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Na memória das vítimas do Holocausto (Filme: «A Lista de Schindler»)

O Dia Internacional da Lembrança do Holocausto é um dia internacional da lembrança das vítimas do Holocausto, o genocídio cometido pelos nazistas e seus adeptos que ceifou a vida de milhões de judeus, dous milhões de ciganos, quinze mil homossexuais e milhões de outros durante a II Guerra Mundial. Ele foi designado ao dia 27 de janeiro, pela resolução 60/7 da Assembleia Geral das Nações Unidas em 1 de dezembro de 2005, durante a 42ª sessão plenária desta organização. A resolução veio após a sessão especial realizada em 24 de janeiro de 2005, durante a qual a Assembleia Geral marcou o 60º aniversário da libertação dos campos de concentração e do fim do Holocausto. 27 de janeiro é a data, em 1945, que marca a liberação do maior campo de extermínio nazista, Auschwitz-Birkenau, pelas tropas soviéticas. Antes da resolução 60/7, existiam vários dias nacionais de comemoração, como o Dia da Lembrança das Vítimas do Nacional-Socialismo, na Alemanha, criado através de um decreto do presidente Roman Herzog em 3 de janeiro de 1996, e o Dia do Holocausto no Reino Unido, observado desde 2001 em 27 de janeiro. O Dia da Lembrança do Holocausto também é uma data nacional de comemoração na Itália.

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é celebrado cada 27 de Janeiro, e foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 1 de Novembro de 2005, através da resolução 60/7 antes citada. Este dia tem como objetivo lembrar a data de 27 de Janeiro de 1945, quando o Exército Soviético libertou as pessoas que estavam no maior campo de concentração do regime nazista em Auschwitz na Polónia. Todos os anos o secretário-geral da ONU traz uma mensagem em memória das vítimas do holocausto, lembrando os horrores e relembrando a necessidade de respeito aos diretos humanos dentro da sociedade.

A origem do Holocausto está no pensamento racista do regime nazista, que pregava a superioridade da raça ariana, que não poderia se misturar com outras raças e considerava os judeus e outras minorias vulneráveis como negros e homossexuais, como inimigos que deveriam ser eliminados, para que houvesse apenas uma raça superior. A consolidação desse pensamento gerou extermínio de milhões de judeus, pelo regime nazista, durante a Segunda Guerra Mundial em toda a Europa. Esse extermínio aconteceu de diversas formas, sendo que uma das mais comuns era o envio dos judeus e grupos de minorias, inclusive crianças, para os campos de concentração, onde eram torturados, humilhados e por fim exterminados por diversos tipos de atrocidades.

A LISTA DE SCHINDLER Foto2Utilizando de técnicas científicas, os nazistas levaram a cabo o plano de purificação das raças, levando os judeus para campos de concentração, onde os mesmos após grande sofrimento, eram assassinados, na grande maioria por câmara de gás, onde eram amontoados e presos dentro de uma sala fechada, onde seria liberado um tipo de gás fatal. Em outros casos a morte acontecia por fuzilamento. Após o extermínio os corpos eram cremados em fornos crematórios e em alguns casos em crematórios ao ar livre. Um dos maiores campos de concentração era o de Auschiwitz na Polônia, onde se tem registro que em apenas 3 dias morreram mais de 22 mil judeus. A estratégia nazista contabilizou cerca de 6 milhões de mortos em campos de concentração, além dos que eram mortos em cidades controladas por nazistas ou que nem chegavam aos campos.

