Isaac Diaz Pardo Chairego do Ano

Partilhar

Por Adela Figueroa Panisse

Foi nomeado assim pela Associação “Xermolos” que realiza uma intensa actividade cultural na Comarca da Terra Chã de Lugo.

Uma homenagem mais para o bem-querido Isaac. Como todas as outras, mais que merecida. Na capelinha de Santo Alberte, que é reconhecido como “advogoso” para doenças da fala, celebrou-se o acto académico de recepção do homenageado.

Desde o dia 7 de novembro de 2009, Isaac já faz parte da alma dos Chairegos.

Uma fonte que nasce ao pé da Capela: é a testemunha secular desta habilidade milagreira. A Igreja aproveitou, sempre, as crenças populares para se instalar no País. Lá iam os pais com os filhos que tinham algum problema com a fala. Será um sinal dos tempos?

A Capela insere-se no bosque da garganta do rio Parga e tudo recende lá a água, frouma e natureza em consoante com o murmúrio do rio que já desce em cachoeiras neste limiar da invernia.

Isaac merece esta homenagem e todas as que se lhe façam. Ele levou, sobre as suas costas a tarefa imensa, de lembrar os esquecidos. De dar justiça onde houve desprezo, de fazer visíveis os inomináveis, toda aquela gente que fora punida na repressão franquista por terem ideias de liberdade e de amor à Galiza.

Isaac resgatou também a memória cultural e estética da Galiza e deu-lhe forma. Colocando as Cerâmicas de Sargadelos e do Castro de Samoedo no mundo com uma dignidade incomparável e a rendibilidade económica que é necessária para que uma empresa possa gerar riqueza e postos de trabalho para muitos operários, artistas e comerciantes. A Editorial o Castro deu voz a múltiplas escritoras/es que, de outro modo, não teriam sido ouvidos nem escutados.

O Museu Carlos Maside no Castro, guarda formosas peças da pintura atual e de vanguarda galega.

Foi a sua uma empresa de gigante.

Carmen Branco, na sua dissertação focou o importante papel que teve a Editorial para dar a conhecer a literatura de vanguarda e de opinião, como o é o relativo às minorias, feminismo, libertárias, novas/os criadoras/es, etc.

Ponho em destaque o brilhante alegado de Felipe Sénem que fez um vibrante discurso reivindicando a figura do “pessoeiro”, e pondo a ênfase na injustiça a que está agora submetido: Expulso do Conselho de administração das empresas que ele mesmo criou, porque há, nesse Conselho, quem considere que os ganhos não são bastantes. Porque a dupla função com que foram concebidas (cultural-reivindicativa, e criadoras de riqueza material) não lhes satisfaz.

A fórmula única, que fez das empresas do grupo Sargadelos um exemplo de rendibilidade e de transmissão cultural era um orgulho para todas/os as galegas/os. Mas não o parece ser para os elementos que compõem, agora, o Conselho de administração do Grupo.

Representava a monstra de que a globalização não tem porque atingir todas as áreas da sociedade. Tínhamos uma ilha de criatividade original, Galega que era uma resenha, um cartão de apresentação diante do mundo e que nos era tão querido. Quem, na Galiza, não fez um presente com alguma das peças de Sargadelos ou do Castro? Quem não leu ou comprou livros da Editorial do Castro que não poderiam ser lidos de outra maneira? Quem não assistiu a alguma actividade cultural nos locais que o grupo tem por toda a Galiza?

73 anos após aquela desgraça que supôs o Levantamento Nacional contra a legalidade do governo eleito da República vai ser ele, que na altura, e com apenas 16 anos, tivera que se agachar para salvar a vida, quem vai ser agora, finalmente, retaliado?

Por isso Isaac é mais que merecedor desta Homenagem e de todas as que o povo da Galiza lhe possa fazer.

Mas não deveríamos ficar apenas por cá. Julgo que deveríamos procurar em nós próprias/os a força necessária para evitar a catástrofe desta empresa cultural.

A Editorial do Castro poderia ser salva entre várias pessoas se, unicamente, fosse o seu problema o económico. Esta poderia ser a nossa empresa de Galegas/os comprometidas/os com o nosso país e de pessoas reconhecidas com o Isaac Díaz Pardo. Ele ainda poderia liderar o projeto.

Deixo cair cá a proposição. Não tenho planos mas isso pode elaborar-se caso haja mais gente com esta preocupação e com esta mesma ideia.

Obrigada Isaac por ter sido um dos Bons e Generosos. É de bem-nascidos/as sermos agradecidos/as. Estaremos nós à tua altura?

 

LOGO DA RECENTE SAÍDA DA PRESIDENCIA DE CERÁMICAS DO CASTRO

Apartan a Díaz Pardo do control de Sargadelos [em Vieiros]

[28/06/2006 12:15] A xunta de accionistas de Sargadelos celebrou este martes unha xunta de accionistas que afondou nos enfrontamentos internos asinando a saída de Isaac Díaz Pardo e seus fillos Camilo e Xosé Díaz, deica agora administradores do grupo empresarial. Na altura dos 86 anos, Díaz Pardo deixa así de ter o control sobre o proxecto que axudara a fundar, na actualidade constituído por unha ducia de sociedades. Santiago Sineiro, Xavier Remeseiro e Xosé Luís Vázquez Freire toman o relevo neses cargos, e anuncian para a semana o nomeamento dun novo presidente. Os accionistas argumentan a necesidade de adaptar a empresa aos novos tempos e a oposición do histórico galeguista a dialogar ao respecto. Pola súa banda, Díaz Pardo acúsaos de deslealdade e de querer rachar cos principios fundacionais.

Anteriores:

  • Apartan a Díaz Pardo da presidencia de Cerámicas do Castro [em Vieiros]
  • Entrevista no Canal Murguía con Díaz Pardo: “Galiza é unha nación, pero unha nación escarallada” [em Vieiros]