivos.

Mas a situação não é apenas fruto dum plano improvisado do PP à luz duma contingente vitória eleitoral: é também resultado duma prática de décadas em que a classe política dirigente da Galiza se demitiu da sua responsabilidade histórica de contribuir para a necessária hegemonia social do galego como língua de relações sociais, de referência identitária, e de avanço cultural e material. Como em qualquer sociedade, só esta hegemonia do próprio poderá produzir a integração social num espaço comunicacional comum no nível local, nacional e internacional, imprescindível para imaginarmos e portanto construirmos uma ordem de verdadeira igualdade num âmbito de decisão verdadeiramente soberano.

Nós, as pessoas e coletivos abaixo assinantes,

DENUNCIAMOS o plano ultraliberal do Partido Popular e dos poderes económicos e mediáticos dominantes para manterem a língua (isto é, a conduta visível de milhões de pessoas) à mercê do darwinismo social, da lei do mais forte económica e mediáticamente, a língua espanhola;

RECLAMAMOS dos poderes públicos, sujeitos sempre a renderem contas perante a cidadania, o exercício das suas obrigações para a promoção social e institucional do galego e para a eliminação de qualquer discriminação e obstáculo à sua expansão, consolidação e naturalização como língua nacional própria a todos os efeitos;

e CHAMAMOS, na mais firme tradição do galeguismo, a um compromisso comum, horizontal e persistente de toda a cidadania galega pola construção da hegemonia social da nossa língua, a meio da sua transmissão efetiva aos mais novos na vida diária e no ensino, nos seus usos orais e escritos, como o nosso principal instrumento integrador e como o nosso vozeiro internacional no âmbito linguístico e cultural galego-luso-brasileiro de que nunca deixou de fazer parte.

Galiza, julho de 2009

 

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