O concurso, aberto a todo o estudantado da universidade corunhesa tem três modalidades: galego, inglês e castelhano, com opçom de participar em quatro géneros: poesia, narrativa, ensaio e teatro.
Este ano concorreram sete textos para a modalidade de língua galega, e o júri, estivo composto polos professores Isaac Lourido e Roberto Samartim, toda vez que a pessoa designada como presidenta do júri, Estíbaliz Espinosa, nom pôde participar nos trabalhos de deliberaçom por incompatibilidade com obrigações profissionais e pessoais.
O júri acordou por unanimidade outorgar o prémio à obra apresentada com o título “Sombra da terra”, considerando esta “ser uma proposta poética de qualidade, que define um projeto literário definido e pessoal quanto à linguagem usada, o imaginário construído e os diálogos interliterários e filosóficos estabelecidos.”
A obra resultou ser da autoria de Miquel Dourado, estudante de terceiro ano de Galego e Português. O texto tem uma introduçom e mais dous poemas, Figuras de evolução e Plenilúnio; o primeiro mais longo, o segundo de apenas 4 versos. Eis um trecho:
Introdução
prego piedade
pois já não sei falar
fui em rádios de pé na lama inferno meu sem quando
fui o terrível de monstro e ventral
chuva na rua que o grito sem secreto
a esfinge elétrica como em cada cristal absurdo roto
prego piedade
pois não sabia ser o humano uma ave
com a boca feita para o canto
mas ouvi
tenho uma fouce no pulso em aberta
de névoa que as manhãs
roda que sou
e em cada cão os quantos relógios
vida que eu medi chegada em
manhãs de não de novo
vomita vinho a minha parede parede Internet
como arranjo
isto? e hop a noite o ninho de vespas na mão
pulando numa botelha um há
alguém aí?
cada carro um nado fui
o automatismo que não espero perder
anadiemeno sempre com numisbeiços a sombra ainda vagando na rua
e olho a janela o reflexo sorrindo
a luz sopapo pouco gentil
e grito
odeio o estilo
aceito a corrente do ónibus
o deus buscando o nihil
sem mudança já
por enquanto
a sua mão com só três nomes
a morte o sol a galáxia
fiz o que pude
prego piedade
ouvi
O prémio consiste num lote de livros, diploma e a publicaçom conjunta de todos os textos ganhadores e os accésits. Em anteriores ediçons foi ganho por Yolanda Castaño, Emma Pedreira, Estibaliza Espinosa, Lucia Cernadas, Samuel Lema ou Ánxela Lema, entre outras.
Na atual Faculdade de Filologia é a primeira vez que ganha um texto em galego-português, depois de ter inaugurado a listagem de pessoas galardoadas, sendo ainda “Faculdade de Humanidades” em 1992, o escritor reintegracionista Mário Herrero.
