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Necessitamos educadores/as sociais (antologia de filmes sobre crianças marginalizadas)

Um real decreto publicado no BOE de primeiro de outubro de 1991 estabeleceu o título da diplomatura de educação social no nosso país. Desde outubro de 1994 existem estes estudos nas universidades galegas. Infelizmente, talvez por novidade, é esta uma titulação pouco conhecida entre a cidadania. E menos conhecida é ainda a sua funcionalidade e o seu campo de trabalho. Um dos aspetos pendentes da mesma é fazer-se visível e demonstrar a sua necessidade na sociedade atual e em muitos dos seus contextos. Uma necessidade muito evidente, especialmente na sociedade ocidental, que perdeu a maioria dos valores humanos. Embora pouco conhecida, já bastantes titulados estão a trabalhar como educadores/as sociais. Nomeadamente nos contextos da chamada terceira idade, onde a administração autonómica galega mais se tem preocupado.

Na Catalunha, como se passa com muitas alternativas positivas, muito antes de criar-se o título oficial, a universidade já tinha um título próprio de educação social. E também a sua ordem profissional. Dadas as circunstâncias e os múltiplos problemas sociais que existem na nossa sociedade, este tipo de profissionais são cada vez mais necessários. A sociedade atual deveria sensibilizar-se para apoiar a criação de postos de trabalho para estes titulados, a maioria ademais jovens. Tema prioritário, antes que muitos outros que às vezes, equivocadamente, apoiamos, e que não são nem urgentes nem necessários. Na Galiza contamos com estes estudos nas três universidades. Em Ourense, Corunha e Compostela.

Para exercer esta profissão, são necessárias pessoas com muitas qualidades humanas. Com dinamismo e alegria. Com valores humanos, como solidariedade, ética, compreensão, respeito e tolerância, amantes da vida e da natureza, criatividade, intuição, capacidade para refletir, saber somar e não dividir, ter humor e capacidade diretiva e, especialmente, respeitar e querer ajudar os demais. Sabendo escuitar e não impondo nem ideias nem atitudes. Ao mesmo tempo estas pessoas hão de ter um domínio de competências básicas para o seu exercício profissional. Entre as que destacam o saber desenhar planos e programas de intervenção socioeducativa em diferentes contextos. Saber pesquisar sobre necessidades e demandas. Compreender a psicologia das pessoas, saber planejar e avaliar. Ter um repertório de estratégias para solucionar os diferentes dilemas que vão surgindo durante o seu trabalho. Saber aceder aos diferentes recursos, dominar as novas tecnologias, conhecer a metodologia das dinâmicas de grupos e saber idiomas. Tudo, a poder ser, adornado de originalidade, criatividade, alegria e muitas arrobas de paciência.

Múltiplos são os contextos da atuação destes profissionais. Em primeiro lugar com a infância, dinamizando ludotecas ou brinquedotecas, apoiando as crianças desvalidas, marginalizadas pela sua etnia, a sua procedência social, ou por serem filhos de imigrantes. Pensamos que é muito urgente estabelecer uma vaga de educador/a social por cada dez unidades dos estabelecimentos educativos. E que, naqueles de jornada contínua, sejam estes profissionais que dinamizem as atividades circum-escolares em horário de tarde. Em segundo lugar um campo de trabalho importante é o da juventude. Dinamizando casas da juventude e clubes juvenis, organizando atividades de tempo de lazer positivas, que se contraponham ao botelhão. Desenvolvendo habilidades sociais e ajudando à inserção laboral de inadaptados e marginados. Na terceira idade, trabalhando em centros de dia e em residências de pessoas idosas, onde são muito necessários. Outros contextos não menos importantes são os de educadores de rua e de bairro, intervir na educação preventiva com menores, contra a violência em centros e nas gangues, contra a violência de género, hoje verdadeiro flagelo, contra o consumismo, a toxicodependência, o alcoolismo, a prostituição, a marginalidade, os crimes contra a natureza, os grupos neonazis, as máfias… Para isso devem ajudar a favorecer uma cultura de paz, a ecologia, a interculturalidade e o respeito entre todos os seres humanos. Que importante é o trabalho destes profissionais! E, no momento que vivemos, quanta falta nos fazem os/as educadores/as sociais!