A LISTA DE SCHINDLER Pedaço copia da listaO ano de 2013 a comemoração da data dedicou-se ao tema do resgate durante o Holocausto: a coragem de se importar, prestando homenagem àqueles que arriscaram suas vidas e de suas famílias para salvar judeus e outros da morte quase certa sob o regime nazista. Rejeitando qualquer negação do Holocausto como um acontecimento histórico, na íntegra ou em parte, a Assembleia Geral da ONU adotou por consenso, em 2005, a resolução citada ao início na qual condena “sem reservas” todas as manifestações de intolerância religiosa, incitação, assédio ou violência contra pessoas e comunidades com base na origem étnica ou crença religiosa, onde quer que ocorram. E que se designe o dia 27 de janeiro como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, solicitando aos Estados-Membros que desenvolvam programas educacionais para que a tragédia não seja esquecida pelas gerações futuras com o objetivo de evitar que atos de genocídios voltem a acontecer. Algumas dessas histórias alcançaram destaque icónico, como a história de Raoul Wallenberg, um diplomata sueco que ajudou a salvar dezenas de milhares de judeus em Budapeste. Mas as histórias de muitos dos salvadores são conhecidas apenas por aqueles que se beneficiaram de seus atos corajosos. Mesmo houve dignas pessoas galegas e portuguesas e algum embaixador do governo republicano que ajudou a salvar bastantes pessoas judaicas, aos quais o povo de Israel no seu momento os honrou reconhecendo-os com o título de «Justos entre as Nações». Um destes «Justos» foi sem dúvida, e também assim reconhecido no seu dia, Óscar Schindler, protagonista dum maravilhoso filme que escolhi, por ser o mais adequado, para este meu depoimento. Com a finalidade de que crianças e jovens conheçam a realidade da barbárie do holocausto judeu, e quando sejam maiores e tenham postos de responsabilidade, impeçam com todas as forças que voltem a repetir-se factos como os que aparecem no filme, ou cheguem ao poder em seus países pessoas de pensamento fascista, nazista ou fundamentalista. Com o título de A lista de Schindler, o filme foi realizado em 1993 pelo diretor americano Steven Spielberg.

FICHA TÉCNICA DO FILME:

  • A LISTA DE SCHINDLER Capa DVDTítulo original: Schindler´s List (A lista de Schindler).
  • Diretor: Steven Spielberg (EUA, 1993, 195 min., preto e branco).
  • Roteiro: Steven Zaillian, segundo o livro do mesmo título de Thomas Keneally.
  • Música: John Willians. Fotografia: Janusz Kamisnki.
  • Produtoras: Universal Pictures e Amblin Entertainment.
  • Nota: Pode ver-se dobrado completo entrando aqui.
  • Prémios: Todos em 1993. Melhor filme pelo National Board of Review. Melhor filme e ator secundário pelo Círculo de Críticos de Nova Iorque. 7 prémios BAFTA, incluindo ao melhor filme e diretor. Em 1994 conseguiu 7 óscares ao melhor filme, realizador, diretor de arte, fotografia, música, roteiro adaptado e à melhor montagem.
  • Atores: Liam Neeson (Óscar Schindler), Ben Kingsley (Itzhak Stern), Ralph Fiennes (Amon Goeth), Caroline Goodall (Emilie Schindler), Embeth Davidtz (Helen Hirsch), Mark Ivanir (Marcel Goldberg), Andrzej Seweryn (Julian Scherner), Elina Lowensohn (Diana Reiter), Erwin Leder (Waffen, oficial das SS), Olaf Lubaszenko (Guarda de Auschiwitz), Wojciech Klata (Lisiek), Henryk Bista (Sr. Lowenstein), Gotz Otto (Plaszów, guarda das SS), Hans-Michael Rehberg (Rudolph Hoss), Agniezska Wagner (Brinnlitz Girl), Jochen Nickel (Wilhelm Kunde), Maja Ostaszewska (Frantic Woman), Wieslaw Komasa (Plaszów Depot, guarda das SS), Michael Gordon (Sr. Nussbaum) e outros muitos.
  • Argumento: A inusitada história de Oskar Schindler, um sujeito oportunista, sedutor, “armador”, simpático, comerciante no mercado negro, mas, acima de tudo, um homem que se relacionava muito bem com o regime nazista, tanto que era membro do próprio Partido Nazista (o que não o impediu de ser preso algumas vezes, mas sempre o libertavam rapidamente, em razão dos seus contatos). No entanto, apesar dos seus defeitos, ele amava o ser humano e assim fez o impossível, a ponto de perder a sua fortuna mas conseguir salvar mais de mil judeus dos campos de concentração.

