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O atraso político do nacionalismo autonomista galego, resenha de Eliseo Fernández

Eliseo Fernández – A crítica da obra clássica do Xosé Manuel Beiras O atraso económico de Galicia, é a desculpa que utiliza o Félix Rodrigo Mora (escritor especializado no âmbito da história do mundo rural) para fazer uma análise do processo de destruição da Galiza rural no século XX.

Conforme à sua tese, o universo agrário galego foi-se integrando no âmbito da economia capitalista no século XX e nesse caminho perdeu toda uma serie de riquezas de natureza imaterial: a assembleia aldeã do concelho aberto, as tradições de propriedade comunal e de trabalho em comum, sua língua e cultura autónoma, assim como o excelente estatuto da mulher naquele mundo agrário. Pelo contrario, a superação do atraso veio estabelecer o império do trabalho assalariado, trouxe uma multidão de males ambientais, e foi causa duma enorme destruição dos saberes tradicionais.

O texto assinala as coincidências entre o desenvolvimentismo franquista e o progressismo de certa esquerda, tanto espanhola como nacionalista, que remataram por apoiar a industrialização como única alternativa viável. No seu modo de ver, o estatalismo vai unido à implantação do capitalismo e o desenvolvimentismo, que caminham cara a mundialização, um processo uniformizador de terríveis consequências. Nesse sentido, é também muito relevante para ele a resistência da população da Galiza à opressão linguística do Estado, pois Rodrigo Mora não liga a sobrevivência do galego com a existência duma minoria conscientizada ou duma ou outra força política, senão que relaciona directamente a conservação da língua galega com a defesa que fizeram dela as classe populares, na medida em que o povo tinha uma comunidade rural compacta, estável, e possuía certo nível de auto governo.

Afinal, o que Félix Rodrigo Mora propõe é recusar os mitos do progresso e do industrialismo, para articular uma política nova, que tenha em conta a experiência da nossa história recente e ofereça uma cosmovisão, metas e programas superadores do capitalismo.

 

 

Eliseo Fernández (Ferrol, 1967)

Documentalista, historiador e militante libertário. Desenvolve suas atividades na investigação da história do movimento operário e do anarquismo na Galiza, assim como no movimento associativo da recuperação da memória histórica. Tem publicados diversos trabalhos, entre os quais “O anarquismo na Galiza: apuntes para uma enciclopedia” ou “O movemento libertario en Galiza (1936-1976)” (em parceria com Dionísio Pereira).

 

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