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O grande pedagogo que só queria ser mestre, no filme “Montanha de Pestalozzi”

José Paz Rodrigues (*) – Os três mais importantes pedagogos da história da educação, verdadeiros pioneiros da nova escola, com uma influência decisiva nas reformas educativas dos séculos dezanove e vinte, foram Coménio, Froebel e Pestalozzi. Ao primeiro proximamente lhe dedicarei um artigo da série, e ao suíço Pestalozzi dedico-lhe o de hoje, dentro da pequena série de grandes educadores que estamos a publicar nos meses do verão.

Ao germano Federico Froebel, criador dos primeiros jardins-de-infância (“kindergarten”) e pai, portanto, da escola infantil, vou dedicar-lhe outro mais adiante. Pestalozzi (1746-1827) passou a ser conhecido, devido ao conjunto da sua obra e às escolas que criou e dirigiu em Stanz, Burgdorf, Yverdon e Neuhof, como “O Educador da Humanidade”. Quando em jovem lhe perguntaram o que queria ser, respostou: “só quero ser mestre”. Ofício a que dedicou toda a sua vida e saber, de forma altruísta e, em alguns casos, com muitos problemas, mas sem desfalecer nunca. Nascido na cidade de Zurique, o seu nome completo era Johann Heinrich Pestalozzi. Ainda funciona hoje na cidade italiana de Florença uma espécie de “cidade dos rapazes” com o nome de “Scuola-Città Pestalozzi”, lembrando o seu labor educativo com crianças órfãs e inadaptados sociais.

 

Ficha Técnica do Filme:

Título original: Pestalozzi´s Berg (Mountain) (Montanha de Pestalozzi)

Diretor: Peter von Gunten (Suiça-Alemanha oriental, 1989, 110 min., a cores)

Roteiro: Lukas Hartmann, Peter Schneider e P. von Gunten.

Fotografia: Jürgen Lenz. Música: Heinz Reber.

Intérpretes: Gian Mª Volonté (como Pestalozzi), Rolf Hoppe (Zehender), Heidi Züger (Mädi/Lara), Christian Grashof (Zschokke), Michael Gwisdek (Perrault), Corinna Harfouch (Juliette Benoit), Silvia Jost (Magd), Angélica Ippolito (Anna), Isolde Barth (Rosalia), Peter Wyssbrod (Hofstetter), Kärhe Reichel (Alte Köchin), Mathias Gnädinger (Büttel), Roger Jendly (Kutscher) e Leandra Zimmermann (Kathrin).

Filme premiado na Berlinale de 1989.

Argumento: O filme é uma biografia completa do educador e humanista J. E. Pestalozzi, em que se recolhe o seu primeiro labor de acolhida de crianças órfãs na sua casa. Sem apoio algum das autoridades, ao considerá-lo um sonhador e excêntrico educador. Mais tarde, no meio da soidade, tem que refugiar-se num sanatório das montanhas suíças, onde se reúne com Lara (Mädi), sua colaboradora. Em Yverdon consegue grande sucesso e a sua inovadora escola é visitada por muitos educadores europeus da época. Nos últimos anos da sua vida fundou uma escola em Neuhof. Aqui escreveu as suas memórias.

 

Metodologia Didática de Pestalozzi:

Pestalozzi dizia que a educação era o meio supremo para o aperfeiçoamento individual e social, um direito absoluto, por meio do qual as crianças iriam desenvolver os poderes que Deus lhes havia dado. Psicologizou a educação, unindo teoria e prática, baseada na ciência. Fundamentou a educação no desenvolvimento orgânico, mais do que na transmissão de ideias. Pesquisou sobre as leis fundamentais do desenvolvimento, teorizando que esse é adquirido gradativamente, além de incentivar a formação de professores e divulgar a educação como ciência.

O grande pedagogo suíço leva a cabo nas suas diferentes escolas o denominado “método intuitivo”, que se caraterizava pelos seguintes princípios básicos :

– A aprendizagem é produto da observação, ou seja, da perceção. A criança parte da observação de um objeto, pelos sentidos alimenta a intuição (ou a mente) de conteúdos, permitindo a construção de hipóteses, ou seja, a produção do conhecimento.

– É chamado método intuitivo por que é a intuição a parte ativa da mente que atua sobre as sensações, o material que vem dos sentidos, e a perceção, gerando o conhecimento.

– O ensino deve começar pelo elemento mais simples e proceder, gradualmente, de acordo com o desenvolvimento da criança. O tempo de ensino deve respeitar as diferenças de aprendizagem de cada aluno e assim alcançar o domínio do conhecimento.

– O objetivo central do ensino, na conceção de Pestalozzi, é o desenvolvimento da inteligência do aluno e não a transmissão de conhecimento.

– As relações entre o professor e o aluno devem ser baseadas e reguladas pelo amor.

Ao contrário de Rousseau, cuja teoria é idealizada, Pestalozzi, experimentava sua teoria e tirava a teoria da prática nas várias escolas que criou (o que mais tarde também fez Freinet na sua escola). Onde aplicou nas aulas o seu princípio de educação integral, sem limitar-se à absorção de informações. Segundo ele, o processo educativo deveria englobar três dimensões humanas, identificadas com a cabeça, a mão e o coração. E, para cultivar e educar as três, há que desenvolver em aulas e estabelecimentos de ensino atividades intelectuais, manuais e artísticas e de tempo de lazer. Nas quais as crianças ponham em funcionamento a inteligência e suas aptitudes, a psicomotricidade, a sua afetividade e os seus sentimentos, para a adquisição de atitudes positivas.

O objetivo final do aprendizado deveria ser uma formação também tripla: intelectual, física e moral. E o método de estudo deveria reduzir-se a seus três elementos mais simples: som, forma e número. Só depois da perceção viria a linguagem. Com os instrumentos adquiridos apareceria a liberdade e a autonomia em si mesmo, pois ele não acreditava nos julgamentos externos. E, por isto, nas suas escolas não existiam nem classificações, nem provas, nem exames, nem castigos, nem recompensas, confiando muito na disciplina interior, como verdadeiro motor da motivação individual por aprender.

 

Temas para refletir:

– Visionar este formoso filme e organizar um cinema-fórum posterior, para debater entre todos.

– Ler alguma das obras escritas por Pestalozzi, especialmente as que recolhem as suas experiências educativas: Como Gertrudes ensina suas crianças (Cartas de educação infantil), Leonardo e Gertrudes e O canto do cisne. Depois tratar de levar à prática nas nossas aulas as suas propostas, adaptando-as aos tempos atuais.

– Procurar informação na Internet sobre Pestalozzi e comprovar de que maneira e em que educadores importantes do movimento educativo da Escola Nova mais influiu.

 

(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.

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