UM FILME EXTRAORDINÁRIO E SURPREENDENTE:

A LISTA DE SCHINDLER Foto5Que motivos levaram uma nação que foi berço dos maiores filósofos e músicos da história a se render a uma ideologia que pregava o ódio e a intolerância? Como podem as diferenças entre seres humanos tornarem-se desculpas para que atos bárbaros sejam cometidos? O que leva uma pessoa aparentemente normal a matar a sangue-frio um semelhante seu como se fosse um inseto?

Não era o objetivo do diretor Steven Spielberg responder a essas perguntas, mas é impossível não formulá-las ao final de ”A Lista de Schindler”, filme que finalmente deu ao cineasta após a série ”Indiana Jones” e ”Tubarão” o status de diretor sério. Filmado a preto e branco para, segundo Spielberg, deixar o filme menos insuportável devido à violência gráfica de algumas cenas, ”A Lista de Schindler’‘ é construído sobre um ótimo roteiro de Steven Zaillian que mostra com tintas extremamente realistas a perseguição aos judeus na Polônia e sua recolocação no Gueto de Cracóvia, em 1941, onde famílias inteiras eram amontoadas em pequenos quartos, até a transferência de todos para o infame campo de concentração comandado pelo sociopata Amon Goeth (Ralph Fiennes, em sua estréia no cinema). É impossível não se emocionar com o poder das imagens dirigidas com surpreendente comedimento por Spielberg e captadas magistralmente pela câmera de Janusz Kaminski. As cenas de mulheres, homens e crianças sendo friamente assassinados com tiros na cabeça são de uma crueza insuportável, mas nunca apelativas ou redundantes.

A LISTA DE SCHINDLER Foto10Mas o que difere ”A Lista de Schindler” de tantos outros filmes sobre o Holocausto Nazista é o caráter profundamente humano e realista que os realizadores conseguiram imprimir à obra, até mesmo ao retratar o monstruoso líder do campo de concentração, Goeth. Apesar de ser o ”herói” do filme, Schindler é mostrado como um empresário ganancioso e sem escrúpulos que se enriqueceu aproveitando-se da guerra e do fato que podia usar judeus em sua fábrica pagando menos. A princípio ele mantém-se afastado dos horrores que acontecem à sua volta, mas vai gradativamente sensibilizando-se até o ponto de sentir-se obrigado a agir em favor dos oprimidos. Para tentar ilustrar o ponto da transformação do protagonista, Spielberg construiu duas sequências chave usando um recurso até certo ponto simples, porém extremamente eficaz: a menina do vestido vermelho que ganha cores por meio de trucagem na pós-produção, vista correndo perdida no meio dos nazistas e, depois, já morta sendo levada para a pilha de cadáveres queimando. É nesta cena que ”A Lista de Schindler” atinge seu ápice como obra cinematográfica, numa perfeita fusão de som, imagem, música (uma das obras-primas de John Williams) e interpretação do elenco capaz de arrepiar todos os pelos do nosso corpo. A partir daí o filme vira uma corrida contra o tempo, na qual Schindler tenta salvar o máximo de seus empregados que pode, usando para isso toda a sua fortuna. É impressionante o poder que o filme tem sobre quem o assiste, mesmo numa revisão. O impacto do registro quase documental daquela monstruosidade praticada em nome de uma suposta ”raça superior” e de uma ideologia grotesca (que lamentavelmente ainda encontra seguidores até hoje) vai continuar chocando sempre, independente de credo religioso ou ideologia política.

”Aquele que salva uma pessoa, salva o mundo inteiro” foi a frase de efeito usada na campanha de marketing do filme. E ela não deixa de ser verdade, tendo em vista o vasto número de pessoas que estão vivas hoje, entre sobreviventes diretos e seus descendentes, graças à lista do industrial alemão.

UMA SUCINTA HISTÓRIA DO HOLOCAUSTO:

A Comunidade Judaica do Brasil, no seu Portal, redigiu um amplo estudo ao redor do holocausto, que pelo seu grande interesse tenho a bem reproduzir no presente depoimento.