Para melhor entender a necessidade vital do labor destes profissionais, elaborei uma listagem antológica de filmes sobre crianças marginalizadas. Que moram em contextos sociais em que seria para eles muito importante ter educadores/as sociais que as ajudassem.

FICHAS TÉCNICAS DOS FILMES:

  1. T.O.: Men of Boy´s Town (A cidade dos rapazes / Com os braços abertos / Homens de amanhã).
  • CIDADE DOS RAPAZES Filme CartazDiretor: Norman Taurog (EUA, 1941, 106 min., preto e branco).
  • Roteiro: James Kevin McGuinness. Produtora: MGM.
  • Fotografia: Harold Rosson. Música: Herbert Stothart.
  • Atores: Spencer Tracy, Mickey Rooney, Bobs Watson, Larry Nunn, Lee J. Cobb, Mary Nash, Henry O Neill, Darryl Hickman, Sidney Miller e Addison Richards.
  • Argumento: Filme continuador do primeiro intitulado Forja de homens. Uma escola em Omaha-Nebraska, para rapazes, trata de sobreviver apesar da falta de recursos económicos. Embora com grandes dificuldades, o seu diretor o Padre Flanagan, continua admitindo rapazes que têm sérios problemas de adaptação e conduta, como consequência de ter tido uma infância muito difícil.
  1. T.O.: Valparaíso mi amor (Valparaíso meu amor).
  • VALPARAISO MEU AMOR Filme Foto5Diretor: Aldo Francia (Chile, 1969, 90 min., preto e branco).
  • Roteiro: Aldo Francia e José Román. Produtora: Cine Nuevo.
  • Fotografia: Diego Bonacina. Música: Gustavo Becerra.
  • Nota: Ver entrando no Youtube.
  • Atores: Hugo Cárcamo, Sara Astica, Liliana Cabrera, Marcelo, Rigoberto Rojo e Pedro Manuel Álvarez.
  • Argumento: Umas crianças ficam abandonadas, porque o pai desempregado rouba gado para dar de comer aos seus, e a polícia o detém e entra no cárcere. As crianças vêm-se obrigadas a enfrentar-se com a vida antes de tempo e de uma forma brutal, pelas ruas da cidade chilena de Valparaíso.
  1. T.O.: Pixote, a lei do mais fraco.
  • PIXOTE A LEI DO MAIS FRACO Filme Capa DVDDiretor: Héctor Babenco (Brasil, 1981, 127 min., cor).
  • Roteiro: Jorge Durán e H. Babenco, segundo o romance homónimo de José Louzeiro.
  • Fotografia: Rodolfo Sanches. Música: John Neschling. Produtoras: Embrafilme e HB Filmes.
  • Nota: Ver entrando no Youtube.
  • Atores: Fernando Ramos da Silva, Jorge Julião, Gilberto Moura, Edilson Lino, Zenildo Oliveira Santos, Marília Pera, Jardel Filho, Tony Tornado, Beatriz Segall e outros.
  • Argumento: Pixote foi abandonado por seus pais e rouba para viver nas ruas. Ele já esteve internado em reformatórios e isto só ajudou na sua “educação”, pois conviveu com todo os tipos de criminosos e jovens delinquentes. Ele sobrevive se tornando um pequeno traficante de drogas, cafetão e assassino, mesmo tendo apenas onze anos.
  1. T.O.: Sleepers (A vingança adormecida).
  • A VINGANÇA ADORMECIDA Sleepers Filme Foto1Diretor: Barry Levinson (EUA, 1996, 140 min., cor).
  • Roteiro: Barry Levinson, segundo o romance de Lorenzo Carcaterra.
  • Fotografia: Michael Ballhaus. Música: John Willians. Produtora: Polygram Filmed Ent.
