PGL – Segundo o estudo O Valor Económico do Português, encomendado em Setembro de 2007 pelo Instituto Camões, a língua portuguesa representa 17% do PIB (Produto Interno Bruto) em Portugal, isso por palavras do investigador José Paula Esperança Pina, que já a princípios de Novembro tinha apresentado em Lisboa as conclusões preliminares do mesmo.
O estudo foi encomendado ao Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e os resultados do seu primeiro ano de trabalhos serão conhecidos até final de 2008. A metodologia utilizada seguiu a criada para calcular o valor económico da língua espanhola num estudo realizado em 2003.
Segundo isso, os coeficientes estabelecidos vão dos níveis elevados da indústria gráfica (91%), Correio e Telecomunicações (95%) e Educação (82%), passando pelos médios como Lazer, Cultura e Desporto (40%) e Administração Pública (25%), ou de baixo contéudo linguístico como a Agricultura (0.6%), Electricidade e Gás (0.04%) ou Tratamento do lixo (0.07%).
Para o cálculo final, o facto das actividades do sector terciário terem incorporado um maior valor linguístico e que estas actividades tenham um maior peso na economia portuguesa do que na espanhola, fez com que em Portugal a língua represente mais dois pontos no valor base do que o espanhol no Reino de Espanha.
José Paulo Esperança destacou, durante a apresentação das conclusões preliminares do estudo, as questões ligadas ao «efeito de rede» na língua, resultando do «valor de rede» que tem o idioma português por estar entre os dez mais falados no mundo.
O estudo calcula em 249 milhões de pessoas o universo populacional que representam hoje em dia os oito países onde o português é língua oficial – os 3.7% da total mundial, incluindo 5 milhões de migrantes portugueses (a Galiza não é incluída, o que poderia implicar potencialmente mais 3 milhões de pessoas). Afinal, a língua portuguesa é considerada supercentral, no globo, superada só pelo inglês e ao mesmo nível do que o francês e o espanhol.
Assim, verifica-se o interesse crescente pela língua portuguesa no Reino de Espanha e vários Estados da América Latina, com destaque para os casos da Argentina e do Uruguai (onde o português é obrigatório nas escolas); ou da Venezuela (com uma numerosa comunidade portuguesa); além da África.
Os benefícios, o impacto no comércio externo, o investimento estrangeiro, a grande dimensão das indústrias culturais (literatura, música, teatro, televisão…) e de outros factores são assuntos de vital focagem no estudo, bem como as mais-valias em termos de notoriedade de personalidades, marcas e empresas portuguesas no respeitante à língua.
Descarregar estudo do professor José Paula Esperança (em inglês):
Uma Abordagem Ecléctica do Valor da Língua: O Uso Global do Português / An Eclectic Approach to Language Valuation: The Global Influence of the Portuguese Language 