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O criador da primeira escola nova do Oriente, no filme “Rabindranath Tagore”

José Paz Rodrigues (*) – O presente ano foi declarado como “Ano de Tagore”, pois celebram-se os 150 anos de seu nascimento na cidade de Calcutá e os 70 de seu falecimento. Em todo o mundo estão tendo lugar numerosas atividades culturais na sua lembrança.

Vicente Risco, que foi em Espanha o descobridor de Tagore, durante muitos anos escreveu artigos sobre ele em La Centúria, Nós, A Nossa Terra e La Región, e em 1930 escutou Tagore numa conferência que pronunciou no salão de atos da universidade de Berlim. Aproveitou o momento para fazer de Tagore uma formosa caricatura.

Para comemorar o dia dos professores, que costuma celebrar-se a finais do mes de novembro, eu quero render uma homenagem ao que, junto com Jesus, considero o maior educador da história da pedagogia. A obra de Robindronath é fundamentalmente educativa, pois foi ele o criador da primeira escola nova do Oriente, seguindo o modelo das escolas novas europeias, iniciadas por Giner em Espanha com a ILE, Reddie na Escócia com a Abbotsholme, Demolins com a das Rochas na França e, entre outros, Paul Geheeb com a de Odenwald na Alemanha. Porém Tagore também foi um grande escritor merecedor do Nobel em 1913, músico, pintor, jornalista, filósofo, reformador social e peregrino por todo o mundo. Eu, junto com outros tagoreanos, considero Tagore como o “Leonardo da Vinci” do século XX.

 

Ficha Técnica do Filme:

Título original: Rabindranath Tagore (Documentário)

Diretor e Guionista: Satyojit Ray (Índia, 1961, Branco e Preto, 54 min.)

Produtora: Films Division do Governo da Índia (para celebrar o Centenário).

Música: Jyotirindra Moitra. Fotografia: Soumendu Roy.

Intérpretes: Raya Chatterjee, Sovonlal Ganguli, Smaron Ghosal, Purnendu Mukherjee, Kallol Bose, Subir Bose, Phani Nan e Norman Ellis.

Argumento: O filme é uma biografia de Robindronath, em que se recolhem os factos mais importantes da sua vida, desde o momento do seu nascimento, a sua família, os seus anos escolares, os estudos no paço familiar com precetores, a criação da escola e finalmente o seu falecimento em 7 de agosto de 1941, com o traslado dos seus restos para serem inumados diante do rio Hugli.

Prémios: Delhi e Locarno, 1961 (Medalha Ouro), Montevideu, 1962 (Menção especial)

Nota: Existe, da mesma produtora, um pequeno e interessante documentário sobre a escola de Santiniketon (Morada da Paz), criada por Tagore em 22 de dezembro de 1901.

(*) O documentário de S. Ray pode ser visualizado na íntegra aqui.

 

 

O Modelo Pedagógico Tagoreano:

Em 2001 publiquei, sob o título de “A Escola Nova de Santiniketon de R. Tagore”, dous amplos artigos, respetivamente na revista Agália (nº 67-68) em galego, e em castelhano na revista corunhesa Padres y Maestros. Para um conhecimento extenso da pedagogia tagoreana remeto para a leitura do artigo citado. No presente artigo do nosso PGL, pola lógica limitação de espaço, realizo uma síntese dos aspetos mais básicos do modelo educativo de Robindronath Tagore, que levou à prática na escola por ele criada em 1901, ampliada para universidade internacional em 1921 com o nome de Visva-Bharoti (“Sabedoria Universal”) e na sua quinta pedagógica de Sriniketon (“Morada da Abundância”) fundada em 1922. As três instituições funcionam ainda hoje, mas não, como é lógico, com a autenticidade que tinham em vida de Tagore, durante quarenta anos.

Os princípios básicos em que se baseia o modelo educativo tagoreano são os de bondade, verdade e beleza. Na sua escola levaram-se maravilhosamente à prática, debaixo de árvores centenárias, em aulas ao ar livre. Tagore acreditava no grande valor da educação para formar na generosidade, nos valores éticos de dizer sempre a verdade e nunca mentir e na educação estética, para apreciar aquilo onde existe beleza : a natureza toda, os seres humanos, a música e o canto, a poesia, a imagem e todas as belas artes. Para isto os professores da sua escola tinham de ser alegres e tratar os estudantes com carinho, respeitando a sua personalidade, gostos, ritmo de aprendizagem e criatividade. Educar para a paz e para o apreço ecológico pola natureza e a sua vida eram outros importantes princípios. Junto com o respeito polos direitos humanos e a defesa do internacionalismo, dentro do lógico apreço pola própria língua e cultura dos estudantes. Neste senso, Tagore também queria que os seus alunos fossem respeitosos com todas as religiões do mundo. Porque, acertadamente, pensava que Deus estava acima de todas as diferenças e parcialidades.

Para levar para a frente este plano pedagógico, Tagore, entre outras estratégias didáticas, organizava na sua escola o ciclo anual das festas populares de Bengala, todo o tipo de atividades artísticas e lúdicas, saídas e excursões, passeios escolares noturnos em noites de lua cheia, representações teatrais, serões, festivais, conta-contos, festa da árvore e aulas ao ar livre, debaixo de árvores, horto escolar e participação em jogos populares diversos.

 

 

Propostas para Procurar e Refletir:

– Analisar aqueles aspetos educativos tagoreanos que seria necessário pôr em funcionamento hoje nas nossas escolas: amor pola natureza e pola paz, respeito polos direitos humanos, educação ética e estética e fomento das belas artes.

– Entrar em Google e procurar muitos dos formosos aforismos que sobre infinidade de temas escreveu Tagore.

– Entrar na página (web) : www.visva-bharati.ac.in e visionar todo o que existe na atualidade no Campus educativo tagoreano de Santiniketon.

 

 

(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.

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