  • Nota: Olhar entrando no Youtube.
  • Atores: Kevin Bacon, Robert De Niro, Dustin Hoffman, Jason Patric, Brad Pitt, Minnie Driver, Vittorio Gassman, Ron Eldard, Brad Renfro, Billy Crudup, Jonathan Tucker, Joseph Perrino, Geoff Widgo, John Slattery, Terry Kinney, Bruno Kirby e Frank Medrano.
  • Argumento: Nos anos 60 quatro adolescentes que viviam em Hell’s Kitchen, em Nova Iorque, ferem acidentalmente uma pessoa gravemente. Eles são condenados a ir para um centro de reabilitação juvenil, onde são humilhados de todas as formas possíveis, tendo inclusive sofrido abusos sexuais dos guardas. No início dos anos 80, dous deles encontram por acaso num bar o guarda que mais os humilhou. Nesta hora a vingança dos quatro amigos tem seu início.
  1. T.O.: Barrio (Bairro).
  • BAIRRO Filme Foto00Diretor: Fernando León de Aranoa (Espanha, 1998, 94 min., cor).
  • Roteiro: F. León de Aranoa. Produtoras: Sogetel, Elias Querejeta, Mact Pr. e M.G.N. Filmes.
  • Fotografia: Alfredo Mayo. Música: “Hechos contra el decoro”.
  • Prémios: Em 1998. Leão de Prata ao melhor diretor no Festival de Donóstia e 3 Prémios Goya (melhor diretor, roteiro e atriz revelação).
  • Nota: Ver entrando no Youtube.
  • Atores: Críspulo Cabezas, Timy, Eloi Yebra, Marieta Orozco, Alicia Sánchez, Enrique Villén, Francisco Algora e Chete Lera.
  • Argumento: Num desses bairros situados ao sul das grandes cidades, a que não chega nem o metro nem o dinheiro, Xavi, Manu e Rai são companheiros de liceu, mas, antes de tudo amigos. Têm essa idade em que nem se é homem nem se é criança, em que se fala muito de moças e muito pouco com elas. Partilham também a vida no bairro, o calor do verão e um montão de problemas. O primeiro é o próprio bairro, um bairro de grandes blocos de vivendas sociais, de paredes de bairro escuro e arquitetura deprimente e depressiva. Ali há poucas cousas para fazer, e em agosto ainda menos. O centro da cidade fica longe e as comunicações são muito más, pelo que os três amigos passam a maior parte do tempo pelas ruas do bairro.
  1. T.O.: El Bola (O Bola).
  •  O BOLA Filme Foto5Diretor: Achero Mañas (Espanha, 2000, 84 min., cor).
  •  Roteiro: Verónica Fernández e A. Mañas. Produtora: Tesela P.C.
  •  Fotografia: Juan Carlos Gómez. Música: Eduardo Arbide.
  •  Prémios: 4 Goyas em 2000 (melhor filme, direção, roteiro e ator revelação).
  •  Nota: Olhar entrando aqui.
  •  Atores: Juan José Ballesta, Pablo Galán, Manuel Morón, Alberto Jiménez, Ana Wagener, Nieve de Medina, Gloria Muñoz, Javier Lago e Soledad Osorio.
  •  Argumento: “El Bola” é um rapaz de 12 anos que vive numa atmosfera sórdida e violenta. A sua situação familiar, que esconde envergonhado, incapacita-o para relacionar-se e comunicar-se com outros rapazes. A chegada de um novo companheiro à escola dá-lhe a oportunidade de descobrir a amizade e uma realidade familiar completamente diferente. Tudo isto lhe vai dar a força necessária para aceitar e, ademais, afrontar a sua própria situação.