Em 30 de janeiro de 1933, Adolph Hitler foi nomeado pelo presidente Hindenburg chanceler (chefe de governo da Alemanha). Este era chefe do partido Nacional Socialista (nazista) cuja “teoria” era a discriminação e racismo. A Alemanha foi denominada Terceiro Reich. Começaram as perseguições aos comunistas, social democratas e judeus. O partido nazista foi declarado único partido legal da Alemanha. Outros foram declarados fora de lei. Judeus perderam cidadania alemã. Em 10 de dezembro, Hitler declara o nazismo único partido permitido por lei. Em 2 de agosto de 1934, Hindenburg morre e Hitler se torna chanceler e chefe do exército e das forças armadas. Os judeus passaram a ser declarados inimigos do Estado. Foram banidos dos empregos públicos e obrigados a usar a estrela amarela, uma na frente e outra nas costas, para diferenciá-los do restante da população. Era-lhes proibido empregar qualquer mão de obra não judaica. Além disso, não puderam exercer nenhuma profissão liberal. Em 1935, foram proclamadas leis racistas, chamadas Leis de Nuremberga. Nestas leis, era proibido aos judeus casar ou manter relações com arianos, ato este considerado vergonha racial. Quem desrespeitava estas leis era preso e levado para campos de concentração. O primeiro campo de concentração era Dachau, que foi criado em 23 de abril de 1933. Em 7 de março de 1936, tropas alemãs violando o armistício assinado em Versalhes, ocupam Renânia. Nenhum país reclamou. Isto foi o primeiro erro das potências que no final levou à Segunda Guerra Mundial. Tivesse naquela época resistido, o mundo teria levado outro rumo. Só não esboçaram resistência porque nazismo apresentava-se como campeão contra o comunismo, e é por isso que foi tolerado. Os nazistas, sabendo disso, aproveitavam-se da ocasião. Em 25 de outubro de 1936, Hitler e Mussolini fazem o acordo chamado Acordo Roma-Berlim. Em 25 de novembro, o Japão se junta a este pacto, denominando-se eixo Roma-Berlim-Tóquio. Em 16 de julho de 1937 abre mais um campo de concentração, Buchewald. Em 5 de novembro do mesmo ano, numa reunião secreta apresenta os planos para a guerra. Em 13 de março de 1938, o exército alemão toma a Áustria, e aplica leis antijudaicas. Novamente o mundo ficou calado. Em 22 de abril, um decreto elimina oficialmente os judeus da economia alemã. Os alemães assumem seus lugares. Em 15 de junho, começam as prisões dos judeus anteriormente presos, inclusive por violação das Leis de Trânsito. Naquela época, os nazistas queriam que os judeus saíssem da Alemanha. Porém, não havia lugar para eles. Foi improvisada uma conferência internacional em Heviam, França, para achar um lugar para os judeus se refugiarem. Ninguém os queria. A conferência acabou em fracasso.

A LISTA DE SCHINDLER Foto17Em 29 de setembro de 1938, em Munique, a França e Grã-Bretanha concordam com a anexação dos Sudetos Checos. Em 5 de outubro, a sugestão do Governo Suíço os passaportes dos judeus alemães são marcados com a letra J. Este procedimento era para bloquear a entrada de judeus alemães na Suíça.

Em 28 de outubro, os judeus não nascidos na Alemanha foram presos, os bens confiscados, e levados (mandados) para fronteira com a Polônia e lá simplesmente jogados. De início a Polônia não quis deixá-los entrar. Ficaram ao relento, em condições muito precárias. Só depois de um tempo o governo polonês lhes consentiu a entrada. Entre esses infelizes havia uma família de apelido Grynszpan. Em 7 de novembro, o filho Herschel se achava em Paris. Revoltado com este procedimento aplicado a seus pais, atira num dos funcionários da embaixada alemã em Paris. Isto deu às organizações nazistas a oportunidade de organizar um massacre (Pogrom) à pacífica e ordeira comunidade judaica na Alemanha. Este massacre foi planejado pelo Heydrich Goebbels e Goering. Esta noite de 9 de novembro foi denominada Kristall Nacht, ou Noite dos Cristais. Isto porque os nazistas quebraram as vitrines e vidros de residências e lojas judaicas e a luz da lua quando iluminava (refletia) o chão os fazia (os vidros parecerem) refletir como cristais. Foram queimadas também todas as sinagogas na Alemanha. Sete mil e quinhentas oficinas foram destruídas e centenas de residências danificadas. Os prejuízos eram calculados em várias centenas de milhões de marcos. Mil judeus foram assassinados. Vinte e seis mil foram mandados para campos de concentração.

