Nationalia.cat – O jacobinismo francês está a provocar umha nova polémica a umha das naçons sem estado do Hexágono, a Bretanha. O director do serviço dos Correios (La Poste) para o oeste da Bretanha, Yves Amiard, surpreendeu todo mundo na semana passada quando pediu para, a partir de agora, a gente escrever todos os endereços postais em francês, e nom em bretom.
Amiard também recomendou aos municípios que só empreguem os nomes das ruas em francês. Segundo ele, os apóstrofes da língua bretoa «perturbam» o novo sistema de leitura óptica de cartas de Correios. Inaudito, porque o francês também usa apóstrofes, exactamente igual que o bretom.
Amiard, explica o diário bretom Le Télégramme, argumenta que nom se trata de uma petiçom contra o idioma céltico, mas evitar as possíveis queixas dos clientes que vejam como as suas cartas nom chegam a destino devido a um problema de leitura informática. «Toma-nos por atrasados?», replica o presidente da organizaçom da diáspora bretoa Bretons do Mundo, Pêr Lhe Roux. «Os computadores de todo mundo tenhem em conta, desde hai muito tempo, os caracteres especiais das línguas da Europa».
O despropósito de Amiard tem obrigado a intervir as instituiçons bretoas. Jean-Yves Lhe Drian, presidente da Regiom da Bretanha, tem enviado umha carta ao presidente de La Poste, Jean-Paul Bailly, em que reclama que «os correios com toponímia bretoa sejam tratados da mesma forma que todos os outros». A presidenta do Escritório da Língua Bretoa, Lena Louarn, tem perguntado a Amiard se a próxima medida será obrigar a gente a «francesizar os apelidos». E o presidente do Conselho Cultural da Bretanha, Patrick Malrieu, recordou-lhe que «as máquinas som adaptáveis a todas as línguas».
Para além do que é percebido como um ataque ao bretom, umha das coisas que mais tem molestado foi o facto de Amiard ter feito estas recomendaçons poucos meses após de que a Constituiçom francesa incorporasse um artigo que reconhece, por primeira vez, todas as línguas que se falam no território da República. Para o movimento bretom, no fundo, a posiçom do director regional dos Correios atenta contra o espírito da Carta Magna, dado que o texto explicita que idiomas como o bretom «pertencem ao património da França».
Apóstrofes entre o «c» e o «h»
A diferença entre o uso do apóstrofe em bretom e em francês reside no facto de que, no idioma celta, este carácter é utilizado na combinação «c’h», que soa como a jota castelhana. Assim, por exemplo, pode ser encontrado em apelidos como Guivarc’h ou Wrac’h. Os bretons argumentam que nom usar o apóstrofe nos endereços ainda provocaria mais confusons, porque um mesmo apelido acabaria sendo escrito de duas maneiras diferentes. Curiosamente, Amiard nom tem dito nada da outra letra especial que usa o bretom, o «ñ», que contrariamente ao apóstrofe, nom se encontra em francês.

+ Mais informaçom:
- Le Télégramme: La Poste. Une histoire d’apostrophes
- Ar Post Breizh: recomanacions sobre com escriure les adreces en bretó
- Ler o artigo em catalám. Nationalia.cat, 22 de Janeiro de 2008.
