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Luís Figueiroa desmonta no ‘Galicia Hoxe’ a polémica sobre o topónimo corunhês

PGL – O filólogo Luís Fontenla Figueiroa desmonta no jornal Galicia Hoxe a polémica sobre o topónimo da Corunha, aludindo diretamente ao uso incorreto (e espanholizante) do artigo.

Figueiroa começa o artigo assinalando que em Portugal e Galiza são muito frequentes os nomes de lugares que em frases com preposição (de, em, por) adquirem artigo. Assim, em galego-português dizemos «viver na Corunha, gostar do Porto, almoçar nos Vilares, passear na Chavasqueira, venho da França, morei na Alemanha, partiu para a Inglaterra».

Mas «isto não significa que o nome do topónimo seja com artigo na nossa língua, pois por exemplo o nome da Inglaterra é “Inglaterra” e nunca “A Inglaterra”», aponta, indo diretamente para a origem da polémica e atingindo uma perspetiva não defendida (por enquanto) pelo oficialismo, assinalando a seguir que «a norma para o galego promovida pela RAG e ILG (acientífica e variável no tempo segundo soprar o vento da política) não tomou a sério este tema provocando um grave erro neste âmbito».

Para Figueiroa, as instituições isolacionistas decidiram que os artigos deviam formar parte do nome «caprichosamente e sem critério», decisão que afetou apenas os topónimos galegos, já que se estabeleceu que a Corunha deve levar o artigo «A», mas ao tempo não se recomendou «A Inglaterra». Isto trouxo «consequências como que agora escrevem artificialmente “Concelho de A corunha”» quando o correto seria «Concelho da Corunha».

Incorreto

O filólogo também lembra que em todos os países lusófonos é incorreto escrever os nomes das cidades em solitário com artigo, e lamenta «porque ninguém lho explicou antes aos corunheses e a todos nós? O que intento  explicar através desta carta é que o correcto em galego é escrever “estou na Corunha” mas “Corunha é o nome da nossa cidade”».

Para Figueiroa, resulta «ridículo» comprovar que tanto defensores da imposição do castelhano como  defensores da nossa língua andem «arremeter com que um dos artigos tem de aparecer no topónimo seja como for, cousa que seria incorrecta num registo culto galego e também em espanhol correcto. Os defensores do “La” demonstram ser “mais papistas do que o Papa” pois em castelhano já existem soluções como “Oporto” para o mesmo contexto, mas nunca “El Porto”».

Recorrendo ao último exemplo, Figueiroa ironiza e propõe que posto que a cidade do Porto em castelhano é escrita «Oporto», se faça o mesmo com a Corunha, grafando-se «Acoruña» nessa língua. «Assim, nos indicadores de estradas poderia aparecer desta maneira “Corunha/Acoruña”. Será que isto deixará a todos contentes? Decerto que não…».

 

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