CADA ESCOLA DE 10 UNIDADES DEVERIA TER UM/A EDUCADOR/A SOCIAL:

Infelizmente, os/as educadores/as sociais estão muito esquecidos. Profissionais que, embora existam com a sua titulação e diploma desde há anos (muitos no desemprego ou com empregos precários), quantos são os cidadãos que conhecem a existência de curso tão importante nos nossos campus? Se não se conhecem, ou se se conhecem pouco e por poucas pessoas, é difícil ver o importante labor que os educadores e educadoras sociais, podem e deveriam desenvolver em numerosos e variados contextos na nossa sociedade. Com uma situação tão crítica neste momento, e com tanta ausência de valores humanos. O labor prioritário dos educadores sociais é a educação preventiva. Essa tão valiosa e a que, infelizmente, tão pouca importância damos. E assim vamos nós. O seu campo de trabalho é a educação informal, para mim muito mais importante que a formal. Como também o era para esse grande pedagogo que foi Cossío. E para Don Bosco, os Padres Flanagan e Américo e Tagore. Quando os cidadãos sejam conscientes, depois de refletir bem, que o tempo de ócio ou lazer é importante na vida das pessoas, que desde crianças há que despertar nas mesmas interesses positivos (amor pela leitura, pela música, pelo teatro, por escrever, por brincar adequadamente, por comunicar-se com os outros, sendo solidários, pela paz e a não violência, pelo respeito ao meio e aos idosos, pelos direitos humanos…), então, e só então, hão de ver o fundamental que é o labor e papel dos que estudam para serem educadores sociais. E hão reclamar a sua presença em muitos lugares, com um salário digno e um trabalho não temporário. Com rapazes em ludotecas e brinquedotecas, em campos de férias urbanos e na natureza (mar, rio ou montanha), com filhos de imigrantes para ajudar na sua integração, organizando atividades circum-escolares nos estabelecimentos de ensino de jornada contínua, e apoiando os docentes no desenvolvimento do seu ensino diário. Com jovens em casas de juventude, grupos juvenis e ecológicos, associações juvenis, fomentando entre eles a positiva utilização do seu tempo de lazer, ou como educadores de bairro trabalhando pela sua integração social e laboral, e ajudando a grupos de menores em risco, com trabalho preventivo. Melhor que depois ter que intervir, quando os problemas já apareceram. Em centros de menores ou reforma. Com pessoas adultas em centros de dia ou em residências e centros de acolhida. Com imigrantes, para ajudá-los a encontrar emprego, para a sua formação, inclusive a linguística, para conseguir a sua integração em todos os âmbitos sociais, e prevenir assim que não surjam diferentes problemas, de violência, marginação, racismo e outros. Também são muito importantes os educadores sociais na educação permanente de adultos.

O seu labor é tão fundamental, que não deve admirar ninguém que fossem os catalães os pioneiros na criação deste curso, adiantando-se em quase uma década ao resto das comunidades autónomas, ao criar um título universitário próprio. Porque ninguém pode discutir que o povo catalão tem muito mais claras as cousas positivas que os demais, e vão sempre à frente. Nas nossas universidades já temos desde há certos anos várias promoções diplomadas. Eu considero estes estudos como muito importantes, merecedores de maior consideração entre todos nós e a nível da cidadania. Ao longo de todos estes anos passaram pelas aulas destes estudos infinidade de alunos e alunas com verdadeiros valores, de solidariedade, alegria, desejos de ajudar aos demais, altruísmo, amor à vida, apreço pela paz, amor à natureza… Porque é este um curso em que é fundamental ter vocação e ter dinamismo e liderança. Ao longo dos anos mesmo houve algumas promoções fantásticas. Pela sua bondade, generosidade e alegria. Uns para trabalhar com crianças, outros com jovens, outros com idosos e outros com grupos marginalizados pela sociedade. Segundo os seus gostos e preferências. Por isso, que importante seria que toda a nossa sociedade fosse consciente de que necessitamos vitalmente da presença dos educadores sociais em muitos lugares! Tanto como a boa água de maio. E não a saraiva.

INFÂNCIA MARGINALIZADA NUMA PERSPETIVA EDUCACIONAL:

A educadora social brasileira Simone escreveu o texto que, pelo seu interesse, tenho a bem reproduzir no presente depoimento:

“Tendo como primazia a infância e a juventude, e sendo este fator estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente, esta deverá ser vista reconhecidamente e disseminada como um elemento essencial para o desenvolvimento do ser humano, procurando compreender que para se ter adultos inseridos num contexto social, deve-se atentar para essas crianças que estão nas ruas, sendo usadas para a marginalidade como o tráfico de drogas, prostituição, entre outros, inserindo-as numa perspectiva educacional, com a obtenção da retirada dessas crianças neste meio tão devastador.