De fato, com a noite de cristal começou o Holocausto. Os nazistas queriam saber até onde poderiam ir com seus planos macabros, sem arriscarem-se de serem censurados por outros países. E viram que não há limites. Tinham luz verde. Poucos e tênues protestos foram expressados. A trajetória para o Holocausto estava aberta. De 12 a 15 de novembro todas as crianças judias foram expulsas das escolas. No mesmo dia foi decretado a expropriação compulsória de todas as oficinas, indústrias e estabelecimentos comerciais dos judeus. Em primeiro de janeiro de 1939 foi adicionado aos documentos de judeus para homens de Israel e para mulheres Sarah. Em 30 de janeiro, no Parlamento (Reichstag) Hitler proclama que em caso de guerra “a raça judaica será exterminada na Europa”. Em 15 de março de 1939, o exército alemão ocupa a “Czechoslovakia” sem oposição de nenhuma nação. Em 23 de agosto a Alemanha nazista assina um pacto de não agressão com a União Soviética (Rússia comunista). Em 10 de setembro a Alemanha invade a Polônia, e começa a Segunda Guerra Mundial. Começa a perseguição e extermínio dos judeus na Polônia. A Polônia é dividida. Uma parte até o Rio Warta que compõe várias províncias polonesas é anexada ao Terceiro Reich, Alemanha. A outra parte é declarada governo polonês, governado pelo conhecido carrasco nazista Hans Frank. No final de 1939, começam a ser estabelecidos os primeiros guetos. Estão sendo levados aos guetos na Polônia judeus da Áustria e Morávia (Tchecoeslováquia). No governo geral, Hans Frank, governador (líder) do governo geral da Polônia ocupada, cria os primeiros Judenrat (conselhos de judeus) em cada cidade. Estes conselhos eram responsáveis pela comunidade judaica (judeus) em cada lugar de ocupação alemã.

Na Idade Média, foram criados dentro das cidades lugares destinados a moradia dos judeus. Judeus na época eram considerados propriedade dos bispos, príncipes e reis. Era proibido judeus morarem misturados com cristãos. Com o fim da Idade Média, acabaram também os guetos. Com o avanço do nazismo, os guetos foram novamente restaurados. As principais cidades escolhidas para construir guetos eram as maiores da Polônia como Varsóvia, Lodz, Cracóvia, Lvov, Lublin e Radon, todas elas com grande população judaica. Uma vez judeus concentrados, os guetos ficaram hermeticamente fechados. Em 10 de maio foi criado o primeiro gueto no século XX, na cidade de Lodz. Em outubro do mesmo ano, Varsóvia. Em março de 1941, Cracóvia. Lublin e Radon, em abril. Lvov, em dezembro. Em seguida, foi a vez de Vilno, Czestochowa, Kovno e outros. No final de 1941, o processo foi quase completo. Os métodos essencialmente eram sempres os mesmos. Na concepção dos alemães, os guetos não foram criados com intuito de permanência, mas sim passageiro. O chefe nazista Friedrich Uebelhor, descreveu desta maneira os guetos: a criação deles com certeza é uma medida transitória. Eu determinarei em que tempo, inclusive a cidade de Lodz, será livre de judeus. A final das contas, de qualquer maneira temos que queimar esta praga bubônica.

