Por Adela Figueroa Panisse
Depois de duas semanas e mais de 128 países a participar, temos que lamentar que os acordos alcançados não são os esperados nem os necessários para travar a ameaça da mudança climática. Marcou-se o objectivo de não superar uma subida de temperatura de 2º C para o conjunto da TERRA, mas, como? Se o acordo não é vinculante, como se pensa que se vai conseguir? Segundo os dados que temos seria necessário abaixar a emissão de gases de efeito estufa não menos de 40% para que o processo de aquecimento em que se encontra a Terra for controlado. Já na reunião do G8, chegara-se à conclusão da necessidade de uma redução de até 50% para 2050 para os países menos desenvolvidos e de 80% nos mais desenvolvidos tendo como referência 1990.
A União Europeia figura no grupo dos países que se “anotam” voluntariamente a essa redução Tudo fica nas mãos das voluntariedades. Que poderemos aguardar destas? Na época de Aznar não se fizera qualquer caso ao acordo de Quioto, que era vinculante, superando a Espanha em muito a taxa de emissão que tinha designada[1]. Para a Galiza isto foi assim de largo. Dado a pouca população que temos, a perda constante desta, a emissão em Galiza supera de largo as que seria m permitidas pela ética e a solidariedade. Padecemos o que se pode chamar um forte défice ambiental porque superamos a pegada ecológica da média da Espanha, Portugal e Europa.
Que nos pode quedar aos ambientalistas galegos? Tomo a palavra a Arnold Schwarzenegger “Terminator” em defesa das pequenas nações e da implicação social quem, no passado 15 de Dezembro, fez um chamamento para um acordo global sobre o clima que involucrou todos os estados autónomos e as comunidades nacionais como poderia ser Galiza. Segundo ele, «os Governos do Mundo sós não vão poder construir as estratégias necessárias para travar o problema da mudança Climática. Será necessária a implicação não só dos estados, mas das cidades, províncias e regiões. Necessitam-se as empresas os activistas, as Universidades». Julgo interessante a sua posse, porque, como Governador de um Estado Autónomo foi à Copenhaga para pôr em destaque os esforços necessários dos Governos Locais. Ele comprometeu-se a que a Califórnia iria reduzir as emissões ao nível de 1990 para o ano 2020, o que significa um recorte destas que frisa 30% das emissões de gases projectadas.
Depois do fracasso dos Governantes que não conseguiram ser líderes (como os manifestantes lhes pediram) só fica a acção popular. Evo Morales, representando os países pobres, que sofrem as consequências da poluição dos mais ricos (que, ainda, lhes espoliam os seus recursos) faz um chamado à acção. Reclama unha grande mobilização para o próximo Dia da Terra no mês de Abril, ciente que só a pressão cidadã será quem de mover os políticos, que dependem dos votos para estarem no poder.
O problema que vamos ter cá é de pedagogia.
Como fazermos sentir a necessidade desta pressão. Do ponto de vista mediático, na Galiza e em Espanha não houve um grande seguimento da Conferência. Será que teremos que fazer, como dizia Castelao: bater e bater nas consciências da gente ate criar um estado de opinião… Vai ser difícil porque as mudanças não são tão visíveis no curto tempo a que estamos acostumados a agir. Só com a conivência dos meios de comunicação é que se poderá criar esse estado de opinião. Serão estes mais livres e independentes do que o foram durante os 15 dias de Copenhaga?
Que teríamos que fazer como cidadãos responsáveis? Cada um de nos podemos ajudar a reduzir as emissões de efeito estufa, controlando o nosso gasto energético o nosso consumo e os nossos resíduos.
Os governantes têm unha grande responsabilidade em matéria de Transportes: as emissões neste apartado representam, na Galiza, 40-50% das emissões difusas. Apostar pelo caminho de ferro e de proximidade seria unha medida contundente. Pela contra, constroem-se mais autoestradas que destroçam irreversivelmente o território e fomentam o uso do automóvel privado incrementando as emissões de gases e a dos lixos gerados com os seus despojos.
Teríamos que ir a um Plano de Resíduos descentralizado que fomentasse a compostagem e aproveitamento energético destes (metalização da purina por exemplo). Teríamos que cuidar dos nossos rios que em muitos casos mostram um lamentável estado e a eutrofização das águas estagnadas incrementa as emissões de metano, um gás 38 vezes mais potente no seu efeito estufa que o CO2.Teríamos que impedir que os planeamentos urbanísticos fomentassem a dispersão populacional com urbanizações periféricas que produzem movimentos de transporte privado e gasto energético. Teríamos que fomentar o transporte público tanto o urbano como intercity, com medidas drásticas e contundentes. Teríamos que avaliar fidedignamente a nossa pegada de carbono para saber com certeza quanto poluímos.
Andaluzia apresentou em Copenhaga uma metodologia para esta avaliação[2]. O Presidente Zapatero acaba de apresentar o rascunho da “Ley de Economia Sostenible”, onde se tratam todos estes temas. Entre outras cousas declara-se que se vai promover o comboio de cercanias. Tem isto algo a ver com a construção descontrolada de autoestadas que está a acontecer agora na Galiza junto com o abandono do trem? A cidadania ciente deveria exigir o cumprimento das leis ambientais, o respeito pelo Património natural e cultural e, sobretudo, agir com sentidinho, na consciência de que os recursos do Planeta são limitados, que este (a Terra) é um sistema de funcionamento dinâmico que se auto reajusta por realimentação, em que, como dissera o chefe índio Seatle: Tudo o que lhe façamos á Terra à Terra, devolver-no-lo á. E já o está a fazer, só que começa pelos mais vulneráveis, como os de Tuvalu que vêm o seu país mergulhado nas águas do oceano.
Exijamos justiça ambiental e estaremos no caminho de garantir um futuro aos nossos descendentes. É a hora da cidadania.
NOTAS
[1] Os últimos dados de Espanha apontam a que em 2008 a emissão superou em 40% as de 1990, ano de referência do Protocolo de Quioto, que fixava para o estado um aumento máximo de 15%.
[2] Galiza tinha no 2007 unha pegada ecológica de 6,8, em quanto a media de Espanha era de 5 Hªs.