O tema criança marginalizada, embora ser de conhecimento de todos, ainda há o processo histórico de identificação das demandas sociais, e em vista disso, não raramente, tem levado a opinião pública a proceder a equivocada transferência do problema ao público-alvo das ações, rotulando e estigmatizando os segmentos atendidos, dando expressão a noções que integram as clássicas matrizes do controle e acomodação social. Deste modo, o papel das políticas públicas, seja na formulação dos problemas, seja na implementação de ações, deverá ser bastante significativo. A criança brasileira tem direitos constitucionalmente assegurados, mas, na prática, ainda falta muito para que a cidadania infanto-juvenil seja respeitada. Criança é credora de proteção integral em razão de sua condição de pessoa em desenvolvimento e necessitar de prioridade, de proteção e socorro, no atendimento dos serviços públicos ou de relevância pública, na preferência na formulação e execução das políticas sociais públicas e destinação privilegiada de recursos públicos.

O perfil social da população infanto-juvenil que vive nas ruas, aponta na direção de miséria e desemprego, além do comprometimento com drogas e exploração de toda a natureza. Crianças são alugadas por adultos para serem usadas para mendigar, adolescentes são usados por traficantes para vender drogas, crianças são usadas por receptadores para furtar toca-fitas e carteiras de passantes, adolescentes são exploradas por rufiões para vender seu corpo na prostituição infanto-juvenil, crianças são negligenciadas por seus pais que permitem que passem fome e necessidades, e negam o acesso à instrução primária, expondo os filhos a perigo direto e iminente. Todas as situações legais descritas posicionam crianças e adolescentes como vítimas da ação violenta, cruel e covarde de adultos, entretanto, a opinião pública é levada a olhar para essas vítimas como agentes de violência. Alguns querem vê-las presas e há quem proponha que sejam segregadas antes mesmo da previsão legal de responsabilidade socioeducativa a partir dos 12 anos, e apregoam a construção para conter esses “perigosos” agentes que ousam reagir a tanta violência e opressão.

Por outro lado, há quem se preocupe em promover outro tipo de resolução para esses problemas sociais, como por exemplo, a inserção dessas crianças na educação. É sabido, não ser fácil tirar essas crianças e adolescentes da marginalidade, pois, muitas delas entram neste meio, por diversos motivos, o principal é a pobreza. Elas veem o tráfico de drogas como um agente facilitador de obter dinheiro, e muitas vezes são forçados pelos pais a entrarem neste ambiente para ajudar nas despesas da casa, sendo em alguns casos a única alternativa que a maioria dos jovens encontram para sobreviverem. Efetivamente, o envolvimento de crianças no tráfico de drogas é apenas o sintoma de um problema muito maior, de exclusão social. Contudo, se esse problema não for tratado de forma articulada, é praticamente impossível mudar a situação. Hoje em dia, o que a sociedade está negando a esses jovens infelizmente é oferecido pelo tráfico de drogas.

Neste contexto, a questão da infância e da adolescência desamparadas, acrescentam-se o ingresso precoce no mundo do trabalho, e com a consequência do aumento da pobreza entre as famílias residentes nos centros urbanos, acabou por contribuir para que esse fenômeno aumentasse. Identifica-se ainda uma série fatores, que levam as crianças e aos adolescentes a entrarem neste mundo da marginalidade. A questão da pobreza, obviamente, e a exclusão social desses jovens, a quem falta perspectiva de futuro. Essa é a realidade no país atual. O problema é que está cada vez mais difícil adentrar neste mundo tão particular, para ter acesso a esses jovens e procurar inseri-los numa educação adequada, procurando dar-lhes um pouco de perspectiva e dignidade e, colocá-los num contexto social.

Doravante as crianças e adolescentes encontradas nas ruas devem ser encaminhadas aos Conselhos Tutelares para que recebam as medidas de proteção previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Adultos, se familiares, devem receber igual socorro social, se não forem familiares terão que responder perante a autoridade policial por essa guarda ilegal.

Constata-se desta forma um quadro dramático, onde é preciso providências urgentes da família, do poder público e da sociedade no sentido de assumir as responsabilidades e sair em defesa do futuro dessas crianças, tal qual o ar que se respira e a água que se bebe, se não cuidar das crianças do país, protegendo-as de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão dificilmente essas mesmas crianças que vivem na marginalidade conseguirão sobreviver por um longo tempo.

