PGL Portugal – A poucos dias da celebração dos 900 anos do nascimento do rei Afonso Henriques, um integrante da direção do Jornal de Notícias, Jorge Fiel, declarou-se «galego do sul» em editorial publicado pelo diário na última semana.
«Eu, galego do sul», é o contundente título do texto que assina Fiel. No artigo, ele trata da discriminação que, em sua opinião, sofre o norte do país pelo facto de a capital nacional ser Lisboa, e não Porto. «Acho que todos nós, pelo menos uma vez na vida, nos interrogámos porque raio é que o bom do D. Afonso Henriques se virou para Sul, e não para o Norte, quando se tratou de dar forma e assegurar o espaço vital ao país que fundou a partir do Condado Portucalense», reflete.
Para Fiel, a «passividade» com que o seu primo Afonso VII e a monarquia leonesa observaram a emancipação do Condado Portucalense «deve-se ao facto de Afonso Henriques ter optado por combater o império almorávida, conduzindo os seus exércitos para além do Tejo». Destarte, «tivesse o fundador ousado atravessar o rio Minho, em vez de fazer guerra aos muçulmanos, e a realidade política da Península Ibérica seria hoje radicalmente diferente».
Devido a isso, e «por muito que nos custe», aclara, «esse pecado original a que o nosso primeiro rei foi impelido deve-se a um pragmatismo que não lhe podemos censurar». Assim, quase nove séculos depois do nascimento do monarca, «Portugal combina uma invejável unidade linguística e as fronteiras mais estáveis e antigas da Europa com uma enorme diversidade de culturas, caracteres e paisagens».
Os dois países que convivem em Portugal
Nesta altura do artigo Fiel recupera a direção inicial, isto é, voltada para a Galiza e nos contrastes entre o norte de Portugal e o sul do país. «Não é preciso ser antropólogo (basta ter olhos na cara) para constatar que um minhoto é muito parecido com um galego – e muito diferente de um alentejano ou algarvio». Continua as reflexões apelando para a geografia, que deosta, bastando-lhe «a vista desarmada» para constatar que «a serra dos Candeeiros [marca fronteira entre Ribatejo e Oeste] é a fronteira que cose dois países diferentes unidos há séculos pela política mas separados pela geografia e costumes».
Deste modo, Fiel critica o centralismo de uma Lisboa que se revela «ignorante da história e da realidade do país que a sustenta». Uma Lisboa que, em sua opinião, «persiste em agredir cegamente a cidade onde Portugal foi buscar o nome [Porto] e região que foi o seu berço». Um exemplo, segundo fiel, as Scuts, pois quando se começaram a portajar «não começa pelas mais antigas, mas pelas do Norte. E quando se trata de pôr em prática o criminoso plano de liquidação da rede ferroviária, começa por fechar a ligação Porto-Vigo – enquanto reabilita a linha das Vendas Novas».
Resposta de Manuel Serrão
Dois dias depois, na passada quarta-feira, dia 13, Manuel Serrão respondeu o artigo com um outro texto. Nele compara os anseios autonomistas do Norte com os periódicos apelos à independência da Madeira que promove o líder do arquipélago, Alberto João Jardim.
Em sua opinião, o desejável seria um reequilíbrio de Portugal, encontrando o lugar do Norte. Nas suas próprias palavras, «o que se pretende com ou sem a Madeira ou a Galiza, é que o Norte faça parte de um país equilibrado que trabalhe para esse equilíbrio e se reveja nele. Será que não podíamos aproveitar a janela de oportunidade que a troika nos abre com a reorganização administrativa que nos é imposta?», interroga Serrão.
Celebração em Guimarães
Por outra parte, afastados desta polémica, em Guimarães irão celebrar a 24 e 25 de julho os 900 anos do nascimento do primeiro rei português, Afonso Henriques. As festividades terão início no domingo, dia 24, com um jantar medieval, no Restaurante Histórico, que terá a participação do grupo de teatro “O Bando do Gil”.
No dia 25, segunda-feira, pelas 18h00 segue-se uma romagem ao monumento de D. Afonso Henriques, junto ao Paço dos Duques de Bragança. Pelas 21h30, será realizada a apresentação do livro D. Afonso Henriques – 900 Anos de seu nascimento (1111-2011), na sede das juntas de freguesia da Cidade, no S. Francisco Centro.
