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Líder espanholista ‘insulta’ Zapatero chamando-o de «galego, no senso mais pejorativo»

Maria E. – Rosa Díez, cabeça visível do partido espanholista Uniom Progresso e Democracia (UPyD nas siglas em castelhano), pretendeu ‘insultar’ o presidente do Governo espanhol qualificando-o de «galego, no senso mais pejorativo do termo».

A dirigente espanholista nom hesitou nem dous segundos na sua resposta ao lhe ser requerida umha reflexom para definir José Luís Rodríguez Zapatero:

P: Podo pedir a você, que é muito precisa, umha reflexom ao redor de quatro ou cinco personagens da política actual? Ao redor de Zapatero, umha palavra que o defina.

R: Poderia ser galego, no senso mais pejorativo do termo.

 

Escuite o fragmento de conversa

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Fica-nos, porém, a dúvida de saber se Díez também pretendia ‘insultar’ o chefe da oposiçom espanhola, Mariano Rajoy, natural da Galiza, quando o definiu simplesmente como «galego».

Seja como for, nom som novas estas alusões de Díez ao senso pejorativo do termo «galego», pois já em finais de 2009 se referiu ao presidente da Junta, Alberto Núñez Feijóo, do seguinte modo: «ele está aí, no meio; demasiado galego, no senso pejorativo da palavra».

Cumpre lembrar que a Real Academia Espanhola já anunciou que retiraria da vindoura ediçom do seu dicionário as acepções de «tonto» e «tartamudo», únicas que actualmente figuram como pejorativas se fizermos umha consulta na versom em linha desta obra. Ainda, há várias décadas já retirara a acepçom de «bruto».

Para o BNG, «acto racista e xenófobo»

O porta-voz de Língua do BNG no Parlamento, Bieito Lobeira, apresentou umha pergunta para resposta escrita relativa aos «insultos racistas contra os galegos» proferidos por Díez, quem ademais é membro do Congresso espanhol dos Deputados.

Para Lobeira, todo o mundo é livre para emitir e publicitar opiniões sobre pessoeiros públicos, mesmo sendo «hipercríticas, com toda a contundência que se quiger». Porém, utilizar «o nome da Galiza ou dos galegos como insulto, só pode ser qualificado como acto racista e xenófobo».

O porta-voz de Língua do BNG também lamenta a atitude do entrevistador de Rosa Díez, o conhecido jornalista basco Iñaki Gabilondo, quem também nom «matizou nem realizou qualquer observaçom face a este despropósito».

Na pergunta dirigida à Câmara autonómica, o responsável nacionalista lembra que Rosa Díez é um cargo público, e que como deputada o seu ordenado «também dos impostos dos galegos», polo qual nom é admisível que crie um clima propício «para amparar e oficializar o desprezo, a humilhaçom e a caricatura da Galiza e do povo galego».

Por tal motivo, do BNG exigem que a Junta se pronuncie sobre estes graves factos e que explique as medidas que se adoptarám por tal motivo.

O PP defende que «galego» nom é pejorativo

Pola sua parte, o porta-voz do PP na Câmara autonómica, Manuel Ruiz Rivas, qualificou de «o mais desafortunadas possível» as afirmações de Díez sobre o suposto carácter pejorativo do termo «galego». O dirigente popular instou também a líder de UPyD a «pedir desculpas» por tais declarações, e qualificou a organizaçom por ela chefiada de «marginal».

PSOE exige «desculpa pública»

O responsável de Organizaçom do PSOE, Pablo García, também rejeitou a visom pejorativa da política ultraespanholista, por sinal ex militante socialista. Em sua opiniom, as palavras da deputada espanhola constituem um «ataque frontal a toda a sociedade galega», e por tal motivo exigiu-lhe umha «desculpa pública».

Mais reacções

Num artigo que hoje publica o PGL, o professor Maurício Castro assinala que este episódio é «de grande interesse, nom porque nos descubra nada da líder da UPyD, mas porque representa a maneira como o nosso povo é visto a partir da mentalidade de sectores influentes da sociedade espanhola ». Trata-se, explica, de «um tópico literário já desde Luís de Góngora», quem já descrevera de maneira negativa o nosso povo.

«Hoje, como ontem, esses sectores vem-nos como qualquer cousa alheia, estranha e diferente, por isso criárom um adjectivo para definir, em espanhol, quem tem um comportamento ou um carácter negativo e diferente do que para eles é “normal”. E até o incorporárom aos seus dicionários!», assinala Castro.

A também professora Maria do Pilar Garcia Negro, bota mão de memíoria e assinala que há anos, o ex presidente catalám Jordi Pujol empregou o termo gitanería (termo despectivo para se refrir ao povo cigano) numha conversa informal, sendo obrigado a se desculpar publicamente.

Ainda, Garcia Negro pergunta-se polo que aconteceria se Díez se referisse a Barack Obama como o presidente «negro, con perdón» dos EUA, ou que «apesar de ser preto, Nelson Mandela merece os reconhecimentos de que é objeto». Em sua opiniom, isto nom seria aceite, polo qual também é «abominável» a «carga racista» com que a deputada espanholista usa o termo «galego».

 

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