Entretanto, espera-se que o Juizado da Infância e da Juventude se posicione e também possa contar com a sensibilidade de toda a população pretendendo cumprir o seu papel de zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias legais assegurados às crianças e adolescentes. No entanto, os investimentos de educação básica, indiscutivelmente de grande importância, não têm se mostrado suficientes diante da atual situação agravante no que tange a infância marginalizada do país. Em face de esta situação, é necessário destacar no que diz respeito ao fato de que ainda é um objetivo proclamado a defesa do direito de todas as crianças à educação infantil, sendo notório infelizmente que são poucas as crianças que tem esse acesso à educação e a uma qualidade de vida mais digna. Necessário também, é a disponibilidade de alguns educadores de irem até essas crianças, com o intuito de resgatá-las do meio da marginalidade, e inserindo-as numa perspectiva de educação mais abrangente, promovendo uma interação do adulto com a criança, e dando-lhe oportunidades a viverem numa sociedade mais justa e qualitativa.

Ora, o homem não é um ser passivo. Por isso, perante uma determinada situação, cada um reage de acordo com sua escala de valores e os valores inteletuais deveriam ser maiores do que os econômicos, ou seja, onde for, será necessário dar ênfase aos valores inteletuais, a importância da pessoa humana e o direito de todos participarem igualmente dos progressos da humanidade. Assim, o papel do educador, bem como, da sociedade em geral, deverá abranger toda uma realidade em que vive as crianças e os adolescentes. Além disso, cabe a estes, além de motivar, de encontrar métodos e técnicas de ensino que despertem a curiosidade dos mesmos, ter incumbência de propiciar meios e formas de possibilitar o acesso à educação, dessas crianças que vivem na rua sendo marginalizadas e tendo acesso a drogas e a armas, e, sobretudo, que a sociedade tenham responsabilidade de reverter essa situação.

Assim, a infância marginalizada é efeito de diversos problemas existente na sociedade atual. Se não tratar desses problemas, tais como, exclusão social, perspectivas para jovens, marginalização de várias áreas na cidade, geograficamente, economicamente e socialmente, pobreza e exclusão, a situação tende a agravar-se cada vez mais. Sabe-se, contudo, que é por meio da educação que a criança e ao adolescente se interage com o mundo, cria expectativas, desenvolve-se qualitativamente, e especialmente, adquire condições de se preparar para uma vida profissional, melhorando sua qualidade de vida.

Um dos desafios da sociedade para a prática cotidiana desse resgate, é assumir as especificidades do problema maior que é a pobreza no país, devendo rever as concepções existentes no trato com essa infância marginalizada existente, e adquirindo a consciência da necessidade de promover a integração dessas crianças e adolescentes com a sociedade, inserindo-as num contexto social. Em verdade, esse resgate é um processo em construção, mas esse processo não deverá somente atingir à infância marginalizada, mas também a visão da sociedade deve ser mudada, quando muitos conceituam ainda que essas crianças que vivem nas ruas, somente como marginais e não veem possibilidades de inseri-las em uma educação. Nessa perspectiva, nota-se o descontentamento ante a política educacional e ante a maneira como vem sendo implantada a reforma educacional no país, tanto nos aspectos gerais como nos especificamente relacionados com a educação infantil.

Portanto, a esperança que se tem é que os educadores comprometidos com a defesa da educação e dos direitos das crianças à educação infantil, continuem a organizar e proporcionar espaços e situações de aprendizagem que articulem os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas de cada criança e adolescente, aos seus conhecimentos preliminar e aos conteúdos referentes aos diferentes campos do conhecimento humano”.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo dos 6 filmes antes resenhados.

Consultando a bibliografia existente e a internet, elaboramos uma monografia sobre as Cidades dos Rapazes que houve e há no mundo, analisando as suas alternativas para recuperar socialmente crianças adolescentes e jovens. Entre elas temos as dos Padres Flanagan em Omaha-Nebraska, Américo em Paços de Sousa-Portugal, e Silva em Bemposta-Ourense, esta tristemente desaparecida.

De forma cooperativa entre educadores, professores e estudantes, elaboramos uma proposta de atividades educativas, lúdicas e artísticas para trabalhar com crianças marginalizadas. Tal plano-proposta pode ser apresentado nos diferentes concelhos e deputações para poder leva-lo à prática, com a sua cooperação económica e as infraestruturas que tenham.

 

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