Partilhar

José Carlos Cid Tesouro, professor em Ribadeu

PGL – José Carlos Cid Tesouro é professor de história em Ribadeu ainda que ourensano de nascimento. Fã dos aPorto e promotor de avançarmos por meio da convicção.

Carlos é professor de história no liceu IES de Ribadeu e acumula 30 anos de docência. Há dous anos decidiu incorporar o galego-português na sua prática docente. Como foi a receção?

Num principio de surpresa, mas passados os primeiros tempos mudou, e no caso de alguns alunos, mesmo valeu, para decidirem dar o passo e se matricularam neste curso nas aulas de português, que se ministram pola primeira vez.

Que te motivou a dar esse passo? Dizem que as pessoas, segundo passarem os anos, tornam mais preguiçosas para mudanças.

Acho que no meu caso não se cumpre, mais a mudança foi feita devagar. Foi um processo de reflexão e de convencimento de que só na integração no mundo da lusofonia, a nossa sobrevivência linguística é possível e viável.

Carlos frequentou um aPorto na edição de 2011. Recomendarias a experiência às leitoras e leitores do PGL?

Sempre… Foi uma experiência ótima, que não pude repetir neste ano por questões pessoais, mas que volverei fazer sempre que puder. O convívio, os docentes, as visitas e as palestras, são do mais enriquecedoras e aconselháveis para todos os galegos e que ajudam mesmo aos que visitamos o país muitas vezes, a conhecer a parte mais autêntica e menos turística.

Ribadeu é uma zona limítrofe com as Astúrias. Esta facto tem consequências de relevo no aspeto sócio-linguístico?

Muitas, entre outras as interferências culturais para bem e para mal. Ribadeu é uma zona de influencia inter-comarcal nas duas beiras e às vezes o preconceito linguístico joga em contra do galego.

E no que respeita ao mundo da lusofonia vê-se como algo muito distante e mesmo as vezes fora de lugar.

Carlos é neo-falante, nascido em Ourense. Foi com 17 anos que começou a nadar na língua galega, como foi o processo?

Daquelas, havia muita fervença política e os jovens tínhamos claro que a oposição a ditadura e o compromisso linguístico iam da mão. Foi assim como nasceu o compromisso nuns momentos em que a língua nas cidades se viu reforçada pelos filhos das classes populares que fôramos educados em castelhano pelos nossos pais.

É comum afirmar-se que os neo-falantes estão mais abertos à estratégia luso-brasileira que os falantes de berço. Concordas?

Acho que sim. A causa mesmo pode estar em que a mudança dos neo-falantes no seu momento foi um passo decidido e consciencializado, porém temos que ser capazes de incorporar aos que de verdade foram quem de conservar a fala, mesmo sem serem conscientes disso.

Na tua opinião, por onde deve caminhar a estratégia luso-brasileira para avançar na sua sociabilização?

Pelo caminho da convicção e a não imposição. Os momentos que vivemos ainda sendo maus, são ao mesmo tempo úteis para que a juventude se consciencialize de que a nossa opção lhe abre campos de formação e de integração num mundo globalizado que abre portas.

Que te motivou a te tornares sócio da AGAL? Que imagem tinhas da associação e que esperas dela?

O ter claro que a opção pela que optei está a ser defendida pela AGAL, e ver nela uma ferramenta útil de colaboração entre os que formamos esta comunidade.

Há anos que tinha a imagem de uma associação minoritária e em certa maneira elitista. Hoje essa perceção inicial mudou. Espero algo muito simples, como é um meio de convívio e de intercâmbio entre a comunidade da lusofonia.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2020?

Uma Galiza linguisticamente normalizada, com pontes idiomáticas com Portugal e países irmãos.

Conhecendo o Carlos:


Um sítio web: Chuza.

Um invento: a bicicleta.

Uma música: o Jazz.

Um livro: Cem anos de solidão.

Um facto histórico: a descoberta da agricultura e do lume.

Um prato na mesa: home…..”polvo com alho e cachelos”.

Um desporto: o ciclo-turismo.

Um filme: cinema-Paradiso.

Uma maravilha: o Cabo do Mundo e os canhões do Sil em geral.

Além de galego/a: gosto de escutar falar em Italiano.

Burela, romance do escritor brasileiro Efigénio Moura, disponível em pré-venda na loja online da Através Editora

Lançamento de Begonha Caamanho, uma das nossas, em Lugo

Ângelo Brea apresenta Ensinamentos de Rahotep em Bertamiráns

Através Editora publica Ensinamentos de Rahotep, de Ângelo Brea, obra ganhadora do I Prémio de Criação Literária da Cátedra Carvalho Calero da USC

Lançamento de Tourists, go home? Em Ponte Vedra

Os artigos dos topónimos no novo Nomenclátor

Burela, romance do escritor brasileiro Efigénio Moura, disponível em pré-venda na loja online da Através Editora

Lançamento de Begonha Caamanho, uma das nossas, em Lugo

Ângelo Brea apresenta Ensinamentos de Rahotep em Bertamiráns

Através Editora publica Ensinamentos de Rahotep, de Ângelo Brea, obra ganhadora do I Prémio de Criação Literária da Cátedra Carvalho Calero da USC