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Mário Máximo: “Há uma vontade explícita de que se aprofunde o tema da Galiza”

evento-3Realizou-se no passado 19 de novembro, a iniciativa “A Lusofonia – Uma utopia?” organizada pelo Leitorado Camões I.P em Saint-Étienne e a Universidade Jean Monnet. No “Fórum: Territórios e universalidade de culturas” houve o testemunho de vários territórios de língua lusófona e teve a participação do escritor Mário Máximo, do professor Pedro Barbosa e do deputado português Paulo Pisco.

Diego Garcia, estudante de Estudos Europeus e ativista galego-português, no seu testemunho abordou dois assuntos: As potencialidades da reintegração do galego na Lusofonia e o estado atual da CPLP.

O ativista referiu que “o movimento reintegracionista é um movimento linguístico-cultural que tenta desfazer as barreiras que existem entre o galego e o português e tem a AGAL – Associação Galega da Língua, o seu referente mais visível, na pessoa do seu presidente Eduardo Maragoto”.

Para Diego Garcia, a Lei Paz-Andrade “praticamente não saiu do papel” e acrescentou que “as medidas mais importantes, como seria o ensino efetivo do português nas escolas galegas não existe. A título de exemplo, ensina-se mais o português na região espanhola da Estremadura, do que na Galiza”.

Para Diego Garcia, a Lei Paz-Andrade “praticamente não saiu do papel” e acrescentou que “as medidas mais importantes, como seria o ensino efetivo do português nas escolas galegas não existe.”

126294166_379656143306013_4311866006603687190_nOutro dos temas abordados foi a questão da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Diego Garcia frisou que “a CPLP continua a desvirtuar-se” e deu o exemplo da Guiné Equatorial, “uma antiga colónia de Espanha onde só se ouve falar espanhol nas ruas. Neste país, o português foi oficializado em 2010 com o objetivo explícito de entrar na CPLP, mas nada foi feito”.

“Deixo um apelo, cabe também à sociedade lusófona exigir o direito da Galiza de pertencer à CPLP contrapondo com a Guiné Equatorial e com a Espanha que nada têm a ver com a Lusofonia nem têm pontos de aproximação culturais ou linguísticos”, disse o estudante de Estudos Europeus.

Falou de Carvalho Calero que “foi um dos intelectuais galegos mais acarinhados pelo reintegracionismo. Tinha pensado redigir a parte galega da gramática luso-brasileira com Celso Cunha e Lindley Cintra”.

Diego Garcia: “Porque não começar por integrar as faculdades galegas da língua nas comissões da CPLP, tal como outros faculdades lusófonas do mundo?”

Finalmente, deixou uma pergunta: “Porque não começar por integrar as faculdades galegas da língua nas comissões da CPLP, tal como outros faculdades lusófonas do mundo?”

Mário Máximo é um escritor português, nascido em Lisboa em 1956. Desde cedo ligado às questões da literatura e da criatividade literária, foram os jornais que deram a conhecer muitos dos seus poemas, mas também o conto e a crónica. É hoje Coordenador da Gestão da “Gala Prémios da Lusofonia” e do “Fórum Permanente Debates da Lusofonia”.

O escritor afirmou que a questão da Galiza, “é uma questão que me diz muito. Eu creio que o assunto da Galiza não tem tido o enfoque que deveria ter no contexto da Lusofonia”.

Mário Máximo: “Eu creio que o assunto da Galiza não tem tido o enfoque que deveria ter no contexto da Lusofonia”

“Num tempo de modernidade não faz o mínimo sentido estes preconceitos e há uma razão histórica que leva a que a Galiza tenha muito que ver com a cidadania da língua portuguesa. Há uma perspetiva de integração, uma vontade explícita da cidadania portuguesa e da cidadania da Galiza para que se aprofunde sem complexos este tema”, vincou Mário Máximo.

Para o escritor, “também no quadro da CPLP acho que se pode fazer muito à volta desta questão da Galiza”.

Pedro Gomes Barbosa: “Falta uma visão estratégica à CPLP”

Pedro Gomes Barbosa é professor catedrático da Universidade de Lisboa, nascido em Cabo Verde em 1951. É investigador do Centro de Estudos Geográficos e do Centro de História da Universidade de Lisboa.

Pedro Barbosa disse que “nós fazemos parte da Galiza, quer dizer que a nossa língua se começou a desenvolver não exatamente na Galiza de hoje, mas até à zona do Douro”.

O professor apontou que “o contributo galego é extremamente importante” e acrescentou que “falta uma visão estratégica à CPLP”.

 

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