Partilhar

Maria Manuela Silva: “Não colocaria a questão no objeto livro mas sim na leitura”

Maria Manuela Silva por LUIS BARRA
Maria Manuela Silva por LUIS BARRA

Maria Manuela Silva é a coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares de Portugal, que está a cumprir vinte anos. Licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, além de outras habilitações académicas, apresenta um denso currículo como dinamizadora de atividades de formação nas áreas de leitura, de literacias da informação, da gestão e organização das bibliotecas escolares ou dos desafios que enfrentam no século XIX. Véu contar a sua experiência num encontro do Plano de Bibliotecas Escolares da Galiza.

Uma entrevista de Laura Garcia para o PGL.

 

***

Após vinte anos de trabalho, que cumpriria conseguir nos vindouros vinte?

Consolidarmos a rede, as parcerias e construirmos as respostas adequadas aos reptos que a atual sociedade nos coloca. Nestas, destaca-se a formação de leitores para o século XXI, capazes de ler o mundo em todas as suas dimensões, com sentido crítico, intervindo de forma ativa e construtiva na sociedade. Nesse sentido, é necessário trabalhar em colaboração, biblioteca escolar e os restantes docentes, por forma a apetrechar os alunos com múltiplas literacias, ferramentas indispensáveis à flexibilidade e às mudanças permanentes que desafiam o desempenho individual e profissional dos indivíduos.

A própria leitura, em diversos formatos e suportes exige competências acrescidas aos leitores, por isso, o papel de mediação por parte da biblioteca é cada vez mais necessário.

Havendo tantas possibilidades de aceso à informação, em que medida são hoje necessárias as bibliotecas escolares?

A quantidade de informação disponível implica maior complexidade no seu acesso e exige maiores capacidades no uso da informação. A própria leitura, em diversos formatos e suportes exige competências acrescidas aos leitores. Exatamente por essa razão, o papel de mediação por parte da biblioteca é cada vez mais necessário uma vez que, a biblioteca, dadas as suas características, se constitui como o espaço propiciador dessas novas aprendizagens. Estas suportadas por princípios colaborativos que promovem a troca, o diálogo e os consensos.

Que tipo de projetos apoia a Rede de Bibliotecas nas escolas de Portugal?

Projetos nas mais variadas áreas com múltiplos parceiros com vista à promoção da leitura e das literacias, abrangendo áreas mais gerais e específicas no âmbito das ciências, da saúde, da inclusão…Preconizamos a pluralidade e a igualdade de oportunidades para a totalidade dos alunos. A diversidade de oferta de atividades e de ações pretendem abranger os diferentes públicos e atender aos variados interesses e necessidades.

É urgente trabalhar-se de forma colaborativa, convergir esforços, evidenciar a transversalidade do saber e tornar os alunos protagonistas na aprendizagem.

 Na conferência falava da importância de exigir novas atitudes e estratégias diversificadas de aprendizagem. Que diria ao professorado para que se animasse a levar práticas mais colaborativas com o alunado?

Cada vez mais é urgente trabalhar-se de forma colaborativa. A discussão e os contributos de todos enriquecem os resultados. Por isso é imprescindível convergir esforços, evidenciar a transversalidade do saber e tornar os alunos protagonistas na aprendizagem porque, só deste modo, se apropriam dos processos, ganham autonomia e gosto pela descoberta. É este o caminho proposto pelas bibliotecas. Saber encontrar o que necessitam, individualmente ou em grupo, percorrendo eficazmente etapas tais como a pesquisa, seleção, síntese da informação, simultaneamente à construção e comunicação do conhecimento.

Que formação deveria ter uma equipa ideal para lograr um espaço educativo integrador e que tipo de atividades deveria promover esta?

As equipas quanto mais plurais melhor porque permitem e favorecem a complementaridade. O caminho passa pela adoção de outras práticas, de outras metodologias adaptadas às necessidades de aprendizagem dos alunos feitas a partir dos múltiplos recursos da biblioteca escolar através da exploração da informação mediante o uso de tecnologias . Para que isso se concretize dispomos, por exemplo, de um documento orientador designado Aprender com a Biblioteca Escolar: referencial de aprendizagem associadas ao trabalho das bibliotecas escolares na Educação Pré escolar e no Ensino Básico onde se apresentam formas de operacionalização .

