G. Uz – Três dias depois, ainda nom está tudo escrito sobre o acontecido no passado 8-F em Compostela. Agora há quem fala de diferentes manifestações segundo a língua que se fala. Eu cuido que mais bem o que há é um problema óptico, de vista.
Cena 1.A
Um perigoso grupo de toureiros, guardas civis falsos, folclóricas espanholas, inquisidores, cruzados, monjas, curas e cousas várias e dificilmente descritíveis dança diante de outra gente aparentemente disfarçada que veste de preto, leva máscara e porra. No vídeo, vê-se como os primeiros bailam e fazem música (talvez de duvidoso gosto), e como os segundos reagem repartindo algumha porrada e logo empurrões. Tudo isso dura dous minutos (tirando por cima) e depois, calma e festa durante mais de uma hora.
Cena 1.B
Esse grupo é só po prelúdio dos seguidores das tácticas da guerrilha urbana, e esses incidentes foram o início de uma batalha campal na zona velha de Compostela. Os toureiros, folclóricas, monjas… armados com trombões, pandeiretas e demais por arte de magia (ou de umha transiçom audiovisual mal intencionada e umha voz em off desinfomada) convertem-se em encarapuçados a lançarem garrafas de vidro e todo tipo de objectos aos mascarados-porreiros e a prenderem lume em contentores do lixo.
Cena 2.A
A charanga de antes dança diante dos mascarados-porreiros e som gravados por várias câmaras (externas ao grupo). Contentes de serem objecto de atençom, cada vez que se aproxima umha câmara aquelam os disfarces e dam o melhor de si.
Cena 2.B
A voz em off é contundente, e assinala para o grupo. «Olhem-nos, aqui, num vídeo gravado por eles próprios», ao tempo que umha legenda indica que as imagens procedem do GZVídeos. Logo, os charangueiros som do GZVídeos? Nom eram uns radicais, prelúdio do apocalipse?
Cena 3.A
Os charangueiros, cansos de tocarem e dançarem durante quase hora e meia, dedicem ir tomar uns vinhos, mas vinhos bons, de ¡vino español!. Nestas, os mascarados-porreiros acurralam-nos e pedem-lhes as identificações.
Cena 3.B
Um pé de foto de agências (primeira foto à esquerda) fala da detençom de «dez independentistas radicais» por causarem distúrbios. Na imagem aparece um número similar de charangueiros sorrindo diante dos mascarados-porreiros. Descobriu-se a torta: os charangueiros eram independentistas radicais… e ainda por cima sorrim!
Cena 4.A
Um senhor armado com um para-chuvas dedica todo tipo de insultos a um fato de moços. «¡Tirarlos al mar, como en Chile!», berra exaltado, ao tempo que solta outras delicadezas como «¡hijos de puta!». O senhor é afastado polos mascarados-porreiros para evitar problemas, mas o senhor, com cara de mau génio, dá a volta, marcha por trás dos mascarados e bota-se acima de um moço, que se defende como pode e bate no olho do ancião.
Cena 4.B
Um independentista radical agrede a um pobre senhor indefeso que acaba com um olho mouro. O bilingüismo já tem mártir. Só interessa a sua versom dos factos, nom interessa o contexto.
Cena 5.A
As hordas galegófobas chegam à praça da Quintã e nom conseguem enchê-la. De facto, em numerosos testemunhos gráficos apreciam-se grandes, enormes, espaços valeiros.
Cena 5.B
Os meios afins (à manifestaçom) falam de fito histórico e de umha praça cheia. Pouco importa o que digam as imagens.
Nom deixa de ser curioso que o Grande Irmão, o olho que todo o vê, às vezes esteja tam clamorosamente chosco e capte cousas que se afastem tanto da realidade. Fim da transmissom.
+ Ligações relacionadas:
- Sucesso ridiculista e brutalidade policial na manifestaçom polo apartheid lingüístico na Galiza [PGL, 09/02/2009]
- Crónica enviada por Ângelo Cristóvão [PGL, 08/02/2009]
- Rejeiçons à manifestaçom galegófoba deste domingo [PGL, 07/02/2009]
- «Bilingüismo, Mr. Marshall!»: festa e humor face o espanholismo [PGL, 03/02/2009]
- Domingo 8-F: “¿¿¿Como estaba la plasa???” [Sei o que nos Figestes…]
- Balance de la protesta de Galicia Bilingüe: Todo depende del idioma en que se hable [Reportagem no El Progreso]
- Galiza batasunizouse o domingo… e desbatasunizouse o luns [Crónica no OpenVieiros]
- Castighados por palhaços [Crónica de Sei o que nos Figestes…]
- A vaca, o noso símbolo contra o españolismo [Vídeo e crónica da acçom de Isca!]
- Inédita manifestación contra o galego na capital do país [Crónica de Vieiros]
- Reportagem gráfica de GZVídeos
- Os antidisturbios cargan na manifestación de GB [Crónica e vídeos d’A Nosa Terra]
- PP e UPyD únense a Galicia Bilingüe nunha marcha ateigada de incidentes [Crónica de Xornal de Galicia]
- Dez detidos e varios feridos nos disturbios da manifestación convocada por Galiza Bilingüe [Crónica de GZNación]
- A Mesa cualifica a de hoxe como unha ‘manifestación do odio e a intolerancia, tristemente apoiada polo PP’ [Comunicado da Mesa antes da manifestaçom]
- A Mesa valora que a escasa afluencia á manifestación supón un ‘batacazo’ para os convocantes e para o PP [Comunicado da Mesa após a manifestaçom]
- Informações de Galiza Livre: 1, 2, 3, 4
- Informações do web de Nós-UP: 1, 2, 3, 4, 5
