PGL – A Loja Imperdível nom podia esquecer um autor prolífico, como José Saramago, finado há uns meses. Com O Evangelho Segundo Jesus Cristo, o posteriomente ganhador do Nobel de Literatura criou grande controvérsia em Portugal.
O livro, considerado ofensivo para a tradiçom católica portuguesa, forçou o escritor a se autoexilar da Pátria e se refugiar na ilha canária de Lanzarote.
Com umha prosa requintada, nada intrincada nem enmaranhada, e com um grande sentido do humor, de ironia e doses de irreverência foi reescrevendo algunhas pasagens da Bíblia sobre a vida de Jesus, tornando a leitura um maravilhoso prazer. Este romance, como ele próprio afirmou, está escrito para os que nom crêem. Com um Jesus real e carnal, que partilha a realidade quotidiana com as personagens com que conviveu, mais humano, com a suas fortalezas e debilidades, sem mitificaçons.
O autor quijo, com este relato, derrubar a secular história de doutrina e teologia ocidentais através da crítica à religiom católica e às religions em geral, temática que tratou também em Caim.
Em qualquer das duas obras está presente a religiosidade e divindade que deu origem a um conjunto de normas e preceitos que os homens estabeleceram em seu próprio benefício através dumha fé inquebrantável, em que tudo se justifica, sempre que for em nome de Deus. Em palavras do autor, «Deus nom é de confiança».
Quanto às persoagens, Deus é insidioso e vingativo, ainda que também temeroso; Judas é um rebelde generoso; Madalena oferece a sua madurez a Jesus e o demo, muito conhecedor das debilidades humanas, é simpático e nada mau.
Nos dous títulos, Saramago deixa ver a sua opiniom sobre a Igreja Católica. Som novelas que nos obrigam a pensar e reflectir na procura das raízes da religiom que nom som mais que os da própria civilizaçom ocidental e das suas tradiçons.
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