Também em outros países, sob influência alemã, foram criados guetos, como por exemplo Czernowitz onde foram postos 50 mil judeus. No gueto de Varsóvia, o maior deles, foram postas 500 mil pessoas. Na cidade de Lodz, num espaço onde cabia de 20 a 30 mil pessoas, foram postos 160 mil. E também assim foi nas outras cidades. Logo começaram a grassar doenças, sujeira e mortes. O que mais se fala, as vidas, era fame. Praticamente não havia comida. No primeiro mês o gueto de Lodz havia em volta de 5 mil mortos. Os cadáveres na maior parte das vezes eram levados para a rua para serem recolhidos por um grupo denominado comando dos mortos, criado pela Judenrart. Os mortos eram postos numa vala comum e cobertos com cal virgem (depoimento do sobrevivente do gueto, Sr. Aleksander Laks). Os alemães ordenaram a Judenrart a construir fábricas e oficinas onde os judeus (teriam) trabalhavam em troca de ração de 200 calorias por dia. Para viver um ser humano necessita de 2400 calorias diárias. Isto os alemães recebiam. Os poloneses recebiam 1200 calorias diárias. Porém, eram livres e podiam comprar dos agricultores para completar a ração. Os judeus que estavam confinados e presos nos guetos recebiam 200 calorias. É provável que com esta dieta de 200 calorias uma pessoa consiga viver no máximo 8 meses. “Eu vivi com esta dieta 5 anos e meio”, diz o Sr. A. Laks.

Nos guetos era proibido às mulheres engravidarem. Também foram tirados dos guetos crianças até doze anos, idosos, doentes e pessoas magras. Em contrapartida, depois de cada deportação foram trazidos judeus, de outras partes do mundo, para os guetos já existentes. A vida nos guetos era de grande promiscuidade e incerteza. Os alemães davam sempre esperanças de sobrevivência aos infelizes moradores do gueto. As deportações eram sempre feitas da maneira mais brutal possível.

Em 9 de abril de 1940 deu-se a invasão alemã à Dinamarca e a Noruega. Do dia 10 a 18 de maio, ocorreu a invasão germânica a Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França. A Holanda e a Bélgica rendem-se. No dia 18 de maio, abre o campo de concentração Aushwitz, que em seguida, converte-se em campo de extermínio. Desde junho, a Itália entra na guerra ao lado da Alemanha. Em 22 de junho, a França capitula. Em setembro, dia 27, o Japão se junta à Alemanha e à Itália, criando a chamada Força de Eixo. Em seguida, juntam-se a Hungria, Roménia e Eslováquia. Em 15 de dezembro, Emmanuel Ringelblum começa a escrever artigos secretos sobre vida no gueto de Varsóvia.

Em 22 de fevereiro de 1941, foi realizada a deportação de judeus e holandeses ao Campo de Concentração de Mauthausen; os trabalhadores holandeses em solidariedade aos judeus entram em greve. Em 22 de junho, a Alemanha nazista invade a União Soviética comunista. Os massacres em massa começam na Europa Oriental. Em 31 de julho, Goering nomeia Heydrich para executar o plano de “Solução Final”. Este plano consiste em exterminação completa dos judeus na Europa. Em 14 de outubro, judeus alemães são deportados para Lodz, Polônia. É o começo da deportação generalizada do Terceiro Reich. Em 7 de dezembro, ocorre o ataque japonês a Pearl Harbor. Os Estados Unidos entram em guerra ao lado dos aliados (Grã Bretanha e União Soviética) na guerra contra o eixo. Um dia depois entra em funcionamento o primeiro campo de extermínio na História da Humanidade, chamado “Chelmno”, em alemão Kulmhof. Partizans judeus começam as operações na área de Minsk

