Iria Taibo: “A liberdade (real) de escolha é muito importante, e o sentido prático também”



Neste ano 2021 há 40 anos desde que o galego passou a ser considerada língua co-oficial na Galiza, passando a ter um estatus legal que permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisar este período, estamos a realizar ao longo de todo o ano, umha série de entrevistas a diferentes agentes sociais para darem-nos a sua avaliaçom a respeito do processo, e também abrir possíveis novas vias de intervençom de cara o futuro.
Desta volta entrevistamos iria taibo, tradutora, intérprete e ativista da Mesa.

Qual foi a melhor iniciativa nestes quarenta anos para melhorar o status do galego?

iria-taiboNão sei se foi a melhor, mas o movimento de inícios dos anos 80 pela presença do galego no ensino teve uma transcendência muito grande. A própria entrada do galego na educação faz uma grande diferença, embora haja muitas coisas mais que deveriam ter mudado desde esse momento até agora.
O momento histórico atual é bastante diferente, mas também muitas iniciativas sociais de todo tipo que, desde diferentes setores e estratégias, ajudam.

Se pudesses recuar no tempo, que mudarias para que a situação na atualidade fosse melhor?
Parece-me bastante difícil responder a isto, pois acho que a situação atual é o produto de muitos elementos diferentes, e responde principalmente a um contexto social e político muito específico, que não foi nem é favorável a esta causa. Parece-me demasiado simples pensar que haja uma só coisa ou estratégia que se tenha feito mal que, de fazer-se de jeito diferente no passado, a situação do galego seria um 90 ou um 20% diferente.
Como sociedade, todos e todas somos responsáveis, desde as nossas escolhas políticas até a nossa ação ou omissão em determinados momentos. Mesmo pode haver quem pense que o debate entre diferentes normativas pode restar tempo e energias, mas para mim todas as estratégias que nalguma altura adicionaram algo para o galego somam.
Eu prefiro claramente estratégias decididas e em positivo, mas aquelas que me parecem a priori mais promissórias não sempre recebem o apoio que considero merecem.
No concreto, acho que a parte de movimentos sociais tem sido bastante ativa, e faltaram iniciativas desde as instituições públicas com maior decisão. Igualmente a parte da empresa privada, também com muita responsabilidade no prestígio público da língua, para mim teve muito a ver, por ação ou por omissão, em que o galego hoje não seja uma referência para uma parte importante da sociedade, mesmo que o fale habitualmente ou apoie a sua subsistência na teoria.

No concreto, acho que a parte de movimentos sociais tem sido bastante ativa, e faltaram iniciativas desde as instituições públicas com maior decisão. Igualmente a parte da empresa privada, também com muita responsabilidade no prestígio público da língua, para mim teve muito a ver, por ação ou por omissão, em que o galego hoje não seja uma referência.

Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?
iria-taibo_2019Podem fazer-se muitas coisas, mas acho que se não há um apoio muito mais claro por parte das instituições é bastante difícil que nada mude. Desde a promoção do galego nas novas plataformas onde a mocidade toda está a participar até os retrocessos que é fácil detetar em partes muito importantes da própria administração (nomeadamente, a educação e a saúde, na minha opinião), as iniciativas pessoais e privadas de todo tipo são muito positivas e imprescindíveis, mas para mim é impossível que haja mudanças reais sem essa liderança do público.
Desde a iniciativa social, continuaria com o apoio a iniciativas muito transformadoras que existem, particularmente de valorização e de divulgação de espaços de presença prática do galego.

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, uma similar à atual e outra ligada com as suas variedades internacionais?
Sem dúvida. A liberdade (real) de escolha é muito importante, e o sentido prático também. Daria a bem-vinda a qualquer elemento que ajude e some.


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  • Eduardo Maragoto

    Ativista da Mesa e também da AGAL 😉