José Carlos da Silva – Em 2013, o município de João Pessoa, capital do estado nordestino da Paraíba, abrirá suas primeira sala bilíngue “Libras-Português” para atender os alunos de cinco e seis anos de idade que têm deficiência auditiva.
Este compromisso foi assumido pela Secretaria de Educação de João Pessoa no dia 12 de novembro, durante a audiência pública da Promotoria de Justiça da Educação de João Pessoa para atender a uma reivindicação de entidades e do Movimento de Pessoas Surdas na Paraíba.
A ideia é garantir que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) seja a primeira língua das pessoas surdas e para isso, os alunos surdos seriam alfabetizados em libras por um professor também surdo. Nessa proposta, a língua portuguesa seria a segunda língua dos alunos com deficiência auditiva.
Segundo o Movimento de Pessoas Surdas, já existem experiências bem sucedidas em cidades como Santa Maria, no Rio Grande do Sul e no estado de Santa Catarina. Em João Pessoa, o projeto-piloto deve funcionar na escola municipal de ensino fundamental (EMEF) Matias Freire, localizada no bairro da Torre.
A Secretaria de Educação de João Pessoa já oferece cursos de libras para as pessoas da comunidade. Através da experiência piloto, será possível avaliar se é viável criar escolas bilíngues libras-português, na rede pública de ensino municipal e estadual.
A audiência também contou com a presença da professora e coordenadora do Curso de Letras Libras, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Nayara de Almeida Adriano, e foi traduzida em língua de sinais por José Augusto Soares e outros intérpretes.
Escolas bilíngues
A presidente do Centro Suvag (Sistema Universal Verbotonal da Audição Guberina), Benedita Dultra de Morais Almeida, disse que a Paraíba possui 150 mil pessoas com surdez, sendo que 25 mil vivem na capital.
Ela destacou que a proposta também requer que as escolas bilíngues tenham programa pedagógico, metodologia e formas de avaliação do conhecimento que atendam às necessidades do aluno com surdez.
Já a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS), que lidera o Movimento Surdo em Favor da Educação e da Cultura Surda, deu início a um abaixo-assinado on line de apoio à inclusão de escolas e classes bilíngues (Libras/Português escrito) no Plano Nacional de Educação. Pode ser assinado aqui.
“Não basta um espaço físico para os alunos surdos; é preciso que as escolas regulares tenham programas pedagógicos que atendam às especificidades do surdo, a sua identidade e a sua cultura. Não queremos o surdo em uma sala de aula separada, com professor que não sabe libras. A escola bilíngue deve contemplar tanto os alunos surdos quanto os ouvintes, sendo que a primeira língua dos alunos surdos será a de sinais. As aulas serão ministradas em libras e escritas em português, mas é necessário que o conhecimento seja transmitido em libras para os alunos surdos”, completa Benedita Almeida.