Em 15 de janeiro de 1942, começa o transporte de judeus da cidade de Lodz para campos de extermínio de Chelmno. No dia 20, acontece a assim chamada Conferência de Wannsee. O plano nazista do extermínio dos judeus na Europa. Dia 21 a Organização Unificada de Partizans do gueto de Vilna é criada. Começa a crescer a resistência através da Europa Oriental. Em 10 de junho, começa a funcionar o campo de extermínio de Treblinka. Nesse período, os judeus da Holanda e França, ocupadas pelos alemães, são obrigados a usar uma estrela amarela. Em 22 de julho, judeus oferecem uma resistência armada durante a liquidação do gueto de Nieswiez. Ações similares acontecem em outros guetos. Dia 28 é criado no gueto de Varsóvia a Organização Judaica de Luta, em polonês JOB. Dia 4 de outubro, todos os judeus presos nos campos de concentração na Alemanha são mandados para Auschwitz. Em 18 de janeiro de 1943, durante 4 dias, a Organização de Resistência Judaica resiste aos alemães. Acontecem escaramuças nas ruas do gueto de Varsóvia. Em 2 de fevereiro, o sexto exército alemão capitula em Stalingrado. Começa a revirada da guerra. No mesmo dia, começa o reforço de transportes para campos de extermínio na Europa ocupada pelos nazistas. Dia 13 de março, novos crematórios começam a funcionar em Aushwitz. Em 19 de abril, começa o levante do gueto de Varsóvia. Treze de junho, é ordenada a deportação dos judeus dos guetos da Polônia e União Soviética. Em 11 de agosto, ocorre o levante do gueto de Bialistok. Acontece também a revolta no campo de extermínio de Treblinka. Em 10 de outubro, é ordenada a expulsão dos judeus da Dinamarca. A resistência dinamarquesa salva 7 mil judeus, transferindo-os para a Suécia. Assim mesmo, 475 são capturados pelos alemães. Dia 14, ocorre o levante do campo de extermínio de Sobibor. No dia 20, é constituída, pelas Nações Unidas, a comissão sobre os crimes de guerra.

Dia 6 de junho de 1944, as forças aliadas invadem a Normandia, na França, e começa a libertação da Europa. Em 24 de junho, as tropas russas libertam o campo de extermínio de Majdanek (Maidanek, Polônia). Dia 6 de agosto, começa a marcha de morte. Dia 23, é a última sessão de asfixia pelo gás em Aushwitz. Dia 26, Himmler ordena a destruição dos crematórios em Aushwitz para esconder evidências do campo de extermínio. Dia 11 de janeiro, as tropas Russas libertam Varsóvia, onde não encontram mais judeus. Entre 17 e 26 de janeiro, as tropas soviéticas libertam 80 mil judeus em Budapeste; tomam Aushwitz, onde encontram um milhar de sobreviventes. Entre 11 e 28 de abril, as tropas americanas libertam Buchenwald e Dachau. As tropas britânicas libertam o campo Bergen-Belsen. Tropas soviéticas chegam perto de Berlim. Os nazistas evacuam prisioneiros de Sachsenhausen e Ravensbruck. A SS perpetra o último massacre aos judeus. Dia 30, Hitler suicida-se. Dia 2 de maio, Berlim capitula. Em 8 de maio, ocorre o fim da guerra.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo do filme de Steven Spielberg anteriormente resenhado.

Podemos organizar nos estabelecimentos de ensino dos diferentes níveis uma ampla amostra sobre o Holocausto judeu. A mesma deveria incluir fotos, textos, desenhos, frases, aforismos, lemas, poemas, assim como dados esquemáticos sobre o tema e sobre pessoas dignas que, pela sua ação, salvaram da morte a muitos judeus. Com todo o material podemos editar ou policopiar uma monografia dedicada ao holocausto, seguindo a técnica da «Biblioteca do Trabalho» de Freinet.

Seria interessante organizar juntos estudantes e docentes debates sobre o tema, depois de ler, por exemplo algumas das mensagens pronunciadas pelo Secretário Geral da ONU, cada ano, para comemorar a data do 27 de janeiro. Também podemos organizar algum livro-fórum, depois de comprometer-nos a ler todos um livro. Entre eles temos, por exemplo. A lista de Schindler, de Thomas Keneally, o Diário de Anna Frank ou Treblinka (1942-43): Eu sou o último judeu, de Chil Rajchmann. De todos existe edição na nossa língua.

 

 

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