Quais acha que são os principais problemas do ensino em Portugal?

Creio que as nossas preocupações têm que ver com o sucesso dos alunos e a demonstração do valor do conhecimento. Torná-los curiosos, interventivos e bons leitores. Apetrechá-los com ferramentas que os tornem mais capazes de enfrentar o futuro. Mostrar-lhes o valor do conhecimento e do património da humanidade assegurando o seu papel na continuidade desta construção e deste legado.

Um projeto como Através Editora permite uma divulgação alargada das publicações galegas e possibilita um entendimento acrescentado sobre as raízes linguísticas que comungamos.

Que espaço ocupa o livro galego em Portugal?

Tenho alguma dificuldade em responder a esta questão. Contudo, explorei o projeto Através Editora e achei muito importante para a promoção, neste caso, de autores e de livros galegos.

Que ações acha fundamentais das duas beiras do Minho para melhorar o nosso conhecimento mútuo?

Estreitar as relações, fortalecer o intercâmbio porque há uma história e um património comuns que ajudarão as gerações mais novas a entender e a preservar.

Que funcionalidade podem ter projetos como o de Através Editora de que falava para este propósito?

É fundamental o aparecimento deste tipo de iniciativas. Um projeto pensado deste modo permite uma divulgação alargada das publicações galegas e possibilita um entendimento acrescentado sobre as raízes linguísticas que comungamos.

Quando era criança, de que gostava de ler? Qual era o seu livro favorito? E na atualidade?

Comecei por gostar de ficção – aventuras, romances …e também de livros de divulgação científica. Desde nova pensei ser professora e, nas brincadeiras, simulava contextos de salas de aula com recurso, muitas vezes, a enciclopédias juvenis ilustradas. Foi assim que fui descobrindo algumas respostas sobre o universo, conhecendo os planetas, as estrelas e os cometas; descobrindo informação sobre a evolução da espécie humana e sobre os artefactos que foram sendo construídos. Fui desenvolvendo a competência leitora e tornei-me mais exigente com as leituras. Já na adolescência apaixonei-me pela literatura russa e também pela literatura portuguesa do século XIX. Desenvolvi o imaginário dos ambientes de então, aprendi a entender melhor a condição humana, as vivências dessas sociedades e extrapolei e comparei com ambientes de outras latitudes. Hoje, continuo a gostar de obras de literatura, porque são as que melhor falam do homem e nestas, a clássica destaca-se embora me dedique mais tempo à leitura de ensaios.

Para finalizar, que significa um livro para a senhora?

Não colocaria a questão no objeto livro mas sim na leitura. Leitura no sentido mais amplo do termo dada a diversidade de formatos e de suportes. É o melhor desafio para a estruturação do nosso pensamento, implica a mobilização do que já sabemos e acrescenta-nos. Exige compreensão, inferência, e é através desta prática que vamos adquirindo mais vocabulário, formulamos interrogações, comunicamos melhor o pensamento, as ideias e fundamentamos as nossas opiniões.

 

Lançamento de Begonha Caamanho, uma das nossas, em Lugo

Ângelo Brea apresenta Ensinamentos de Rahotep em Bertamiráns

Através Editora publica Ensinamentos de Rahotep, de Ângelo Brea, obra ganhadora do I Prémio de Criação Literária da Cátedra Carvalho Calero da USC

Lançamento de Tourists, go home? Em Ponte Vedra

Os artigos dos topónimos no novo Nomenclátor

Juan Luis Fernández apresenta o livro Futebol Gaélico em Celanova

Lançamento de Begonha Caamanho, uma das nossas, em Lugo

Ângelo Brea apresenta Ensinamentos de Rahotep em Bertamiráns

Através Editora publica Ensinamentos de Rahotep, de Ângelo Brea, obra ganhadora do I Prémio de Criação Literária da Cátedra Carvalho Calero da USC

Lançamento de Tourists, go home? Em Ponte Vedra