António Carvalho – Para a firma texana Global Language Monitor, dedicada desde há seis anos a ‘documentar, analisar e observar tendências das línguas no mundo’, anteontem foi um dia histórico para o inglês, o idioma mais entendido (e estendido) do planeta.
A sua equipe de especialistas, com a ajuda de um algoritmo matemático próprio, calculou que às 10h22 (hora de Stratford-upon-Avon, o pequeno município inglês onde nasceu William Shakespeare), o inglês terá incorporado a palavra um milhão: ‘Web 2.0’.
Como não há quorum entre os linguistas sobre que conta como uma palavra e que não, Global Language Monitor tem estabelecido o seu próprio critério: uma palavra incorpora-se ao inglês quando observam que tem aparecido 25.000 vezes em meios de comunicação, redes sociais ou outras fontes. Na consecução da marca do milhão, a firma texana acha que tem muito a ver o aumento do inglês como segunda língua na Ásia, facto que tem permitido acelerar a incorporação de palavras novas. Em concreto, uma a cada 98 minutos.
Tanto a predição de Global Language Monitor quanto os seus métodos são questionados por muitos linguistas. O reconhecido professor norte-irlandês David Crystal, perguntado sobre se é possível saber o número total de palavras de uma língua, respondia à BBC: ‘É como perguntar quantas estrelas há no céu. É impossível de responder.’
O Oxford English Dictionary, de facto, integra 600.000 entradas provenientes dos registros regulares, popular, arcaico, técnico, dialectal e de calão. Tendo em conta todas as contribuições léxicas provenientes destes campos, para o mesmo Crystal não seria nada impensável que se tenha superado há tempo a marca do milhão de palavras em inglês. O outro dicionário de referência inglês, o norte-americano Merriam-Webster, inclui nas suas páginas 475.000 entradas. Para além das diferenças numéricas, é muito provável que o inglês seja a língua que reúna mais palavras do mundo. A isso ajudam razões históricas, mas também características próprias do idioma, como as grandes capacidades de adaptação e de absorção lingüísticas que apresenta.
Seja verdade que se chegou a um milhão de palavras em inglês como não, a verdade é que os falantes utilizam uma ínfima parte. O vocabulário médio de um anglo-falante, segundo as fontes, varia das 14.000 palavras às 35.000, e uma pessoa muito formada (como por exemplo Shakespeare) pode chegar a utilizar com propriedade 75.000.
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- Fonte: Vilaweb.cat [Texto original em catalão traduzido para português da Galiza]
